terça-feira, 20 de outubro de 2020

Enfim, nômade!

Caso ainda não tenha ficado claro, meu plano pós-fire (que virou semi-fire em razão de eventos ocorridos esse ano) sempre foi virar nômade.


O plano original, traçado há cerca de 2 anos, era morar alguns meses no Uruguai e cerca de 2 anos na Europa, iniciando em dezembro de 2020.


A pandemia fechou as fronteiras para turistas e, pelas minhas pesquisas, é provável que reabram no Uruguai até o final do ano, mas com inúmeras restrições, e na Europa a perspectiva (ao menos para brasileiros) é para o segundo semestre de 2021.


Como aprendi com o bate-papo no podcast do Sr. IF365, gravado em setembro/2019, quando achava que meu planos eram sólidos, flexibilidade é o mais importante para a vida FIRE.


Mesmo com as fronteiras abertas, o câmbio do euro a praticamente R$ 7,00 deu uma bela desanimada na experiência europeia, já que o intuito era adquirir experiência da cultura local para, gostando, morar lá.


Conforme algumas comparações de custo de vida que realizei confrontando Rio e São Paulo com algumas cidades de interesse para possível moradia na Europa, para um mesmo padrão de vida lá, a cidade mais barata teria um custo 80% maior e a mais cara 160% maior, isto é, o padrão de vida com R$ 10.000,00 em São Paulo teria um custo de R$ 26.000,00 em algumas cidades européias. Viva o câmbio!


Não é que o sonho europeu tenha acabado, até porque, tão logo as fronteiras reabram, pretendo carregar a família para passar pelo menos 18 meses no velho continente, mas o fator “custo de vida” terá ainda mais peso na hora de decidir aonde estacionarmos após os próximos 30 meses na estrada.


Enfim, adotei a flexibilidade e em dezembro começará a jornada: todos os bens da família caberão dentro de um carro SUV (à exceção de poucos itens sentimentais que ficarão nas casas dos meus pais e sogros) e, oficialmente, não terei mais residência fixa. As três primeiras paradas já tem reserva feita, até meados de fevereiro/2021.


Uma dificuldade será mudar meu pensamento em definitivo para não ficar buscando trabalho quando há tempo livre (o que ainda faço atualmente) e delegar para meus parceiros tudo que surgir sem nem saber do que se trata (hoje eu faço um funil 90% das vezes). Espero que consiga e me ocupe em NÃO trabalhar não só nos primeiros dias em cada cidade (já que com turismo e guloseimas eu consigo me distrair fácil).


Prometo que seguirei atualizando o blog em tempo quase real dos lugares que eu passar e dividir um pouco das experiências, especialmente sob a ótica FIRE.


Falando em finanças, me aposento parcialmente com patrimônio abaixo do pretendido, porém com ativos de renda passiva (FIIs, FIPs e ações pagadores de dividendos) já estou conseguindo receber cerca de 60% dos gastos mensais (custo no Brasil) alocando cerca de 20% do patrimônio. O plano é dobrar ambos os números (rendimentos passivos recorrentes e alocação de patrimônio) em menos de 1 ano, de modo que a renda passiva ultrapasse as despesas mensais, ao passo que de 50 a 60% do patrimônio sirva para ganho de capital (batendo a inflação de sobra, espero) através de investimentos diversos: imóveis, investimentos no exterior, previdências e fundos multi-estratégias, nesta exata ordem de importância (frente à minha experiência em cada).


Abraços a todos!

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Cirurgia de miopia

 

Olá, pessoal!


Faz 1 mês do meu último artigo escrito “em tempo real”, o último (“inflação!) era um excerto de um livro que havia começado a escrever há uns anos e estou dando continuidade a passos de formiga.


Minha ausência tiveram algumas razões: final de agosto o mundo deu uma leve desabada com a descoberta de um tumor maligno em minha mãe. Nesses 30 dias de interregno, porém, muita coisa boa aconteceu: mamãe operou, passa bem e a chance de cura total é 99%; irmã operou, passa bem e está se recuperando conforme o esperado (a recuperação total demora alguns meses); vovó passa bem e será submetida a nova cirurgia ainda esse mês, com bom prognóstico.


