sábado, 19 de junho de 2021

6 meses de vida nômade - custo de moradia

 


Em 6 meses de vida nômade, redescobri o quão ignorante sou quanto a nosso Brasil.
Jamais imaginaria que, após mais de 1.500 km rodados, conheceria tantos lugares incríveis e teria experiências inesquecíveis. Futuramente falarei mais a respeito, mas ando com preguiça de seguir os posts da série “Vida Nômade”.


Vamos ao que você quer saber: despesas. Irei me limitar às despesas de moradia, que incluem aluguel, IPTU, condomínio, energia elétrica, gás, água, internet, TV a cabo, etc. Todas as acomodações nesse semestre de viagem foram fechadas através do AirBnb.

Atribuí às acomodações que fiquei com notas de A a E, considerando o imóvel em si e a localização. Bons exemplos pra entender meu critério são Campos do Jordão e Atibaia. Na primeira, o imóvel era simples, novinho e num condomínio bacaninha, mas numa péssima localização (seria um imóvel padrão C numa localização E); em Atibaia a casa era bem ruim, padrão E, mas numa localização A ou B, daí a nota final D (a casa era ruim demais, que isso!).

Rio de Janeiro: diária média (total de 11 noites): R$ 237,25 – padrão: C (R$ 2.609,75)


Holambra/SP – diária média (total de 40 noites): R$ 195,94 – padrão: A (R$ 7.837,60)


Campos do Jordão/SP: diária média (total de 15 noites): R$ 152,16 – padrão: D (R$ 2.282,40)


Atibaia/SP: diária média (total de 7 noites): R$ 122,27 – padrão: D (R$ 855,89)


Itanhaém/SP: diária média (total de 7 noites): R$ 130,42 – padrão: D (R$ 912,94)


Cananéia/SP: diária média (total de 8 noites): R$ 196,31 – padrão: B (R$ 1.570,48)


Curitiba/PR: diária média (total de 30 noites): R$ 112,46 – padrão: C (R$ 3.373,80)


São Francisco do Sul/SC: diária média (total de 8 noites): R$ 153,92 – padrão: C (R$ 1.231,36)


Itapema/SC: diária média (total de 47 noites): R$ 89,15 – padrão: B (R$ 4.190,05)


Blumenau/SC: diária média (total de 21 noites): R$ 152,16 – padrão: B (R$ 3.195,36)



Resumindo, em 194 noites, o custo total foi de R$ 28.059,63, o que dá uma diária média de R$ 144,64 que, vezes 30, dá um custo mensal médio de moradia de R$ 4.339,12.


Se você mora numa grande capital do Sudeste, Sul ou DF, provavelmente está pensando “uau, barato demais pra estar viajando permanentemente, eu pago bem mais que isso parado aqui nesse mesmo apartamento de sempre”; se você mora no interior, possivelmente você gasta menos, mas dificilmente menos que a metade.


O fato é que esse cálculo deixa nítido que viajar não é tão caro quanto você imagina. Um aluguel + condomínio + energia + água + gás + internet em São Paulo, Rio, BH ou Brasília passa molinho dos 4k pra um apartamento de 2 quartos em um bairro de classe média.


Posso afirmar que 90% das atividades feitas foram grátis ou quase isso (ingressos até R$ 10,00). A atividade mais cara foi um parque de diversões em Campos do Jordão (Tarundu, recomendo muito), com despesa de uns R$ 600 para 2 adultos e 1 criança (entrada + atividades livres + almoço).


Se quiser saber mais sobre despesas específicas (combustível, lazer, etc), deixe aí nos comentários o que gostaria de saber que eu farei um levantamento pra postar. A princípio não fiz isso porque alguns são gastos muito pessoais e variáveis, além de estar evitando planilhar cada centavinho pra poder aproveitar mais a vida (estando o custo total dentro da minha meta, estou satisfeito).


Abraço

sexta-feira, 11 de junho de 2021

O mundo NÃO é uma troca

Cena 1:


Quando mais jovem, tinha uma amiga muito boa de papo de bar. Transitava bem no papo com jovens e velhos se uma cervejinha estivesse no meio. Frequentemente saía junto com ela e conversávamos um bocado, fôssemos só os dois ou com mais gente na mesa. Apesar de boa pessoa e ótima conversa, ela tinha uma questão recorrente: não pagava a conta.


