domingo, 18 de julho de 2021

Guaraná zero


 

Ontem tive o prazer de encontrar um ouvinte do Boteco Fire, que irei chamar de João. Tendo atingido sua independência financeira, João vendeu a casa que morava no Rio de Janeiro e se mudou para Santa Catarina há poucas semanas, ainda com seu emprego (agora 100% remoto) e já com aviso de demissão programado para próximo novembro.


Marcamos uma praia em família: João, esposa e filho + família AC. Tivemos um excelente dia juntos e almoçamos no local, com um detalhe que me fez refletir ao fim do dia.


Por volta das 11h sentamos a uma mesa na areia e João pediu um guaraná zero. Às 11:30h o garçon voltou para servir outro item e João questionou sobre seu pedido, sob resposta de “ih, é mesmo”. Ao meio-dia (sim, uma hora depois) apareceu outro garçon com uma *coca* zero na mão, dizendo que não tinha guaraná. Resignado, João pediu um suco, o qual chegou em torno de 12:30h.


A curiosidade de todo o episódio foi que, apesar de ser a primeira vez, em algumas semanas, que João estava saindo e relaxando, após uma mudança de estado e tomadas de decisões importantes em sua vida pessoal e profissional, ele não reclamou em momento algum. Na 1h30min entre o pedido e a chegada de uma bebida – diferente da desejada – João não foi rude com os garçons, não comentou sobre a demora e falha de informação no serviço, não mudou em absolutamente nada sua postura, continuando a agradável conversa que tínhamos todos enquanto víamos nossos filhos brincarem.


Conheço muitas pessoas que, por muito menos, teriam estragado o momento se aborrecendo em silêncio ou cobrado efusivamente algum funcionário do restaurante (“chama o gerente!” ou “não vou pagar os 10%”). Eu mesmo, e, algum momento de minhas outras vidas, teria me exaltado; talvez o próprio João do passado teria tido outra conduta diante da mesma situação.


O fato é que João parecia indiferente à falta de seu guaraná zero e nutria sua sede com o agradável momento que estava vivendo. Com todas as possibilidades de encarar o copo meio cheio ou meio vazio; ter enchido o copo de paciência até transbordar; etc (escolha sua metáfora preferida), João notadamente agora tem um copo maior e o preenche com o que vem de dentro, não de fora. Flexibilidade, sem dúvidas, é uma das grandes chaves para uma vida leve.


Que você molde seu copo e o preencha nem sempre só com o que desejar, como também com o que a vida lhe proporcionar. No dia de ontem, João encheu com um momento – eu enchi o meu com cerveja mesmo.


Abraço

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Minhas quatro vidas

 Antes de mais nada, os encontros FIRE seguem a todo vapor nessa vida nômade. Nas últimas semanas tive o prazer de almoçar com o Soul e sua família (www.mundosoul.com.br) e tomar um chopp com Ivan Tonon (https://www.youtube.com/channel/UCwY0gQ1Dl1Y1qYsldkLoc_Q). Estou em Santa Catarina no momento e em breve estarei no RS; quem quiser bater um papo, deixe um comentário ou mande e-mail.

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Ouvindo o excelente podcast Rational Reminder, do excelente analista financeiro canadense Ben Felix, conheci Don Ezra, atuário com grandes contribuições ao setor enquanto ativo e, agora aposentado, contribuindo com a sociedade ao gerar reflexões sobre como lidar com a aposentadoria, tanto financeira quanto psicologicamente, com uma abordagem que, numa primeira análise, me pareceu muito interessante. Seu livro mais recente se chama “Life Two” (Vida Dois, em tradução livre) e um “livro auxiliar” ao mesmo é disponibilizado gratuitamente neste link.


Ainda estou caminhando na leitura acima, porém já me fez refletir sobre a quantidade de “vidas” que temos ao longo de nossa existência. O autor divide a existência dele em duas vidas: enquanto trabalhador e enquanto aposentado. Eu gostaria de ir muito mais além.