Como sou adepto da filosofia do “já que estou na lama, vou dar braçada”, fiz uma cirurgia para correção de miopia e astigmatismo também em meados de setembro, ficando com a visão muuuito ruim durante os 10 dias seguintes e, desde então, venho melhorando 1% a cada dia. Ainda vejo um pouco embaçado e sem foco tanto para muito perto quanto para muito longe, mas o médico disse ser absolutamente normal e que a cicatrização total (e efetividade da cirurgia) pode levar até 90 dias para ficar 100%. Apesar de meu grau para astigmatismo ser mínimo (0,5) e de miopia relativamente pequeno (1,75), eram o suficiente para eu não ver o número de um ônibus de longe, ter de assistir filme de óculos, usar para dirigir, dentre outras atividades que não são tão rotineiras pra mim, porém, já perdi oportunidades de aproveitar a vida (ou mesmo de me ferrar) por não estar com os óculos à mão.


Falando em finanças, em razão do grau ser abaixo do mínimo que o plano de saúde é obrigado a cobrir (acho que é só de 6 graus pra cima), paguei a bagatela de R$ 400,00 de consulta + R$ 6.000,00 da cirurgia (3k por olho) + R$ 420,00 (até o momento) de remédios (4 tipos de colírios diferentes, um deles que já estou no terceiro frasco) = R$ 6.820,00. O preço de uma moto de 125c, uma bike elétrica moderninha, uma bela viagem nacional para um casal ou algo assim. Pra mim, fora um belo investimento.


Não sei se tenho um ponto a chegar com esse post, mas fica a reflexão sobre a importância de nunca deixarmos de investir em nossa saúde. Conheço gente que perde essa grana em um trade de poucos minutos, em cerveja ou delivery de comida em menos de um semestre. Eu já pesquisava/pretendia fazer essa cirurgia há mais de 10 anos e nunca fiz por falta de tempo, prioridade e muquiranice, até que percebi quão idiota era o argumento financeiro e que era só organizar um pouco o trabalho para me permitir ficar menos tempo olhando pra telas após a cirurgia (não há nenhuma restrição médica, simplesmente estava impossível pela dor que a luz causava e pela dificuldade gigantesca de leitura).


Abraços e estou voltando aos comentários dos blogs amigos!

sábado, 26 de setembro de 2020

Inflação

 

Inflação

Segundo o Banco Central do Brasil (https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/oqueinflacao), “Inflação é o aumento dos preços de bens e serviços. Ela implica diminuição do poder de compra da moeda. A inflação é medida pelos índices de preços. O Brasil tem vários índices de preços. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o índice utilizado no sistema de metas para a inflação.”

Isso afeta sua AP na medida em que seu custo de vida hoje (agora você sabe, pois fez seu orçamento) certamente será maior no futuro, aumentando gradualmente. Apesar dos 25 anos do plano Real enquanto escrevo este livro, o Brasil ainda sofre com uma inflação muito superior a de países com maior estabilidade econômica. Como exemplo, comparemos o principal índice de inflação dos Estados Unidos da América (CPI) e do Brasil (IPCA) de julho/1994 (início do plano Real) a junho de 2018:


Enquanto nos Estados Unidos, a inflação acumulada nesse período foi de 69,04%, no Brasil ela foi de incríveis 450,74%. Isso significa que, se em julho/1994 um quilo de carne custava R$ 10,00 no Brasil e US$ 10,00 nos EUA, em junho/2018 o mesmo quilo de carne custava R$ 45,07 no Brasil e US$ 16,90.

Isso também significa que, se em 1994 você precisava de R$ 2.200,00 para viver mensalmente no Brasil, em 2018 você precisaria de R$ 12.116,28 para manter o mesmo padrão de vida, isto é, em 24 anos o custo de vida aumentou 5,5074 vezes!

Pra um FIRE aposentado com 40 anos com uma TSR mensal de R$15.000,00 (seguindo a regra dos 4%), por exemplo, seguindo o histórico de inflação desde o plano real, aos 88 anos teria de ter uma renda mensal de R$ 82.611,00 para manter o mesmo poder de compra do início da aposentadoria!!!

Quanto maior o tempo de aposentadoria e a expectativa de vida, mais conservador tem de ser o FIRE pra não correr o risco de, no final da vida, quando possuirá mais despesas médicas e menos força de trabalho, ficar sem capital.

Olho na inflação!

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Chocolate

 

No último sábado estava num mercadinho de bairro comprando algumas poucas coisas frescas (que não seriam possíveis comprar online) e, terminando de passar os itens no caixa, observei um menino por volta dos 12 anos feliz pegando uma barra de chocolate e perguntando pra caixa ao lado quanto custava. Com a resposta (“cinco reais”), ele desanimou e passou só o pacote de pão que tinha na mão.