De início, a amiga comunicava ao final da noite que estava sem grana porque… (infinitas desculpas) e pedia para pagar só aquela que depois ela acertaria. Mais cabreiro, comecei a questioná-la ANTES mesmo de sair de casa se ela estava “prevenida” e, quase sempre, a resposta era mais “honesta”:

- Hoje não, mas vamos lá, depois a gente acerta.


Numa época em que éramos jovens o bastante para alguns não trabalharem e, os que trabalhavam (como eu) recebiam salário-mínimo ou muito perto disso, aquela grana do boteco fazia uma grande diferença com alguém na aba.


Enfim, após muitas enrolações e desculpas, a agradabilidade do papo reduziu por conta da conduta da amiga, deixando de ser uma questão só financeira e passando à esfera moral, na minha interpretação. Parei de sair com essa amiga (que fique claro: não era uma amiga com benefícios) porque a hora do retorno nunca chegava – e nunca chegou.


A vida não é uma troca, mas um relacionamento caracu (um entra com a cara, o outro com o …) também não é agradável de se manter.

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Cena 2:


Já na fase adulta, tinha um bom amigo que poderia ser o melhor operador de placar do mundo. Ele armazena tudo que faz para cobrar depois. Se ele me fazia um favor (ex: ajudar carregando móveis de uma mudança), pouco depois estaria me pedindo algo (às vezes até inventava algo para pedir, só para “zerar o score”).


Estudioso do mercado financeiro, ele gostava de distribuir palpites não solicitados e operava da seguinte forma (criada por ele): se o palpite que ele desse te gerasse ganhos, ele se enaltecia como um grande ás do mercado e te pedia algo em troca; se o palpite te causasse prejuízo, ele sumia por alguns dias ou semanas – afinal, ele estava certo, mas o imprevisível evento XYZ fez com o que o mercado não seguisse a previsão dele.


Caso ele te emprestasse dois reais pra inteirar uma coca-cola, no dia seguinte ele talvez nem cobrasse o dinheiro, mas se sentia no direito de lhe pedir duzentos reais em serviços prestados a favor dele.


Enfim, um sujeito que segue meu amigo, agora com muitas ressalvas, e que entende abertamente, sob a ótica da “justiça”, que se ele ajudar em algo, tem que ter algo em troca, sempre e em qualquer contexto.


A vida não é uma troca, especialmente entre amigos.

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Cena 3:


Num curso de extensão, conheci uma colega de profissão que atuava na mesma área que eu. Em poucas horas de contato e vendo que ambos tínhamos conhecimento acima da média naquele assunto em especial, acabamos por trocar muitas experiências e dicas que poderiam render frutos financeiros a ambas as partes (ela me passou uma informação que eu não sabia e eu passei informações que ela desconhecia ou nunca tinha se atentado ao valor que poderia gerar com as mesmas). Trocamos contato para seguirmos a discussão de informações profissionais, já que tão interessante foi a conversa daquele momento.


Semana seguinte a colega me mandou um e-mail prosseguindo com a interessante discussão que tivemos pessoalmente e, para minha incredulidade, sugeriu que eu a remunerasse pelas dicas que ela me passou. Demorei a entender que não era uma brincadeira. Uma colega de profissão que me passou uma experiência profissional – e recebeu outras em troca! - numa conversa informal estava ali, dia depois, formalizando uma cobrança financeira pela conversa.


Lamentavelmente, por uma atitude que não consigo exprimir o que seria (ganância?), foi sepultado um relacionamento profissional que poderia ter se desenvolvido e trazido frutos a nós dois.


Tem um ditado chinês que diz: dois homens se encontram, cada um com um pão. Se trocam os pães, cada um continua com um pão; se trocam ideias, cada um sai com duas ideias.