Na minha (curta) existência de 35 anos sinto que vivo a minha quarta vida. Chamo por “vida” o que entendia como tal a cada era.


A primeira vida foi a infância, diria que dos 0 aos 13 anos. Aquela transformação no corpo, desenvolvimento e habilidades básicas, a transição de sair só do núcleo familiar para agregar amigos à vida, entender que a escola era para ensinar utilidades para a vida. Vive-se de forma pura, sem a consciência do que a vida pode se tornar e as coisas simples, no geral, são o bastante para produzir grande felicidade.


A segunda vida foi dos 14 aos 25 anos, no meu caso. A vida era dividida em duas: estudar e se divertir. A meta dos estudos era conseguir uma boa qualificação estudantil para formar um bom pré-currículo profissional: tirar notas boas, entrar numa boa faculdade, fazer cursos de extensão e pós-graduação – tudo ainda dentro daquele formato obrigatório do jovem millenial. No lado pessoal, as metas eram namorar o máximo, se divertir, fabricar boas histórias e viajar na medida que o escasso dinheiro permitia.


Conheço muitas pessoas que ficam estagnadas no que foi a minha segunda vida. Sujeitos de 30 a 40 anos (ou mais) que são eternos estudantes, emendam cursos e mais cursos, jamais construindo uma carreira ou imagem profissional sólidas; outros, de mesma idade, cuja meta é saber “a boa do fds” e conhecer toda semana alguém diferente; muitos em ambas as situações. E assim vão vivendo, vários sob a aba dos pais/parentes, sem construírem relacionamentos amorosos sólidos, nem patrimônio material ou imaterial (contribuição à sociedade ou algo parecido).


Minha terceira vida foi dos 26 aos 33 anos, a mais curta de todas até agora. Já tendo atingido uma relativa estabilidade profissional, a meta neste âmbito era crescer orgânica e continuamente, buscando aprendizados autodidatas principalmente para fins profissionais práticos e focando muito mais em construir uma imagem do que um currículo – afinal, acho que menos de 1% dos clientes que já tive questionaram qual universidade cursei ou se tinha algum diploma de curso específico, eles queriam resultados e bom atendimento, acima de tudo. Na esfera pessoal, começava a enxergar que o mundo não é feito de números e excessos, e sim de qualidade e intensidade nos relacionamentos; o número de amigos e mulheres foi reduzindo, ficando cada vez mais quem realmente importa, até que amigos ficaram poucos e mulher somente uma e permanente (“mulheres” no plural me refiro a frequência de trocas, não necessariamente em simultaneidade, que fique claro).


Neste ponto eu presumo que grande parte das pessoas fique estagnada até a próxima vida (aposentadoria e/ou terceira idade). A vida profissional passa a ser uma eterna busca por mais e mais. O supervisor quer virar coordenador, depois gerente, depois superintendente, depois diretor… sempre buscando um salário e status maior. Há quem nem se importe com o cargo, somente com ganhar mais e mais para sustentar uma aparência social ou acumular dinheiro por acumular, sem um objetivo específico, sempre sob o manto da desculpa de “conforto”. A pessoa com grana pra 10 apartamentos não tem mais conforto da com grana pra 4. Na parte pessoal, alguns desanimam rapidamente de um relacionamento estável, ora mantendo o mesmo para fins sociais (especialmente quando casado no civil e religioso e, mais ainda, quando já tem filhos), ora terminando relacionamentos e buscando incessantemente a outra metade da laranja, sem saber que a perseverança em renovar a parceria é o principal ingrediente pra evitar que sua atual metade da laranja fique azeda.