Terminei de passar minhas compras, peguei e paguei a barra e, em seguida, alcancei o garoto na porta do mercado e lhe entreguei o chocolate, falando “é pra você”. Ele simplesmente não entendeu. De início, ficou desconfiado e não queria aceitar. Repeti: “eu comprei pra você, vi que você queria”. Ele continuou suspeito, mas, após olhar a caixa que lhe fez um gesto de aprovação, pegou o chocolate da minha mão e saiu saltitando. Dois segundos depois, voltou para me agradecer e saiu correndo de novo. Em mais dois segundos, voltou dizendo “depois eu vou te dar o dinheiro”, quando reiterei que era um presente e não queria de volta.


A surpresa do garoto com um ato de gentileza que não achei nada de demais me deixou um pouco pensativo.


Três dias depois, eu estava passeando com meus cachorros nas proximidades do mercadinho e, eis que sai de uma casa o mesmo garoto. Surpreso ao me ver, me deu boa tarde e saiu correndo de volta pra casa gritando “Mããããe, preciso de 5 reais pra pagar o moço!”. A mãe saiu pela porta de casa também e me perguntou “Foi você quem emprestou 5 reais pra ele?”, quando disse que “Não, eu só dei um chocolate pra ele, não quero nada de volta!!!”. Pela milésima vez, o menino agradeceu, além de a mãe também ter agradecido, aparentemente incrédula com um ato tão simples.


Não posso dizer que sou filantropo, apesar de fazer doações mensais em dinheiro a instituições que acredito, além de algumas doações esporádicas de itens que não uso mais em casa ou mesmo quando chega um pedido de ajuda. Com alguma frequência pago alguma coisa pra alguém que vejo que precisa, mesmo que seja apenas para alegrar seu dia (independentemente de ser uma necessidade financeira), todavia, fiquei instigado com a atitude do garoto dessa semana.


Tenho a impressão que o menino nunca havia recebido na vida uma gentileza de um desconhecido e, pelo olhar que me deu em nosso breve reencontro (fiquei até surpreso de ele me reconhecer tão rapidamente, já que eu estava com roupas e máscara bem diferentes), ficou nítido que um simples chocolate o ensinou que a vida não é só uma troca de favores.


Fico feliz que a maioria da comunidade FIRE possui senso colaborativo, disseminando conhecimento de forma gratuita e ajudando muitos “meninos” a, futuramente, comprarem chocolates.


Abraço

sábado, 5 de setembro de 2020

O Trainee

 

Você já tomou alguma decisão que mudaria sua vida para sempre?


O ano era 2007 e eu me formaria no final do ano. Trabalhando já como celetista no mundo corporativo (consegui efetivação no estágio), ainda acreditava que o “caminho natural” era ter um emprego, ser promovido e aposentar após algumas décadas.


Apesar de trabalhar numa empresa atuante em todo o Brasil, ela não tinha um plano de carreira bem definido e, após 2 promoções, o horizonte seria crescer mais só se alguém se aposentasse ou fosse demitido. Assim, pelo menos na época, a grande menina dos olhos do mundo corporativo era ingressar em um programa de trainee, pois muitas grandes empresas contratavam seus futuros executivos através deles (havendo intervalo somente entre 1 ano antes de formar e até 2 anos de formado para a maioria dos programas). Sempre desejei ter meu próprio negócio e sabia que, assim, poderia ter ganhos ilimitados, porém as políticas de remuneração e crescimento de carreira dos programas de trainee eram sedutoras para um jovem adulto que buscava independência.


Inscrevi-me em alguns programas e, após provas, dinâmicas de grupo e entrevistas, passei no programa da detentora das marcas Brastemp e Consul. Sempre soube que a vaga concorrida era para São Paulo, que não era minha cidade natal ou de residência, mas havia viabilidade de deslocamento por ônibus ou avião sempre que quisesse visitar família e amigos. Praticamente com tudo acertado, recebi uma ligação que dizia: “Veja, estamos transferindo o departamento que você será alocado para Joinville e você irá trabalhar lá”.


A notícia me impactou. Se, por um lado, eu iria ganhar 3x o salário que tinha mais benefícios, mais independência e um plano de carreira, por outro, estaria distante de tudo e todos, numa cidade com dificuldade de acesso bem maior que alguma capital e dificuldade de recolocação no mercado se algo desse errado. Ir para tão longe também faria eu renunciar a projetos paralelos que tinha em mente e, possivelmente, terminar o relacionamento que tinha na época.


