domingo, 8 de dezembro de 2019

TRAJETÓRIA DO APOSENTE CEDO


O Aposente Cedo (ou simplesmente “AC”, vulgo “eu”) teve sua introdução à vida financeira através de mesada recebida pelos pais. Uma vez por mês, recebia algo equivalente a R$ 30,00 atualmente para comprar figurinhas, algum lanche, presentear alguém ou comprar o que estivesse com vontade. Seu irmão recebia a mesma quantia e, curiosamente, sempre gastava tudo em menos da metade de 1 mês, enquanto o AC conseguia, muitos meses, guardar parte da mesada. Ninguém havia lhe instruído isso, mas parece que já corria em suas veias o ímpeto da independência financeira.

Aos 16 anos, AC iniciou sua vida profissional trabalhando como vendedor em lojas, com salário aproximado de R$ 600,00 na época. Ainda aos 16 anos AC iniciou uma faculdade.

Aos 17 anos, AC trabalhou como promotor de festas e eventos, ganhando média de R$ 500,00 por mês. Ainda aos 17 anos, após prestar novo vestibular, AC iniciou mais uma faculdade.

Aos 18 anos, AC iniciou estágio não-remunerado e tinha uma rotina invejável (com ironia, por favor): de 7:30h às 12:30h – faculdade 1; de 13:30h às 17:30h – estágio; de 18:30h às 22:30h – faculdade 2.

Aos 19 anos, AC iniciou estágio remunerado (ufa!), seguindo sua rotina estafante. No mesmo ano foi convidado a ser efetivado em seu local de estágio (carteira assinada, benefícios e tudo mais, porém com 8h de trabalho por dia) e, após muita reflexão, escolheu priorizar aumentar sua renda (aceitou o emprego) e largou a faculdade 2 exatamente na metade do curso (seu emprego tinha relação direta com a faculdade 1). Salário aproximado de R$ 1.200,00 (já contando os benefícios que sobravam no fim do mês – se ganhava R$ 15/dia de vale-refeição, almoçava onde custava R$ 10,00).

Ainda aos 19 anos, AC iniciou investimento na então Bovespa e CDB de bancão. Fazia trade feito um louco e, naturalmente, perdeu dinheiro feito um louco, mas não parava de treidar.

A vida foi seguindo desta forma e AC foi religiosamente poupando tudo que dava, até que...
Aos 22 anos tinha patrimônio de R$ 6.300,00 e, como presente de formatura, ganhou mais cincão! Com R$ 11.300,00 na conta, pensou, pensou, pensou e... comprou um carro de R$ 11.300,00! Você deve estar se perguntando: por que o cara que já investia em bolsa, lia livro de investimentos, sabia há 6 anos o valor e o suor de cada centavo, raspou o tacho e comprou um bate-bate? Resposta: comer mais gente e ter mais conforto.

Nunca houve arrependimento da compra desse carro e é notável ressaltar que era um carro com 10 anos de uso e cerca de 180.000 km rodados, ou seja, não foi uma atitude de toda estúpida. Após 3 anos de uso intenso do carrinho e algumas batidas, o mesmo foi vendido por R$ 8.000,00 e AC ficou sem carro durante 5 anos.

Voltando à cronologia: aos 23 anos AC pediu demissão da empresa onde foi valorizado com 3 promoções em 3 anos e partiu para um trabalho com salário igual na época (cerca de R$ 2.500,00), porém sem carteira assinada ou benefícios. A razão era adquirir novos conhecimentos. Com 4 meses, AC foi demitido por incompatibilidade de gênio com seu chefe.

Desde os 22 anos, AC já havia começado a pegar alguns serviços “por fora” e, felizmente, quando foi demitido, tinha alguma renda para não passar fome. Pessoa de bom relacionamento com todos à sua volta (exceto com o chefe acima mencionado), AC sempre foi visto como bom profissional e colegas de trabalho da empresa anterior começaram a lhe indicar para um, para outro, que indicava para outro... e AC foi conseguindo aumentar gradativamente seus serviços e decretou que, a partir de então, seria autônomo.
Decisão acertada.
Hoje, aos 33 anos, AC possui sua própria empresa na área e é sócio de uma empresa em outro setor, mas esse detalhamento ficará pra outro post.