Aos 34 anos, faz pouco tempo, sinto que iniciei minha quarta vida. O plano profissional foi substituído pela independência financeira, esta nunca entendida como abundância de dinheiro, mas sempre como a satisfação com o que o já tem e um planejamento sólido – sujeito à revisões conforme o mundo gira – para perpetuar o patrimônio. A vida pessoal consiste em passar 24h com esposa e filha, aproveitando os momentos bons, aprendendo com os ruins e buscando qualidade de tempo com os demais familiares (muitos deles pouco lembrados pelas metas das vidas anteriores) para que se tenha o que realmente importa. Ainda, aprender um novo pensamento filosófico ou abordagem de saúde soa infinitamente mais útil que saber a última novidade da minha área profissional (fundamental para quem se encontra na vida anterior).


Olhando em retrospectiva, cada vida parece ter sido, de fato, uma vida passada, um aprendizado que dificilmente terá retorno sob qualquer aspecto. Há um vídeo do Mario Cortella (desculpe, não salvei o link) que ele expõe que muitos casamentos terminam porque um dos cônjuges afirma ao outro: “você não é mais o mesmo”. É muito interessante quando finalmente parei para perceber que nem eu nem você somos mais os mesmos que fomos anos atrás; já não somos os mesmos que fomos ontem, mesmo que em uma micromedida, agindo o fator tempo como os juros compostos modificando nossa essência.


O mais curioso da minha vida atual é que pareço habitar num mundo paralelo a quase todos os conhecidos, ainda vivendo majoritariamente na minha vida anterior. O paralelismo também é digno perceber junto àqueles que tem vidas absolutamente distintas por razões circunstanciais de localização e renda (díspares para muito menos ou muito mais). O fator principal e que muito me orgulho, posto que fruto da minha construção ao longo dos anos, é que hoje faço praticamente tudo que quero e aprendi a não querer o que seria impossível ou de grande sacrifício.


Que a vida atual seja perene e que eu tenha sabedoria para me enquadrar nas próximas que virão.


E você, parou para contabilizar quantas vidas já viveu, em qual se encontra hoje e qual deverá ser a próxima?


Abraço

sábado, 26 de junho de 2021

The best of AC #4

A série de posts “The best of AC” expõe uma curadoria de frases, links, vídeos e estudos que guardei, a partir de 2018, para me recordar futuramente. Adoraria que você colocasse nos comentários abaixo uma dica de algo interessante, não necessariamente ligada a investimentos, para que juntos possamos aumentar nosso conhecimento ou divertimento.

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Antes de mais nada, tem episódio novo no Boteco Fire, hoje com o Executivo Investidor, ex-blogueiro FIRE, ex-inquilino do Sr. IF 365 e muita história pra contar! Não deixe de ouvir na sua plataforma de podcasts favorita.

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1) Hope is not a strategy. Luck is not a factor. Fear is not an option.

Salvo engano, essa frase é do James Cameron, o diretor de Titanic, Avatar, dentre outros. Gostei e guardei. Útil para tempos de crise.


2) https://www.thesimpledollar.com/finding-the-purpose-of-financial-success/

Uma boa forma de encarar e conceber o que é o “sucesso financeiro”. Destaco os trechos:

Se você escolhe não envidar esforços para melhorar suas finanças, não pode esperar que elas melhorem.”

Esforço é a chave para sucesso financeiro ou qualquer tipo de sucesso. Se você trabalha duro e não encontra o sucesso, ou precisa olhar com mais atenção para onde está direcionando seu esforço ou precisa reconsiderar o que entende por ‘sucesso’.


3) https://www.numbeo.com/cost-of-living/

Numbeo é um site colaborativo que estima o custo de vida em inúmeras cidades globais, podendo comparar uns com outros na moeda que desejar. A análise é detalhada e muito útil, sob minha perspectiva. Já fiz muitas e muitas comparações nele para ver qual seria o limite entre o sonho e realidade, porém creio que ver com muita antecedência (antes de uma mudança ou viagem mais longa) seja ruim, já que o câmbio pode distorcer muito se o intervalo entre a pesquisa e a viagem for grande. Existem outros, mas este é o melhor site do gênero que encontrei.