Resumo do fim da história: conversei com minha chefe, ela me deu um aumento (no mesmo cargo), três meses depois fui promovido, 6 meses depois pedi demissão para trabalhar em outro local, fui demitido após 3 meses no novo local e, em seguida, 6 meses depois de formado, estava trabalhando por conta própria, o que segue até a presente data.


Às vezes penso: e se eu tivesse aceitado a vaga em Joinville? Talvez hoje eu fosse gerente de alguma área, talvez tivesse um baita salário fixo mais benefícios, talvez tivesse casado com uma bela sulista e teria tido uma vida muito mais pacata do que numa capital, talvez eu tivesse sido transferido pra São Paulo pouco após, talvez o crescimento na empresa pudesse me catapultar a voos mais altos no mundo corporativo. Fatalmente minha vida teria sido totalmente diferente e, provavelmente, hoje eu não pudesse declarar FIRE ou sequer teria mentalidade para desejar isso.


Penso na questão sem arrependimento, pois acho que tomei a melhor decisão. Não foi uma decisão do tipo “se eu não tivesse me atrasado, não teria encontrado a mulher da minha vida”; era um evento certo e determinado que só cabia a meu ser racional decidir. Não havia certo ou errado racionalmente, então segui o coração.


E você, leitor, já tomou alguma decisão que poderia ter mudado o rumo da sua vida? Conte sua história nos comentários.


Abraços

sábado, 29 de agosto de 2020

Problemas

 

Todo mundo tem problemas. Li recentemente em algum lugar que existem dois tipos de problema: os resolvidos com dinheiro e os que o dinheiro não resolve.


Há quem diga que pobre não sofre depressão, não se preocupa com questões existenciais, dentre outros, que é frescura de rico. Não bastasse ser uma falácia, de fato é muito mais difícil pensar no sentido da vida quando não se sabe se haverá comida na mesa na semana seguinte, como irá pagar os boletos que estão pra vencer, se haverá grana para pagar o aluguel, se será possível costurar a mesma camisa velha pela quarta vez…


Enfim, há problemas maiores que outros, porém qualquer um é suficiente para tirar um pouco a paz de espírito. E 2020 veio pra tentar tirar a minha.


Após passar um gostoso carnaval em família, celebrar a cura de um câncer em minha querida avó, fazer uma excelente viagem para Bonito e mudar de casa, abandonando uma mansão extremamente trabalhosa de manter em prol de um apartamento bastante pacato (vide https://www.aposentecedo.com/2020/06/maximalismo-da-quitinete-mansao.html), veio a quarentena. Em que pese apreciar muito fazer passeios naturais e comer em restaurantes, a quarentena em si não era um grande problema, já que adoto o home office em tempo integral há cerca de 6 anos e a tempo parcial há mais de 10 anos.


Estava eu feliz em minha jornada e já vendo a linha de chegada da aposentadoria antecipada. Com a crise econômica do COVID-19 veio o combo perfeito para me fazer descer de onde estava: queda nominal do patrimônio + queda dos juros de renda fixa + queda dos rendimentos de investimentos + queda da renda ativa + disparada do câmbio. O cenário perfeito para frustrar todos os planos que teriam início em 2021.


Por algumas semanas, talvez meses, fiquei num local sombrio, tomando longos banhos e refletindo como tudo poderia estar dando errado. Além do desânimo, qualquer intempérie era motivo de alta irritação. Ao final de julho encerrei o estabelecimento que tinha, tornando meu trabalho ativo exclusivamente virtual, rediscuti uma sociedade que tinha e acabei com responsabilidades trabalhistas, locatícias, dentre muitas outras. Foi uma bela guinada, somada à melhora da conjuntura econômica, para que o céu voltasse a abrir.


Pouco após, porém faleceu a avó da Sra. AC. Apesar da avançada idade, era muito querida e a Sra. AC ficou bastante abalada por algumas semanas.


O pai da Sra. AC também teve uma complicação nos rins e foi submetido a cirurgia (agora passa bem!).


Meu padastro ficou desempregado logo antes da quarentena e não há nem previsão de conseguir uma recolocação. Ainda falta uma década pra ele conseguir se aposentar pela via tradicional e nem de longe conseguiria aposentar via IF.


