segunda-feira, 18 de abril de 2022

O Retorno

Olá, querido leitor! Após 4 meses sem postar, estou de voltar.


No meu último post, estava na península de Maraú, litoral da Bahia, aproveitando os últimos momentos da vida nômade e bastante desejoso de interromper a viagem. É engraçado como vamos mudando nossas ideias ao longo de nossas experiências. Foram 14 meses de vida nômade, quando o plano inicial era de pelo menos 24 meses na estrada. Experiências incríveis foram vivenciadas, novos lugares e pessoas – algumas que vamos carregar a amizade – transformaram quem sou e quem pretendo ser.


Recomendo MUITO que todos tirem um período desbravando o mundo, mesmo que o mundo seja seu próprio Estado, sem data certa para voltar ou parar; é um modo de viver absolutamente paralelo da realidade do resto de nossas vidas. Além disso, descobrimos que, ao menos numa viagem em família, para nós um tempo estimado de 3 meses ininterruptos é o bastante para que a balança pese 99% do tempo do lado da alegria.


Falando de investimentos, o esforço contínuo é de olhar e me inteirar cada vez menos sobre o assunto, especialmente evitar venda de ativos. Os aportes dos últimos meses foram 100% em renda fixa e remessa ao exterior, aproveitando a queda do dólar. Agora só rompendo a barreira dos R$ 4,50 para pensar em novas remessas em 2022, o resto, é deixar o tempo fazer seu trabalho.

Estou também reduzindo o número de FIIs que possuo em carteira, limando fundos com alavancagem acima de 10% e gestoras com histórico que me desagradam.


Ainda em investimentos, reforço a importância de imóveis físicos numa carteira bem balanceada. Apesar de serem poucos e de baixo valor, tanto de venda quanto de aluguel, os imóveis que possuo com a finalidade de renda deram pouco trabalho nos últimos anos e, em que pese a passagem de todo o período da pandemia, a vacância foi mínima, o yield on cost fica cada vez melhor (sobre o valor de mercado para eventual venda) e a segurança do ativo não tem como ser maior.

Como nem tudo são flores, (não) gosto de lembrar da existência de um baita elefante branco adquirido em 2019 com vacância 100% e custo de manutenção alto; uma aposta que parecia sólida e não se concretizou. Um erro de aquisição que custou caro e a torneira não para de pingar pra fora, infelizmente.


Quanto ao trabalho, é muito curiosa a guinada de pensamento e atitude. Num post de 2019, que apaguei por razões particulares, escrevi o plano de cessar as atividades por completo e o quanto isso seria necessário para uma “vida livre”. Hoje vejo que possivelmente esse plano teria sido um erro na prática, por algumas razões, que faço questão de enumerar para causar alguma reflexão ao leitor:


1) A felicidade de ter escolhido o caminho do empreendedorismo me permite, na maior parte das vezes, dosar e quantificar o trabalho. É simplesmente impagável a liberdade de pensamento e financeira para negar clientes desagradáveis ou serviços com mau custo x benefício. É um constante aprendizado dizer “não” às pessoas e ao dinheirinho acenando na mão delas, mas a paz que isso traz não é quantificável.


2) O dinheiro da renda ativa me trouxe muito conforto nesses 2 anos de pandemia (sim, no particular estou dando a pandemia encerrado com 2 anos de existência) e eventos malucos no mercado financeiro.


3) Limitei horas e local de trabalho. Só trabalho se ligar o computador; só ligo o computador se for trabalhar; só trabalho em horário comercial; não passo de 6h por dia em nenhum dia. Há vários dias que faço todo o necessário em 1h e, após, só lido com trabalho respondendo alguns whatsapps. Dificilmente passo de 25h semanais de trabalho e, quando acontece, não fico nada incomodado.


4) Não ter empregados nem chefes. Por escolhas pretéritas de não inflar minha estrutura, hoje consigo executar meus trabalhos todos através de parcerias sem hierarquias e sem estabelecimento físico. O avanço da mentalidade de home office, da tecnologia de mensagens (whatsapp especialmente) e da aversão criada por muitos no encontro presencial (e até mesmo aversão à ligações!) tornaram meu trabalho mais ágil, prático e menos preocupante. Isso tudo também possibilitou que parceiros de negócios pudessem, independentemente da localização geográfica, colaborar em trabalhos que não quero fazer, mas também não quero deixar o cliente desamparado.


Por fim, a saúde física e mental estão em plena ascensão. Uma moradia fixa proporciona rotina, que facilita a disciplina e maximiza resultados. Com a filhota na escola, o desenvolvimento dela em todos os aspectos aumentou um bocado, além de liberar os adultos da casa por um turno inteiro para realizarem suas atividades sem interrupção ou apenas descansarem. A alimentação passou a ser mais regrada, a volta à academia após 4 anos não poderia ser mais agradável e ter tempo para leitura, ver um filme ou dar uma volta na pracinha num dia útil à tarde possui um valor que não dá pra explicar.


Ah, o Boteco Fire vai voltar cedo ou tarde!


Abraços

16 comentários:

  1. Olá AC,

    Que maravilhoso o seu retorno, suas reflexões são organizadas e nos ajudam muito a pensar sobre a caminhada FIRE.
    Meu cansaço no trabalho é tão grande que só penso no meu sabático, mas ao mesmo tempo não sei quanto tempo aguentaria, tenho simplesmente pavor em imaginar que eu não teria um emprego, enfim estou na fase de confusão mental. Os seus tópicos já me deram uma boa clareza para minha organização mental.