Hoje é só isso, o turismo tem estado bastante intenso na última semana por conta de um casal de amigos que está me visitando e as poucas horas que sobram são para tocar o trabalho que ainda levo e dar atenção à família.


Abraço

sábado, 19 de junho de 2021

6 meses de vida nômade - custo de moradia

 


Em 6 meses de vida nômade, redescobri o quão ignorante sou quanto a nosso Brasil.
Jamais imaginaria que, após mais de 1.500 km rodados, conheceria tantos lugares incríveis e teria experiências inesquecíveis. Futuramente falarei mais a respeito, mas ando com preguiça de seguir os posts da série “Vida Nômade”.


Vamos ao que você quer saber: despesas. Irei me limitar às despesas de moradia, que incluem aluguel, IPTU, condomínio, energia elétrica, gás, água, internet, TV a cabo, etc. Todas as acomodações nesse semestre de viagem foram fechadas através do AirBnb.

Atribuí às acomodações que fiquei com notas de A a E, considerando o imóvel em si e a localização. Bons exemplos pra entender meu critério são Campos do Jordão e Atibaia. Na primeira, o imóvel era simples, novinho e num condomínio bacaninha, mas numa péssima localização (seria um imóvel padrão C numa localização E); em Atibaia a casa era bem ruim, padrão E, mas numa localização A ou B, daí a nota final D (a casa era ruim demais, que isso!).

Rio de Janeiro: diária média (total de 11 noites): R$ 237,25 – padrão: C (R$ 2.609,75)


Holambra/SP – diária média (total de 40 noites): R$ 195,94 – padrão: A (R$ 7.837,60)


Campos do Jordão/SP: diária média (total de 15 noites): R$ 152,16 – padrão: D (R$ 2.282,40)


Atibaia/SP: diária média (total de 7 noites): R$ 122,27 – padrão: D (R$ 855,89)


Itanhaém/SP: diária média (total de 7 noites): R$ 130,42 – padrão: D (R$ 912,94)


Cananéia/SP: diária média (total de 8 noites): R$ 196,31 – padrão: B (R$ 1.570,48)


Curitiba/PR: diária média (total de 30 noites): R$ 112,46 – padrão: C (R$ 3.373,80)


São Francisco do Sul/SC: diária média (total de 8 noites): R$ 153,92 – padrão: C (R$ 1.231,36)


Itapema/SC: diária média (total de 47 noites): R$ 89,15 – padrão: B (R$ 4.190,05)


Blumenau/SC: diária média (total de 21 noites): R$ 152,16 – padrão: B (R$ 3.195,36)



Resumindo, em 194 noites, o custo total foi de R$ 28.059,63, o que dá uma diária média de R$ 144,64 que, vezes 30, dá um custo mensal médio de moradia de R$ 4.339,12.


Se você mora numa grande capital do Sudeste, Sul ou DF, provavelmente está pensando “uau, barato demais pra estar viajando permanentemente, eu pago bem mais que isso parado aqui nesse mesmo apartamento de sempre”; se você mora no interior, possivelmente você gasta menos, mas dificilmente menos que a metade.


O fato é que esse cálculo deixa nítido que viajar não é tão caro quanto você imagina. Um aluguel + condomínio + energia + água + gás + internet em São Paulo, Rio, BH ou Brasília passa molinho dos 4k pra um apartamento de 2 quartos em um bairro de classe média.


Posso afirmar que 90% das atividades feitas foram grátis ou quase isso (ingressos até R$ 10,00). A atividade mais cara foi um parque de diversões em Campos do Jordão (Tarundu, recomendo muito), com despesa de uns R$ 600 para 2 adultos e 1 criança (entrada + atividades livres + almoço).


Se quiser saber mais sobre despesas específicas (combustível, lazer, etc), deixe aí nos comentários o que gostaria de saber que eu farei um levantamento pra postar. A princípio não fiz isso porque alguns são gastos muito pessoais e variáveis, além de estar evitando planilhar cada centavinho pra poder aproveitar mais a vida (estando o custo total dentro da minha meta, estou satisfeito).