Minha irmã, apenas 3 anos mais velha que eu, lutava contra um súbito problema no cérebro (surgido em abril) e, apesar dos tratamentos que a deixam adormecida ou dopada 14h por dia, terá que realizar uma cirurgia nesta área tão delicada. Não bastasse o transtorno por si só, nossa mãe, que já é a responsável por sustentar a própria casa em todos os aspectos possíveis, assumiu o papel de babá da filha da minha irmã, que tem menos de 1 ano, e cozinheira em tempo integral da casa dela, já que meu cunhado precisa trabalhar praticamente por dois, considerando que a emenda da licença-maternidade com licença médica por tempo indeterminado de minha irmã provavelmente acarretará no seu desligamento da empresa quando voltar (além da queda da remuneração no período de licença, dado o limite do INSS).


Minha avó curada do câncer no início do ano, descobriu tumores em outra parte do corpo e reiniciou o sacrificante tratamento.


Mesmo com tudo isso acontecendo, continuava buscando o autodesenvolvimento e procurando motivos para sorrir, ao invés de fatos para lamentar. Venci o auto desafio de falar e pensar menos em dinheiro e vinha, junto com a Sra. AC, aplicando uma bela rotina, tornando nossos dias cada vez melhores.



Agora mamãe também descobriu um câncer e terá que realizar cirurgia e tratamento. O pilar da família começou a ruir e precisa de reparos.


Nessas horas, TSR, FIRE, DY, B3, ETF ou qualquer outra sopa de letrinha não faz a menor diferença na vida. Alguns problemas não são resolvidos apenas jogando dinheiro em cima.


Quem me conhece sabe que não sou de reclamar e é difícil transformar um problema em tema central da vida.


Não sei como será o futuro próximo após o término do tratamento de mamãe, vovó e irmã. Não sei o quanto poderão precisar de suporte emocional, presencial ou financeiro. Em paralelo, pensando na família que eu criei, dá vontade até de acelerar os planos pós-Fire, já que amanhã o problema pode ser comigo, com a Sra. AC ou com o ACzinho. Ao mesmo tempo, a quarentena não permite acelerar plano nenhum, quiçá manter o cronograma pensado há tempos, diante de fronteiras fechadas.


Não sei, sei lá. Só vivendo um dia após o outro. Vou tentar manter a cabeça em pé, a chama dos olhos acesa e o coração aberto para o que o destino que eu não posso criar me traga.


Abraços e saúde a todos.


PS: peço desculpas aos amigos da finansfera, pois não tenho conseguido acompanhar muitos em razão de reflexões sobre outros assuntos da vida que venho priorizando. Mesmo que meu comentário não esteja no seu post, tenha certeza que nunca deixarei de torcer pelo seu sucesso e agradecer por gastar seu tempo compartilhando conhecimento gratuito e de qualidade.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Rotina dos campeões

 

Aproveitei a semana para me aprofundar em um tema que já vinha lendo e escutando nos últimos meses: como aprimorar a saúde do corpo e da mente.


Após ler alguns livros, ouvir resumos e ler blogs/newsletter sobre o tema, faço aqui um resumo de rotina apontado pela esmagadora maioria dos gurus:


- Acorde cedo, sempre antes das 8h e, se possível, antes das 6h;


- Logo ao acordar, ainda em jejum, faça exercícios físicos moderados, leia (ou escute um podcast/video), escreva seus objetivos para o dia e/ou algo que te incomoda e medite.


- O tempo de duração de cada atividade é indiferente. O importante é fazer. Melhor fazer 3 minutos de meditação, 5 minutos de exercício, ler uma única página de um livro e escrever um só objetivo do que deixar de fazer tudo porque “não tem tempo”. A duração total ideal, todavia, seria de 60 a 90 minutos dedicados às atividades mencionadas.


- Tenha consistência. Não pule dias e, se preciso, mantenha um diário dessas atividades ou use um app que lembre você de praticá-las.


- Coma comidas naturais, preferencialmente vegetarianas, e evite alimentos processados/embalados.


- Procure fazer algo bondoso a pelo menos uma pessoa por dia. Dar atenção a quem precisa, um gesto de civilidade, etc.


- Antes de dormir, medite mais alguns minutos e reflita sobre gratidão a tudo que tem.


Há milhares e milhares de páginas escritas por aí esmiuçando o que resumi acima. Alguns autores pegam essa base e usam como gancho para aprimorar suas habilidades financeiras, de estudos, de relacionamento amorosos, de melhorar sua carreira, de ser inovador ou disruptivo e qualquer outro campo da vida ou da moda.