Dos 22 ao 25 anos, AC conseguiu guardar 90% de seu salário (e trabalho autônomo) e fez decisões de investimento acertadas na Bovespa, conseguindo reunir patrimônio de R$ 50.000,00 ao final desse período.

Sempre buscando independência em todos os sentidos, AC tinha como prioridade de vida ir morar sozinho. Após muitas buscas e deliberações entre comprar ou alugar um imóvel, decidiu pela compra de uma kitnet de R$ 110.000,00. AC raspara todo seu patrimônio (R$ 50.000,00), mamãe emprestara R$ 40.000,00 e um amigo emprestara (com juros) R$ 20.000,00. Decisão acertada.

A rotina própria (sem interferência da família amada que fazia barulho 24h por dia) permitiu que AC trabalhasse em média 80h por semana em seu próprio lar de magnânimos 20m². É sabido que autônomos, quanto mais trabalham, mais ganham. Em 5 meses, AC quitou a dívida com seu amigo.

Pouco mais de 1 ano de casa própria, AC ouviu fofoca de corredor de prédio que fulano havia vendido seu apartamento por 200 e poucos mil reais. Intrigado, AC pensou: e se eu tentasse vender o meu também? Paguei 110 mil e posso vender por 200 e pouco agora? Será? 3 meses depois, AC estava assinando a venda de seu apartamento por 220 mil reais. Quitou a dívida com sua mãe, pegou o saldo, somou a todo patrimônio que tinha então (27 anos – R$ 120.000,00) e comprou um apartamento um pouco maior (45m²) e precisando de obra GERAL. Pagou R$ 290.000,00. Durante os 3 meses de obra, voltou a morar com mamãe.

Após morar 5 meses no local, AC conseguiu revender o apartamento por R$ 400.000,00. Essa parada tava dando dinheiro.

Ainda aos 27, pegou a grana da venda do apartamento e comprou outro, também precisando de obra geral (60m²). Pagou R$ 490.000,00, utilizando o produto da venda do imóvel anterior e o que tinha economizado até aquele momento (cerca de R$ 130.000,00). Fez obra, foi morar no local e já anunciou a venda. 7 meses depois, vendeu por R$ 650.000,00.

Aos 28 anos, com patrimônio de cerca de R$ 850.000,00 (venda do imóvel anterior + rendimentos acumulados no período), AC estava cansado da vida nômade e comprou imóvel para “se estabelecer” por um tempo. O imóvel que se apaixonou custava quase o total de seu patrimônio (e sabia que não conseguiria revender com lucro como fez com todos os anteriores) e ficou com o dilema: comprar à vista e ficar praticamente zerado ou financiar e tentar vencer o sistema (multiplicar o valor financiado de forma a compensar os juros cobrados pelo banco)? Acertadamente, escolheu a segunda opção.

Com os R$ 560.000,00 que financiou no bancão, AC utilizou essa grana para continuar multiplicando seu patrimônio com transações imobiliárias, mas agora sem precisar ficar se mudando. Com o mercado imobiliário aquecido e seu conhecimento, AC conseguiu identificar boas oportunidades e, felizmente, teve lucros substanciais em sua esmagadora maioria. 

Devido às transações multiplicadoras, a seus rendimentos de trabalho cada vez maiores e sua disciplina em economizar e investir no mercado financeiro (precisando, de tempos em tempos, tirar tudo do mercado financeiro pra aplicar em imóveis), aos 30 anos AC tinha patrimônio de quase R$ 2.000.000,00.

Seguindo firme nos investimentos imobiliários de compra e revenda e com brutal carga de trabalho de cerca de 80h semanais, AC tinha renda mensal extremamente superior a seu padrão de vida, o que lhe permitia investir quase 80% de seus rendimentos.