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    1. Oi Suzana! Agradeço os elogios! Não sei se seu trabalho permitiria, mas uma licença não remunerada é uma ótima forma de viver o esperado sabático e não se preocupar tanto se você desejar voltar ao rumo anterior. Fora isso, idade, área de atuação e grau de experiência contam muito para a "certeza" de que você conseguirá algo novamente se resolver chutar o balde do emprego. É uma decisão muito importante e só não pode deixar de fazê-la às custas da saúde.
      Abraço

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    1. Valeu, Scant! Fiquei fora até da leitura dos blogs amigos, em breve aparecerei no seu, pois curto quase tudo (ainda tem a sessão fofoca?! rs). Abraço

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  3. Muito legal que você conseguiu encontrar uma fórmula que funcione bem pra você (manter trabalhando, mas com mais liberdade e horas reduzidas)! Esses conselhos valem ouro. Obrigado por compartilhar! Já decidiu em que cidade vão ficar raízes? Ainda decidindo? Grande abraço!

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    1. Oi VVI, os conselhos foram mais reflexões pessoais, pode ser que com outros a fórmula seja outra! hehehe
      Não quero dizer que decidi onde fincar a bandeira porque a última década teve tantas transformações na minha vida, inclusive geográfica, que seria quase uma futurologia. Por enquanto, estamos fazendo um teste, espero que de longo prazo. Depois me chama no whatsapp que a gente estende essa conversa.
      Abraço

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  4. Obrigado por compartilhar sua experiência! É sempre bom ler uma postagem autêntica, apontando pontos positivos e negativos das escolhas que fazemos.

    Aguardando a volta do Boteco Fire...

    SD

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    1. Oi Sr. Dividendos! Obrigado pelo complemento. Eu vejo tanto conteúdo legal por aí que dá vontade só de modificar algo ou opinar sobre, mas no fim sempre prefiro escrever o que estou sentindo e o que acho, mesmo não fazendo muito sentido pra todos.
      Eu confesso me segurar para não focar muito nos pontos negativos pra não ficar reclamão e virar o novo Sr. IF 365 (uhahuahuhua), só que é sempre importante lembrar que eles existem independentemente do momento e condição da vida.
      Boteco em breve!
      Abraço

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  5. Valeu pelo retorno!

    Essa liberdade de poder escolher o que fazer, quando e onde quiser é o que mais me motiva, muito mais do que a ideia de parar de trabalhar para o resto da vida. Aguardando o próximo boteco! rs

    Abs!

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    1. Nem diga, FT. Nas últimas semanas fiz muita coisa legal em horários que jamais imaginaria estar livre há alguns anos. Abraço

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  6. Gosto muito do investimentos em imóveis fisicos. ha 10 anos comprei 4 terrenos, paguei 50 mil em cada um, hj eles valem entre 200 mil a 250 mil cada um. Meus custos são IPTU na faixa de 600,00 por ano em cada um. Fora isso não tenho trabalho algum. Nem limpar os terrenos eu limpo.

    Agora estou pensando em comprar um apê na praia como investimento. Um conhecido tem um apê na praia que vale 400 mil, e ele me disse que tira entre 30 mil a 40 mil por ano apenas alugando na temporada! Ou seja, além de ser uma fonte de renda, ele e a familia aproveitam muito o apê.

    Gostaria de entender pq vc reduz seus investimentos em FIIs? é outro segmento que gosto e não me dá dor de cabeça, apesar de ser renda variável.

    obrigado por compartilhar suas estratégias

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    1. "50 mil em cada um, hj eles valem entre 200 mil a 250 mil cada um. " vai vender ou construir?

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    2. Oi Anon, imóveis físicos podem ser excelentes investimentos se a região deles valorizar. Em áreas mais "estabelecidas", o investimento tende a ser mais seguro, porém com rentabilidades mais medianas (seja para venda ou locação).
      Acho que a ideia de apto na praia é muito válido, só tem de estudar justamente se é uma região em expansão, já estabelecida e qual o nível de procura (ex1: na Região dos Lagos - RJ há uma drástica diferença entre um apto em Búzios ou em Araruama; ex2: no litoral de SC, um apto em Balneário Camboriú destoa demais de um no Balneário Rincão). Tem de estudar qual valor você pretende investir e comparar o custo x benefício.

      Sobre FIIs, são muitos os fundos com gestão sacana. A liquidez e facilidade de acesso do produto são muito atrativas, mas quanto mais eu estudo FIIs, mais me apavora a rentabilidade de longo prazo.
      Ex: tinha um fundo que comprou imóvel alavancando (dívida de 20M, prazo pra pagar em out/22). Esse fundo usou há pouco todo seu caixa pra comprar um CRI de 2M, ficando com caixa perto de zero. Daqui a pouco chegará outubro e como será paga a dívida da compra do imóvel? Com os aluguéis que não será possível, mesmo que zerasse os dividendos até lá. Só restará uma alternativa: nova emissão, o que significará mais cotas para repartir o mesmo patrimônio, ou seja, em breve todos os cotários receberão menos pra pagar uma dívida irresponsavelmente contraída. E esse CRI comprado às vésperas do prazo de uma dívida? Por que não usaram pra amortizar a mesma? Certamente havia algum interesse do gestor em negociar esse CRI, talvez tenha sido uma negociação entre fundos da mesma gestora.
      Enfim, FIIs demandam uma atenção muito maior do que imaginamos para não levarmos ferro no longo prazo. Não pretendo deixar de investir no produto, mas o olho fica cada vez mais aberto e não pretendo aportar mais % em relação à carteira.
      Abraço

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  7. Excelente! Gostei do seu relato, e o dólar acho que não cai mais não... pelo visto inverteu a curva agora.

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    1. Sim, agora voltou pra casa dos R$ 5, o que parece ser o novo normal. É um patamar que acho mais saudável que os R$ 5,60 de uns meses atrás. Abraço

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  8. Gostei do seu artigo acredito que o dólar esta caindo mas ira subir de novo depois da eleição.

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