Fazer as atividades é fácil e demanda somente um pouco de sua determinação. Venho experimentando e, mesmo que você não tenha um objetivo ligado à rotina (trabalho, dinheiro, casamento), sem dúvidas uma rotina te tornará uma pessoa melhor e mais consciente. Como o tema do blog é aposentadoria antecipada e independência financeira, esta rotina poderá lhe ajudar em ambos os objetivos e também a desfrutá-los após conquistados.


Aos iniciantes, recomendo praticarem 15 a 20 minutos para todas as atividades e irem aumentando aos poucos. No Youtube é possível achar inúmeros vídeos de “rotina de exercícios de 5/10/15/20/30/60 minutos sem equipamentos”, “meditação guiada”, “exercício de gratidão”, “como acordar cedo” e o que mais você não tiver ideia por onde começar.


Para aprofundamento, recomendo fortemente o livro Ferramenta dos Titãs (Tim Ferris), 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes e a newsletter gratuita Empty Your Cup. Também tenho escutado muito o ResumoCast (podcast de resumo e debate de livros – dica: assisto/ouço no Youtube em velocidade 1,5x). Se tiver dicas de conteúdos que você acompanha, deixe nos comentários que irei adorar conhecer.


Abraço

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Desafio: mulher, trabalho e dinheiro

Esses três assuntos dominaram minha vida.


Dos 12 aos 19 anos eu só pensava em mulher. 24h. Prioridade absoluta, trocava qualquer atividade por uns beijinhos. Ter dinheiro, praticar esportes, trabalhar… tudo era encarado como um meio para ter mais e melhores mulheres.


Dos 20 aos 28 anos eu só pensava em trabalho. Não deixei de gostar de mulher, mas o trabalho inundou minha vida. Apesar de ter começado a trabalhar com 16 anos, até os 20 anos eu não pensava o dia inteiro em um plano de carreira, em empreender, em aprimorar minhas habilidades para que eu conseguisse ser cada vez mais produtivo e trabalhar mais. Dinheiro era uma consequência e trabalho era o meio.


A partir dos 29 anos, ainda pensando em mulher e trabalho, dinheiro passou a ser o foco e permanece sendo até hoje. Não há um dia sequer que não pense em dinheiro, na falta que ele poderá fazer (felizmente não faz e nunca fez a ponto de causar infelicidade eudaimônica), no quanto poderia ter mais, de que forma poderia fazer mais dinheiro, quais tipos de serviço diferenciado eu poderia prestar, que produtos poderia vender…


Na fase adolescente, qualquer companheiro de caça pode ser seu amigo. No início da fase adulta, repare bem que a maioria dos seus “amigos” passam a ser colegas de trabalho (“amigos” entre aspas não porque sejam falsos, mas porque se perde contato com quase a totalidade em uma mudança de empresa). Depois dos 30, seus amigos passam a ser aqueles que sobraram firmes e fortes das fases anteriores, fica cada vez mais difícil fazer novos amigos porque a maioria das pessoas a essa altura já saíram da casa dos pais, tem filhos, casaram ou simplesmente assumiram mais responsabilidades na vida.


Às vezes a mudança no foco do pensamento vem naturalmente, às vezes não. E, quando não vem, é hora de você agir para mudar.


Ainda penso muito em trabalho e mulher, mas o dinheiro predomina. Claro que minha cabeça é ocupada também por outras coisas: família, espiritualidade, amigos, saúde, lazer, aprendizados novos, viagens. Só que tudo começa a ficar “chato” depois de tanto tempo predominando na cabeça.


Não sou religioso, mas encaro o casamento como uma instituição, não somente um contrato social. Se optei pela monogamia, não faz sentido pensar em mulher o dia todo. Mesmo achando minha esposa muito atraente, não daria pra pensar só nela se o tema “mulher” predominasse na cabeça. Assim, faço um esforço voluntário e constante para evitar o assunto: não tenho redes sociais (especialmente Instagram), evito estar em locais que eu saiba que piriguetes estarão circulando (ex: barzinho da moda, porta de boate), evito pornografia, evito falar com amigos solteiros sobre a vida social deles, evito falar com amigos casados sobre a vida extraoficial deles. Os estímulos visuais ou auditivos de histórias picantes só causam temporário e equivocado desejo de fazer algo errado. É como estar de dieta e ter um pote de Haagen Dazs na geladeira. Tem que ser forte demais pra ir contra o impulso e, se perder pra ele, provavelmente a história não acaba bem.


