sábado, 28 de março de 2020

Sem tempo pra crise


Mais de 1 mês sem postar e só me dei conta agora!

Explico: viajei no carnaval para a casa dos sogros em outro Estado, consumindo a alegria em família e explorando blogs Fires que não conhecia.

Voltando do Carnaval, tive 3 dias para organizar algumas coisas de trabalho e parti 7 dias para uma viagem para Bonito/MS, lugar incrível! Vale a visita de todos vocês. Com atividades praticamente 24h e com criança pra cuidar, não me sobrou tempo algum.

Retornando de Bonito, tive 5 dias para organizar uma mudança de residência e bairro, saindo de uma casa imensa (mais de 400m²) para um apartamento de 80m². Dá pra imaginar a quantidade de coisas que “tive” de vender e doar. “Tive” porque a mudança faz parte de um plano maior que engloba a decretação de FIRE ao final desse ano e partir rumo a uma jornada internacional tendo como bens somente roupas e brinquedos que couberem em ATÉ 3 malas de 32kg. Minha esposa teve a sábia decisão de anteciparmos esse processo em grande parte e alugamos o apartamento atual por uma temporada de 9 meses.

Além de todo o trabalho da mudança (e trabalho rolando como pano de fundo), ainda tive alguns imprevistos como ficar sem gás nem internet por 4 dias, ter de fazer um razoável reparo elétrico no apartamento novo (queimaram 2 eletrodomésticos meus por falha da rede), dentre outros pormenores (furar parede, arrumar a mudança, etc, etc).

Eis que chegou a quarentena.

Iniciou-se então a correria para ter suprimentos para, pelo menos, 3 semanas. 

Recebi a notícia de que, por fatores externos inerentes à quarentena, ficarei praticamente sem renda até o final de ABRIL.

Domingo passado fiz uma breve consulta a meus investimentos e, tanto no exterior quanto aqui, houve uma expressiva redução de patrimônio. Fechei rápido e “me dei” até 01/04 para fazer o tradicional balanço e ver se tenho algum ganho no período.

Passei a semana estudando e operando na bolsa, coisa que não fazia há anos, especialmente em trades curtos e, felizmente, me dei razoavelmente bem, principalmente ao considerar que só operei com conta margem, isto é, não tenho 1 real na conta da corretora efetivamente e fiz somente Day-Trades ou usei a margem em até D+2.

Zerei o resto de trabalho pendente que tinha, diante da suspensão decretada até 30/04.

Assim, somente hoje que consegui respirar e enxergar: a crise chegou. Durante a semana recebi um contato do Sr. IF 365 para falar como estou lidando com a crise, visto que já participei de um podcast no blog dele, porém nem soube responder por tudo que expus acima.

Isso tudo é só pra dizer que o blog não morreu e em breve haverão atualizações, mas até agora a vida real não tinha dado espaço à virtual.

FIQUEM EM CASA e saúde a todos. Lembremos do que é mais importante neste momento.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O que te move a ser FIRE?


O trabalho do AC é regional. Se ele mudar pra uma cidade a mais de 100km de distância (e precisar trabalhar), terá que reiniciar do zero sua carteira de clientes ou voltar a ser empregado (o que não deseja, pois não é empregado há mais de 10 anos).

O que move o AC a ser FIRE é poder ser livre para morar aonde quiser. O desejo, até o momento, é morar em algum país da União Europeia pra utilizar como “base” e ter oportunidade de fazer diversas viagens low cost por países da Europa, norte da África e Ásia. Tudo isso com tempo livre pra dar mais atenção à família, tocar música (o AC arranha uns instrumentos), aprender novos idiomas (AC é metido a poliglota) e novas habilidades.

No longo prazo, se a vida FIRE demonstrar, após uns 10 ou 15 anos, que haverá saldo financeiro de sobra para a vida, o desejo do AC é fazer doações cada vez mais robustas para pessoas queridas e necessitadas e instituições sérias do Brasil (hoje isso já acontece, mas em valores bem pouco expressivos diante do patrimônio do AC).

Quais suas motivações para ser FIRE? Deixe aí nos comentários.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

A forma mais fácil de ser FIRE (seu tio é FIRE e você não sabia)

Talvez você nunca tenha se ligado, como eu não tinha até hoje. Você provavelmente tem um parente ou algum conhecido FIRE sem que ele mesmo saiba que é FIRE.