Abraço

sexta-feira, 11 de junho de 2021

O mundo NÃO é uma troca

Cena 1:


Quando mais jovem, tinha uma amiga muito boa de papo de bar. Transitava bem no papo com jovens e velhos se uma cervejinha estivesse no meio. Frequentemente saía junto com ela e conversávamos um bocado, fôssemos só os dois ou com mais gente na mesa. Apesar de boa pessoa e ótima conversa, ela tinha uma questão recorrente: não pagava a conta.


De início, a amiga comunicava ao final da noite que estava sem grana porque… (infinitas desculpas) e pedia para pagar só aquela que depois ela acertaria. Mais cabreiro, comecei a questioná-la ANTES mesmo de sair de casa se ela estava “prevenida” e, quase sempre, a resposta era mais “honesta”:

- Hoje não, mas vamos lá, depois a gente acerta.


Numa época em que éramos jovens o bastante para alguns não trabalharem e, os que trabalhavam (como eu) recebiam salário-mínimo ou muito perto disso, aquela grana do boteco fazia uma grande diferença com alguém na aba.


Enfim, após muitas enrolações e desculpas, a agradabilidade do papo reduziu por conta da conduta da amiga, deixando de ser uma questão só financeira e passando à esfera moral, na minha interpretação. Parei de sair com essa amiga (que fique claro: não era uma amiga com benefícios) porque a hora do retorno nunca chegava – e nunca chegou.


A vida não é uma troca, mas um relacionamento caracu (um entra com a cara, o outro com o …) também não é agradável de se manter.

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Cena 2:


Já na fase adulta, tinha um bom amigo que poderia ser o melhor operador de placar do mundo. Ele armazena tudo que faz para cobrar depois. Se ele me fazia um favor (ex: ajudar carregando móveis de uma mudança), pouco depois estaria me pedindo algo (às vezes até inventava algo para pedir, só para “zerar o score”).


Estudioso do mercado financeiro, ele gostava de distribuir palpites não solicitados e operava da seguinte forma (criada por ele): se o palpite que ele desse te gerasse ganhos, ele se enaltecia como um grande ás do mercado e te pedia algo em troca; se o palpite te causasse prejuízo, ele sumia por alguns dias ou semanas – afinal, ele estava certo, mas o imprevisível evento XYZ fez com o que o mercado não seguisse a previsão dele.


Caso ele te emprestasse dois reais pra inteirar uma coca-cola, no dia seguinte ele talvez nem cobrasse o dinheiro, mas se sentia no direito de lhe pedir duzentos reais em serviços prestados a favor dele.


Enfim, um sujeito que segue meu amigo, agora com muitas ressalvas, e que entende abertamente, sob a ótica da “justiça”, que se ele ajudar em algo, tem que ter algo em troca, sempre e em qualquer contexto.


A vida não é uma troca, especialmente entre amigos.

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Cena 3:


Num curso de extensão, conheci uma colega de profissão que atuava na mesma área que eu. Em poucas horas de contato e vendo que ambos tínhamos conhecimento acima da média naquele assunto em especial, acabamos por trocar muitas experiências e dicas que poderiam render frutos financeiros a ambas as partes (ela me passou uma informação que eu não sabia e eu passei informações que ela desconhecia ou nunca tinha se atentado ao valor que poderia gerar com as mesmas). Trocamos contato para seguirmos a discussão de informações profissionais, já que tão interessante foi a conversa daquele momento.


Semana seguinte a colega me mandou um e-mail prosseguindo com a interessante discussão que tivemos pessoalmente e, para minha incredulidade, sugeriu que eu a remunerasse pelas dicas que ela me passou. Demorei a entender que não era uma brincadeira. Uma colega de profissão que me passou uma experiência profissional – e recebeu outras em troca! - numa conversa informal estava ali, dia depois, formalizando uma cobrança financeira pela conversa.