Com o trabalho é o mesmo: quanto mais você trabalha, mais seu chefe, colegas e clientes elogiam. Você então busca ser mais produtivo, o que significa fazer mais coisa em menos tempo, todavia, você não usa o tempo “livre” para outras coisas, apenas para conseguir trabalhar mais. Ter reconhecimento, ser promovido, empreender, crescer seu empreendimento, aprender novas atividades laborais… não é difícil entrar na espiral de acordar-trabalhar-dormir. Consegui sair dessa espiral a muito custo e ainda tenho recaídas, chegando a ter discussões domésticas porque “eu preciso trabalhar”, quando na verdade estou apenas antecipando assuntos adiáveis ou criando novos trabalhos que poderão render frutos ainda hipotéticos. Felizmente consigo vencer o impulso workaholic na maior parte das vezes.


Agora é hora da batalha contra o dinheiro. Depois de mulher e trabalho, o foco ficou no dinheiro. Inicialmente, o dinheiro para luxos (diferente de desperdícios) e viagens; depois o dinheiro pelo dinheiro, juntar mais e mais; depois o dinheiro como um meio, para um objetivo maior (aposentar cedo).


Sem perceber, um simples passeio começa a envolver cálculo do combustível, do restaurante, do preço de custo que o restaurante deve ter, do quanto de energia vital estou trocando por aquela atividade, do custo disso em dólar, do percentual que isso impactará no orçamento doméstico ao fechar o mês, nas milhas do cartão que irei acumular, no que irei fazer no próximo lazer para que seja de graça ou barato para compensar esse mais dispendioso…


A conversa com familiares e amigos em algum momento sempre chega no assunto dinheiro. Como ter menos posses e gastar menos, money hacks para programas de pontuação e de descontos, como ganhar mais, análises informais e superficiais do que o interlocutor está fazendo com a grana dele, o contrato de financiamento do imóvel, do carro que comprou, da roupa de marca que pagou o triplo do preço de uma sem grife, “como assim você não sabe o que é FII”, “Deus amado! Você nem conta em corretora tem”. Invariavelmente, alguém vai de tachar de milionário, ganancioso ou só chato mesmo.

Passo boa parte do tempo livre lendo blogs, vendo vídeos ou ouvindo podcasts sobre FIRE ou finanças. Abro a conta na(s) corretora(s) muito mais vezes que o necessário. Aguardo ansioso o dia 1 de cada mês para fazer o fechamento mensal de patrimônio. Estudo novas fórmulas para aumentar a renda passiva, diminuir o trabalho ativo, gerar novas fontes de renda.


Assim, dia após dia, só penso em dinheiro.


Vou lançar publicamente um desafio (já que dizem que um compromisso público tem mais chance de ser cumprido): ficarei 10 dias sem consumir nenhum conteúdo voltado a finanças ou universo FIRE. Comprometo-me também a não gastar mais de 10 minutos por dia no site da minha corretora. Fazer o aporte do dia (agora eu faço aportes diários, estratégia recentemente adotada) e fechar o site. Farei o maior esforço possível para não abordar o assunto “dinheiro/aposentadoria” com ninguém.


Dez dias podem parecer pouco, mas não me recordo a última vez que fiquei tanto tempo sem pensar em mufufa. Farei um brevíssimo diário durante o período.


O próximo post será o resultado dessa breve experiência, que pretendo repetir com prazos maiores. Quem sabe eu não repare mais no formato das nuvens, dê mais atenção a alguma casualidade que minha esposa comente, brinque com meu filho com maior imersão, sinta mais o cheiro das flores enquanto passeio com os cachorros (ao invés de ouvir podcast).


Todos nós sabemos que dinheiro é meio, não fim; que é mais importante saber ser feliz com menos do que se preocupar em ganhar mais e mais; que a corrida dos ratos pode ser vencida; que podemos sair da Matrix.


Será que nós, da comunidade FIRE, não estamos criando nossa própria matrix sem nos darmos conta?


Desafio os leitores que façam algo semelhante e depois postem o resultado nos comentários ou no próprio blog, caso tenham (mas não esqueçam de avisar aqui pra eu saber!). Reconheçam o pensamento que mais habita suas cabeças e tentem nem pensar no assunto por alguns dias.


Abraços e ocupem suas mentes com VIDA.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Já sou Fire?! Ignore rótulos.