O conceito básico de FIRE é: ter dinheiro para se manter sem precisar trabalhar e se aposentar "cedo". Por "cedo", a interpretação mais comum é "antes da média". Considerando que o brasileiro se aposenta por volta dos 65 anos, acho justo dizer que se aposentar com 59 anos ou menos é "cedo".

TODO trabalhador que atua em ambiente insalubre ou perigoso recebe adicional de insalubridade ou periculosidade, tendo como benefício a aposentadoria especial com 25, 20 ou apenas 15 anos de serviço (de acordo com o grau de insalubridade ou periculosidade do ambiente de trabalho). Essa regra está na CLT e visa compensar o desgaste na saúde do trabalhador ao longo da carreira e evitar maiores danos.


Como há graus diferentes de exposição ao perigo ou ambiente insalubre, em casos mais agudos é possível se aposentar com somente 20 ou 15 anos de contribuição! Fonte oficial do INSS:
https://www.inss.gov.br/beneficios/aposentadoria-especial-por-tempo-de-contribuicao/


Eu mesmo tenho um tio que trabalhou a vida toda numa usina e se aposentou aos 46 anos - e eu nunca tinha me tocado que ele era FIRE. Ele chegou a trabalhar como "consultor" durante uns 3 anos após aposentar, mas depois parou de vez e vive sua vida tranquila e feliz, com aposentadoria somada do INSS e a complementar/privada que a empresa oferecia.

Não é uma equação muito difícil. A nossa geração viu o boom da área petroleira, por exemplo, e muitos mudaram de profissão ou fizeram cursos técnicos para trabalharem "embarcado" - e todo trabalhador embarcado recebe adicional de periculosidade.

 Fica a dica pro leitor ainda jovem ou que está pensando em mudar de carreira: se especializar em uma atividade que receba um dos adicionais mencionados é um dos caminhos para atingir, pelo menos, a aposentadoria precoce.

Abraços

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Carteira do Aposente Cedo - 01/02/2020


Sem muitas delongas, vamos à carteira do Aposente Cedo, tão pedida nos comentários de posts anteriores:

Patrimônio atualizado 01/02/2020

R$ 35.166,43 – colchão de segurança em conta bancária 100% CDI
R$ 114.724,12 (US$ 26.804,70) – bonds nos EUA
R$ 477.232,63 (US$ 111.502,95) – fundos multimercados nos EUA
R$ 115.688,40 (US$ 27.030,00) – REITs
R$ 53.191,30 – debêntures
R$ 900,55 – ações (costumo fazer swing trade e só tinha isso de posição na data)
R$ 918.408,68 – fundos multimercados
R$ 33.933,24 – COE
R$ 31.302,14 – renda fixa privada pré-fixada
R$ 427.924,12 – FIIs
R$ 804.590,20 – fundo D+1 rendimento 120% CDI para oportunidades rápidas de negócios (imóveis ou ações)
R$ 408.042,62 – previdências privadas (soma das duas)
R$ 40.000,00 – valor estimado do veículo
R$ 40.000,00 – empréstimos feitos a terceiros
R$ 1.425.500,00 – imóveis (valor estimado de venda)
TOTAL: R$ 4.926.604,42

TSR 4%: R$ 16.422,01/mês

Curiosamente, o valor da carteira diminuiu devido a gastos assombrosos em dezembro e janeiro (viagens), absolutamente incompatíveis com a jornada FIRE, porém de grande valor pessoal.

Abraços a todos e rumo à RE, pois a FI já chegou se baixar pouca coisa no padrão de vida.

sábado, 25 de janeiro de 2020

Noronha, Príncipe Harry e como NÃO ser FIRE


O Sr. IF 365, que gosto muito e admiro, há pouco postou divagações sobre o Príncipe Harry e sua saída da família real, que estaria abrindo mão da independência financeira (veja https://www.srif365.com/post/o-conto-de-fadas-da-independ%C3%AAncia-financeira-%C3%A0s-avessas). Ouso discordar. O príncipe possui patrimônio pessoal de 30 milhões de dólares, quantia suficiente para ser muito difícil gastar em uma só vida, mesmo fazendo grande esforço.

Traçando um paralelo mais próximo de como NÃO ser FIRE, hoje li a notícia da morte de Sérgio Noronha, ex-comentarista de futebol da Globo que quase todo mundo com mais de 25 anos deve ser recordar:

Achei extremamente curioso ler que ele estava morando no Retiro dos Artistas. O que houve com a grana dele?