Lamentavelmente, por uma atitude que não consigo exprimir o que seria (ganância?), foi sepultado um relacionamento profissional que poderia ter se desenvolvido e trazido frutos a nós dois.


Tem um ditado chinês que diz: dois homens se encontram, cada um com um pão. Se trocam os pães, cada um continua com um pão; se trocam ideias, cada um sai com duas ideias.

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Acima mencionei três relacionamentos diferentes que tinham algo em comum: para fazer um bem a mim, a outra parte esperava que eu desse algo em troca. É claro que obter um retorno na mesma moeda (cena 3), financeiro (cena 1) ou de forma genérica (cena 2) é bacana, porém entendo que um genuíno agradecimento seja, na maioria das vezes, mais memorável e compensatório. Tenho certeza que não esquecerei do sorriso do garoto que dei uma mera barra de chocolate (LINK) há mais de 1 ano, mas nem lembro do último “favor devolvido” que recebi.


Bondade para ofertar, humildade para agradecer e discernimento para identificar exploradores.


Que você não se sinta em dívida com a próxima gentileza recebida, tampouco queira cobrar por seus atos voluntários.


Abraço

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Atenção ao Mensageiro

 


Antes de mais nada, informo que passarei a postar sempre aos SÁBADOS, assim fica mais fácil para o leitor lembrar de dar um pulinho aqui. Se chegou domingo e não ver post novo é porque a semana vai passar em branco.

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Muito se fala em viés de confirmação. Aplicando ao mundo financeiro, é bastante comum procurarmos notícias, influenciadores ou análise para confirmar que o investimento feito é o melhor possível.


Felizmente vem se disseminando a conduta para a busca de opiniões e análises opostas às que desejamos, de modo a pensarmos mais racionalmente e, somadas às análises favoráveis, concluirmos o que realmente parece ser o melhor – e que nem sente reflete nosso desejo inicial.


O que pouco venho observando e cada vez busco aplicar em minhas decisões financeiras é outro fator: o mensageiro.


Digamos que você entre numa concessionária de automóveis Fiat. Provavelmente o vendedor irá tentar lhe convencer que o novo modelo do Fiat Uno é melhor que um Rolls-Royce (talvez te ganhe no argumento km/L, mas não é o bastante para ser “melhor”). Isso é óbvio e você sabe que é pouco provável que um veículo Fiat seja melhor que um Rolls-Royce, além de você saber que, sem vender seu produto, o vendedor não ganhará a comissão e não terá seu sustento.


AC, o que isso tem a ver com meus investimentos? Tudo.


O seu assessor da corretora por acaso já lhe aconselhou a investir em algo que ele não ganhasse comissão? Já falou como foi uma boa ideia você aportar no seu próprio negócio ou comprar um imóvel? Provavelmente não, afinal, ele nada ganhará com isso. Não estou falando que a conduta do assessor seja errada, afinal de contas, ele tem ganhos majoritariamente com a comissão de suas aplicações.


Notícias e análises: você percebe como se sustenta a fonte delas?


O que não falta é analista do mercado financeiro na internet replicando que a bolsa está barata. Usam as métricas mais criativas possíveis: “em dólar a bolsa está no patamar de 200X”; “deflacionando pelo IPCA/IGPM/IMAB/(escolha seu índice favorável), a bolsa está X% abaixo do topo histórico”; “correlacionando com o CDI, a bolsa está X p.p. abaixo do topo”; por aí vai…


Caro leitor, imagine um influenciador/youtuber, casa de análise do mercado financeiro falar pra você: “tire tua grana da B3, tu vai perder dinheiro, mermão, manda pro exterior, bota nuns bonds lá e fique seguro em moeda forte”. Essa galera vai vender relatório de que? Quem vai querer seguir um canal do Youtube sugerindo a não investir na especialidade da casa?