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Acima mencionei três relacionamentos diferentes que tinham algo em comum: para fazer um bem a mim, a outra parte esperava que eu desse algo em troca. É claro que obter um retorno na mesma moeda (cena 3), financeiro (cena 1) ou de forma genérica (cena 2) é bacana, porém entendo que um genuíno agradecimento seja, na maioria das vezes, mais memorável e compensatório. Tenho certeza que não esquecerei do sorriso do garoto que dei uma mera barra de chocolate (LINK) há mais de 1 ano, mas nem lembro do último “favor devolvido” que recebi.


Bondade para ofertar, humildade para agradecer e discernimento para identificar exploradores.


Que você não se sinta em dívida com a próxima gentileza recebida, tampouco queira cobrar por seus atos voluntários.


Abraço

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Atenção ao Mensageiro

 


Antes de mais nada, informo que passarei a postar sempre aos SÁBADOS, assim fica mais fácil para o leitor lembrar de dar um pulinho aqui. Se chegou domingo e não ver post novo é porque a semana vai passar em branco.

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Muito se fala em viés de confirmação. Aplicando ao mundo financeiro, é bastante comum procurarmos notícias, influenciadores ou análise para confirmar que o investimento feito é o melhor possível.


Felizmente vem se disseminando a conduta para a busca de opiniões e análises opostas às que desejamos, de modo a pensarmos mais racionalmente e, somadas às análises favoráveis, concluirmos o que realmente parece ser o melhor – e que nem sente reflete nosso desejo inicial.


O que pouco venho observando e cada vez busco aplicar em minhas decisões financeiras é outro fator: o mensageiro.


Digamos que você entre numa concessionária de automóveis Fiat. Provavelmente o vendedor irá tentar lhe convencer que o novo modelo do Fiat Uno é melhor que um Rolls-Royce (talvez te ganhe no argumento km/L, mas não é o bastante para ser “melhor”). Isso é óbvio e você sabe que é pouco provável que um veículo Fiat seja melhor que um Rolls-Royce, além de você saber que, sem vender seu produto, o vendedor não ganhará a comissão e não terá seu sustento.


AC, o que isso tem a ver com meus investimentos? Tudo.


O seu assessor da corretora por acaso já lhe aconselhou a investir em algo que ele não ganhasse comissão? Já falou como foi uma boa ideia você aportar no seu próprio negócio ou comprar um imóvel? Provavelmente não, afinal, ele nada ganhará com isso. Não estou falando que a conduta do assessor seja errada, afinal de contas, ele tem ganhos majoritariamente com a comissão de suas aplicações.


Notícias e análises: você percebe como se sustenta a fonte delas?


O que não falta é analista do mercado financeiro na internet replicando que a bolsa está barata. Usam as métricas mais criativas possíveis: “em dólar a bolsa está no patamar de 200X”; “deflacionando pelo IPCA/IGPM/IMAB/(escolha seu índice favorável), a bolsa está X% abaixo do topo histórico”; “correlacionando com o CDI, a bolsa está X p.p. abaixo do topo”; por aí vai…


Caro leitor, imagine um influenciador/youtuber, casa de análise do mercado financeiro falar pra você: “tire tua grana da B3, tu vai perder dinheiro, mermão, manda pro exterior, bota nuns bonds lá e fique seguro em moeda forte”. Essa galera vai vender relatório de que? Quem vai querer seguir um canal do Youtube sugerindo a não investir na especialidade da casa?


Já parou para pensar que um youtuber especializado em análise de FIIs vai pra cova encontrando pontos positivos em investir neles? É inimaginável algum falando “galera, ferrou, a tributação dos FIIs vai deixá-los uma péssima opção, partam pra renda fixa que vão ganhar mais com muito menos risco”.


Repito: não estou criticando a postura de nenhuma área específica. Um corretor de imóveis vai tentar te convencer que imóvel é “à prova de crise”, um vendedor de seguros de que o produto dele é a melhor precaução possível, etc, etc.


Eu quero que você PRESTE ATENÇÃO NO MENSAGEIRO, no que ele vende e no que ele faz. Sua análise pode estar enviesada por um viés de confirmação, já que, em regra, aquele assunto é o que ele domina e prefere crer, no fundo de seu âmago, que nenhum investimento ou produto é melhor que o seu. Diminua suas chances de comprar um Uno achando que é uns Rolls-Royce.


Abraço e bons investimentos.