Aos 33 anos, AC atingiu a marca dos 5 milhões (holy cow! Se AC tinha 2 milhas com 30 anos e tinha 5 milhas com 33, ele acumulou cerca de 1 milhão por ano!) e começou a cansar. Há muito, com seus estudos de investimentos, AC já havia decidido que buscaria independência financeira para que não precisasse mais trabalhar o mais cedo possível. Deparou-se então com a comunidade FIRE (Financial Independence, Retire Early - independência financeira e aposentadoria precoce) e teve certeza de que era isso que queria, absorvendo como esponja conteúdo de inúmeros blogs e youtubers sobre o conceito, especialmente americanos.

Ainda sem o valor-alvo para aposentadoria e sem coragem de chutar o pau da barraca, AC faz cálculos e declara: faltam 12 meses e 23 dias para a aposentadoria.

Fique ligado para acompanhar a trajetória, discutir investimentos e pensamentos sobre FIRE.

14 comentários:

  1. Primeira vez aqui!

    Parabéns pela evolução. Amealhou um patrimônio inimaginável para a maioria dos brasileiros em pouco tempo.

    Irei acompanhar seus relatos.

    Sucesso!

    Abraço.

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  2. Só não entendo por que você quer aposentar justamente quando está no auge dos ganhos financeiros.

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  3. otimo post
    nunca tinha pensado em imoveis dessa maneira
    impressionante

    abs!

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  4. Mente Investidora: obrigado pela visita, primeirão do blog.

    Anonimo: é um bom ponto, mas cada ano a mais de trabalho é um a menos de FIRE.

    Scant: obrigado! Também nunca tinha pensado, mas a vida me mostrou a oportunidade e eu só dei sequência. Abraço

    Pretendo postar 1x por semana, pessoal.

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  5. Acompanhando seu blog!!! Vou add blogroll!! Abraço

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  6. Começou o blog já sendo IF ?! Meu amigo, agora é partir pro abraço ! Parabéns !

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  7. Valeu, Gari! Te add no blogroll, gostei do seu blog.
    Vagabundo, ainda não sou IF, não pro padrão que decidi...

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    1. FATfire entao? Faz um post contando seus objetivos e porque vai esperar mais algum tempo. Sucesso!

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  8. Meu Deus Que isso AC? Sensacional a sua história, e parabéns pelo seu faro no mercado imobiliário.

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    1. Obrigado! É faro, assumir riscos e estudar o assunto. Abraço

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  9. Oi AC, muito legal sua trajetória. Adorei a parte "A rotina própria (sem interferência da família amada que fazia barulho 24h por dia) permitiu que AC trabalhasse em média 80h por semana em seu próprio lar de magnânimos 20m²." kkkkkkkkk. Muito bom!!!!

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    1. Oi Yuka! Uma honra ter você por aqui. Ajudou bastante porque nessa época eu tinha um namoro à distância. Pra quem é fiel, é um baita levante na vida profissional, já que a gente faz de tudo pra ocupar o tempo livre sem tentações! rs

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  10. Essas compras/vendas eram feitas por pessoa física ou jurídica?
    Quando se faz varias transações imobiliárias durante o ano voce automaticamente se equipara a pessoa juridica tendo que recolher pis, cofins e etc (pelo menos assim na literatura) ... gostaria como fez na prática ....

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    1. Olá IS! Muito relevante sua observação. O Regulamento de imposto de renda (RIR) foi atualizado em 2018 e limitou essa equiparação aos casos de incorporações imobiliárias, o que nunca fiz.
      De toda forma, o RIR anterior (de 1999) previa a equiparação a pessoa jurídica caso "explore, habitual e profissionalmente". Não só entendo que o termo "habitual" é bastante amplo (visto que passei alguns períodos com várias transações e outros sem nenhuma), como também nunca o fiz de forma profissional, seja por não possuir qualificação formal na área, seja por nunca ter prestado serviço a terceiro.

      Quanto à tributação, sempre recolhi o ganho de capital pelo GCAP e dentro do prazo (15% sobre o lucro). Não gosto de dar chance ao azar.
      Também já fiz a matemática e, diversas vezes, teria valido mais a pena ter feito a transação por PJ (que seria aproximadamente 4,5% sobre o valor de venda, e não 15% sobre o lucro), mas sempre toquei na PF mesmo.

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