Já parou para pensar que um youtuber especializado em análise de FIIs vai pra cova encontrando pontos positivos em investir neles? É inimaginável algum falando “galera, ferrou, a tributação dos FIIs vai deixá-los uma péssima opção, partam pra renda fixa que vão ganhar mais com muito menos risco”.


Repito: não estou criticando a postura de nenhuma área específica. Um corretor de imóveis vai tentar te convencer que imóvel é “à prova de crise”, um vendedor de seguros de que o produto dele é a melhor precaução possível, etc, etc.


Eu quero que você PRESTE ATENÇÃO NO MENSAGEIRO, no que ele vende e no que ele faz. Sua análise pode estar enviesada por um viés de confirmação, já que, em regra, aquele assunto é o que ele domina e prefere crer, no fundo de seu âmago, que nenhum investimento ou produto é melhor que o seu. Diminua suas chances de comprar um Uno achando que é uns Rolls-Royce.


Abraço e bons investimentos.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

The Best Of AC#3

A série de posts “The best of AC” expõe uma curadoria de frases, links, vídeos e estudos que guardei, a partir de 2018, para me recordar futuramente. Adoraria que você colocasse nos comentários abaixo uma dica de algo interessante, não necessariamente ligada a investimentos, para que juntos possamos aumentar nosso conhecimento ou divertimento.

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Antes de mais nada, vale lembrar que o Boteco Fire segue a todo vapor! Eu, TR e convidados (alguns basicamente viraram apresentadores também) seguimos conversando, conhecendo e trocando experiências pessoais, de investimentos, de aposentadoria e muito mais. Nos próximos dias irá ao ar o terceiro episódio seguida com uma mulher do mundo dos investimentos, bancária, casada, filha de um garotão de 3 anos e com muita experiência bacana pra contar, não percam! 

Obs: estamos com um pequeno atraso de sincronização no Youtube, mas em breve os episódios de lá serão publicados juntamente com as plataformas de streaming de áudio (TR, o recado é pra você mesmo).

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Esse post é um combo de duas dicas e uma reflexão:


1) https://brasil.babycenter.com/a25029358/calend%C3%A1rio-de-vacina%C3%A7%C3%A3o

É um calendário de vacinação infantil com interessante comparativo das vacinas disponibilizadas na rede pública e na particular. Particularmente, foi muito útil para a ACzinha e também para mim, que descobri alguns furos na minha vacinação e algumas proteções adicionais que pude me imunizar.


2) https://www.vortexmag.net/portugal-24-aldeias-que-deve-visitar-pelo-menos-1-vez-na-vida/

Não conheço Portugal (ainda) e, quando conhecer, pretendo sair do roteiro mais manjado e explorar algumas cidadelas e vilarejos como os do link acima (apesar das propagandas irritantes da página).


3) O trecho abaixo eu fotografei do livro “Propósito”, de Sri Prem Baba:


Não sou fã de quem se autodenomina guru, muito menos de iniciadores ou líderes de seitas, todavia não sou radical e procuro extrair as boas mensagens que muitos com experiência de vida, seja pela idade ou pela intensidade, têm a transmitir.

Li o livro em questão alguns meses antes de iniciar minha atual vida nômade e veio muito a calhar, na medida em que muitos amigos e familiares achavam pouco razoável a escolha de viver assim sem prazo definido e sem um roteiro estabelecido (especialmente com uma pandemia rolando).


Siga seu coração (a não ser que ele fale pra você que criptomoeda é o dinheiro do futuro).


Abraço

quarta-feira, 28 de abril de 2021

The best of AC #2

A série de posts “The best of AC” expõe uma curadoria de frases, links, vídeos e estudos que guardei, a partir de 2018, para me recordar futuramente. Adoraria que você colocasse nos comentários abaixo uma dica de algo interessante, não necessariamente ligada a investimentos, para que juntos possamos aumentar nosso conhecimento ou divertimento.