Destaco os seguintes trechos da matéria:

“(...)ouviu de Lena, funcionária dele”; “perambulou meio sem rumo por Ipanema, bairro onde morava no Rio”; “morreu, vítima de uma parada cardíaca, aos 87 anos”; “levar o jornalista ao Retiro dos Artistas, onde vive sob cuidados de 2018 a janeiro de 2020”; “Eu reformei a casa toda, com ar condicionado, geladeira. Aí todo mês eu ajudo, ele não tem família para ajudar’, contou Arnaldo em julho de 2019”;
 A aparição dos problemas de saúde coincidiu com o agravamento da situação financeira. Sérgio Noronha não contava com nenhum familiar próximo”;
"Ele se aposentou com aquele 'salariozinho'. Vendeu um apartamento na Barra, e o gerente do banco falou o seguinte: 'Aplica o dinheiro, mais o dinheiro da aposentadoria e você vai vivendo'. Só que ele morava em Ipanema, num apartamento alugado, e o dinheiro do banco acabou", contou Arnaldo Cezar Coelho. "O Sergio adorava Ipanema, o negócio dele era Ipanema. Ele não queria saber de Barra da Tijuca. Então, não é que ele tenha perdido. O Sérgio deixou de ter as coisas ao longo da vida, porque ele gostava de sair, de frequentar bons lugares, de se vestir muito bem. Ele não teve muito cuidado com investimento

Deu pra sacar, não é? Noronha foi jornalista a vida toda e, por anos, funcionário do Grupo Globo, onde certamente ganhava bem acima da média da população, entretanto, não se preocupou em criar reserva financeira para sua aposentadoria e fazia questão de morar em um dos bairros mais caros do Rio de Janeiro, levando um estilo de vida que não poderia comportar por longos anos. Se morresse cedo, não teria passado maiores problemas, mas não escolhemos (ou não deveríamos escolher) quando morrer.

Apesar do patrimônio razoável que em algum momento teve, nos últimos anos de vida Noronha morou num asilo de baixo padrão (pesquise mais sobre o Retiro dos Artistas) e contando com a ajuda de amigos, situação agravada por estar doente.

Entendo que é difícil ao trabalhador médio brasileiro ser FIRE, pois dependeria de grandes abdicações e a escolha de um padrão de vida bastante baixo para que seu patrimônio ao declarar IF seja perpétuo, todavia, para uma pessoa como Sérgio Noronha, ser IF o resto da vida seria algo de extrema facilidade, com um mínimo de orientação correta e consciência do estilo de vida que deveria levar.

Mesmo que você não consiga se aposentar cedo, tenha em mente que a manutenção da independência financeira, mesmo obtida numa idade mais “normal” (entre 60 e 70 anos), depende da sua mentalidade e planejamento para que, mesmo no final da vida, você não dependa de fatores externos para sobreviver.

Noronha era uma figura querida e, pessoalmente, gostava muito de seu trabalho na TV. Desejo meus mais sinceros sentimentos à quem fosse próximo.

Abraços a todos e bons investimentos.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Qual desejo veio primeiro: independência financeira ou aposentadoria?


É fato que aposentadoria sem renda (proveniente de investimentos, governo ou previdência privada) é impossível, mas e quanto ao desejo de aposentar?

Existem pessoas de todos os tipos: os que aposentam e continuam trabalhando por necessidade; os que aposentam e continuam trabalhando para ocupar o tempo; os que são independentes financeiramente e continuam trabalhando; os que são independentes financeiramente e não fazem qualquer trabalho remunerado...

A pergunta do dia é: o que veio primeiro? A vontade de aposentar ou a vontade de ser independente financeiramente?

O AC, por exemplo, sempre pensou primeiro em aposentar. Não que ele odeie trabalhar, mas ele sempre admirou a vida de quem tem tempo para fazer o que bem der na telha. Desde seu primeiro trabalho, aos 16 anos, ele já pensava “imagina só, eu em casa, à toa”. Ironicamente, atualmente é praticamente independente financeiramente, mas continua trabalhando full time - até dezembro/2020, quando irá declarar FIRE e, ainda mais ironicamente, continuará trabalhando em seu atual trabalho secundário (que demanda cerca de 30h flexíveis e online de trabalho por mês).

A independência financeira então se tornou uma consequência da aposentadoria antecipada, e não uma causa

E você? O que você desejou primeiro?