Como os mais atentos já notaram, sou pai de família e tenho dois dependentes (esposa e filho). Esse é um ponto de grande receio no meu planejamento após aposentadoria precoce. Se ainda fosse solteiro, certamente já estaria independente financeiramente e já poderia estar aposentado há mais de um ano.

Há muitos anos não sou empregado. Montei dois negócios (atividades diferentes), dos quais hoje tenho sócios, porém passei a maior parte da vida profissional atuando sozinho. Meu planejamento sempre foi sair dos negócios “vendendo” minha parte da sociedade para os demais sócios não em valor financeiro imediato (buy out), mas sim ficando com uma pequena participação vitalícia nos lucros dos negócios, sem ter responsabilidade sobre os mesmos. Seria uma forma de retribuir todos os meus esforços na criação e desenvolvimento das empresas (o que é reconhecido pelos meus sócios ).

Dois grandes problemas surgiram com a crise do Covid-19: um deles foi que o meu único sócio no empreendimento mais antigo mostrou-se sem qualquer proatividade em buscar melhorias na empresa no primeiro momento desfavorável que passamos. Isso me deixou extremamente receoso de passar o leme para ele conduzir o barco sozinho, uma vez que eu aposentasse. Outra questão é que, não bastasse o baque financeiro gerado pela crise do covid - que ainda terá reflexo a curto e médio prazos - o câmbio tornou-se ainda mais desfavorável para o real brasileiro e a parte inicial (dois primeiros anos) da minha jornada após aposentadoria é integralmente fora do Brasil.

Todos os fatores acima (dependentes financeiros, câmbio desfavorável, patrimônio menor do que o esperado a esta altura) me fizeram chegar à conclusão de que viver exclusivamente de renda passiva, apesar de possível com o que já acumulei, seria extremamente arriscado e me causaria limitações psicológicas e financeiras que prejudicariam mais o meu cotidiano do que eventual estresse causado por um trabalho parcial.

Diante de todos esses cenários, após muita reflexão, descobri que a melhor equação será eu me tornar um misto de Coast Fire e Barista Fire, ou seja, apesar de estar financeiramente independente, continuarei trabalhando a tempo parcial em ambos os meus negócios, gerando renda ativa, porém limitando drasticamente minhas horas de trabalho (pretendo que sejam no máximo 20 horas por semana). Com essa renda ativa, mesmo inferior à atual, conseguirei pagar pelo menos 60% das minhas despesas após aposentadoria, podendo até ultrapassar os 100% em determinados meses e até mesmo conseguir realizar novos aportes com a renda ativa, na medida em que ambos os negócios possuem faturamento altamente variável.

Assim, basicamente meu plano será viver primariamente da renda ativa de um trabalho que passará a ser menos presente no meu cotidiano e, em segundo plano, utilizarei a renda passiva dos investimentos para cobertura de minhas despesas. Evidente que, à medida que o patrimônio e a renda passiva se tornem excedentes o suficiente para me darem conforto e segurança de pagamento de todo o orçamento doméstico, irei reduzindo o trabalho ativo até sua supressão total.

Vale lembrar que, diferentemente de grande parte da comunidade Fire, eu não odeio meus trabalhos, mesmo havendo regulares aborrecimentos em ambos, que são compensados com a remuneração.

O mais curioso é que, escrevendo este artigo, percebi que hoje já posso me considerar Fire, pois desde meados de março, por causa do covid-19, consegui diminuir drasticamente minha jornada de trabalho, beirado 20 a 30 horas semanais em horários flexíveis e com a liberdade workaholic ser mais forte do que eu e dificilmente permitir mais de um dia útil sem ligar o computador).

Na última semana comecei minha ressocialização após uma quarentena bastante estrita até então e, daqui para frente, será o teste de fogo para saber se de fato já posso me considerar um Fire, o que, no meu sentimento, significa não deixar de fazer absolutamente nada do que gostaria por causa de trabalho (RE) e de falta de dinheiro (FI).

Sei que muitos podem criticar dizendo que isso tudo que escrevi não é ser Fire, que eu não sou Fire porque vou continuar trabalhando (mesmo a tempo parcial), blá, blá, blá. Podem pensar o que quiser. A meu favor, tenho a filosofia de vida aplicada, o pensamento consolidado livre das algemas de ouro e da corrida dos Ratos, e a independência financeira (que só não exercerei em sua plenitude desde já por todos os receios acima mencionados).

 

Abraço a todos e vivam suas vidas sem rótulos.