“To think is easy. To act is hard. But the hardest thing in the world is to act in accordance with your thinking.”
― Johann Wolfgang von Goethe


Pensar é fácil e agir é difícil, porém a coisa mais difícil do mundo é agir de acordo com o pensado (tradução livre).


Engraçado que, quase 3 anos após eu ter salvo a citação acima por ter gostado muito, hoje ela não me toca muito. Acredito que agir conforme o pensado não é tão difícil para quem não é impulsivo e tende a trazer retornos melhores em relação a atitudes pouco pensadas. Talvez o autor se refira mais à paciência para delinear bem suas ações antes de tomá-las. Vai de encontro com a citação que hoje me agrada mais que é “Feito é melhor que perfeito”.


Vou fazer desse um post 2 em 1 e emendar com um link salvo há 3 anos e que gostei muito:

https://www.theschooloflife.com/thebookoflife/on-needing-to-find-something-to-worry-about/


O autor descreve como muitas vezes estamos em um ótimo estado mental, felizes, e voluntariamente procuramos algo para nos preocupar. É terminar um exercício físico satisfeito e em seguida entrar numa rede social vendo alguém mais forte/magro(a)/bonito(a) que você; é ter um gosto jantar em família e ligar a TV para saber o número atualizado de mortos pela pandemia.


Acho muito interessante notarmos esse comportamento quase involuntário para que possamos evitá-lo e perdurar os momentos de alegria e êxtase. O autor sugere que esse nocivo comportamento decorre de traumas antes da vida adulta (formação completa da mente) e que foram mal resolvidos ou colocados debaixo do tapete. Os porquês demandariam uma formação acadêmica que não tenho e não sei opinar, mas a mera consciência do ato de buscar algo para se preocupar já pode ser o suficiente para uma vida mais saudável.


Abraço

 

terça-feira, 20 de abril de 2021

The best of AC #1

Provavelmente farei postagens mais frequentes por conta dessa série que inicio hoje. Caso você perca alguma, sugiro que dê uma olhada nos posts anteriores para acompanhar essa série dos melhores insights e dicas que separei para mim nos últimos 2 anos e uns quebrados.

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A série de posts “The best of AC” expõe uma curadoria de frases, links, vídeos e estudos que guardei, a partir de 2018, para me recordar futuramente. Adoraria que você colocasse nos comentários abaixo uma dica de algo interessante, não necessariamente ligada a investimentos, para que juntos possamos aumentar nosso conhecimento ou divertimento.


Pode ser algo que você mandou para si pelo whatsapp, salvou nos “favoritos” do navegador, guardou numa extensão como Pocket, num app como Evernote, etc (você entendeu o espírito). Não tenha vergonha de passar suas dicas, pode ser que tenhamos (e os demais leitores) muitos interesses esquisitos em comum.

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O link do dia é:

https://www.success.com/how-30-days-of-kindness-made-me-a-better-person/


A autora do artigo descreve uma experiência em que, conscientemente, realizou um ato de gentileza por dia durante 30 dias, quais benefícios ela ganhou criando esse hábito, quais dúvidas existenciais surgiram (especialmente se tratando de doações) e ainda apresenta a tabela a seguir dos atos que praticou durante a experiência:


Como o artigo dela é relativamente curto, sugiro a leitura e, caso não compreenda por conta do inglês, vale a pena um esforço de usar o tradutor do seu navegador (assim como para toda sugestão em língua estrangeira que eu passar no futuro).


Espero que a experiência lhe acrescente algo, como acrescentou a mim.


Abraço

domingo, 4 de abril de 2021

Vivendo no raso

 


Sentado em frente ao médico, você descreve uma incômoda dor física que vem sofrendo há algumas semanas. O médico olha pra você e diz: “só um minuto, vou responder à mensagem de outro paciente”. Após manusear o celular, o médico te avalia por dois minutos e pede: “por favor, aguarde alguns minutos que irei falar com o representante farmacêutico que me aguarda na recepção”. Furioso, você termina a consulta prometendo nunca mais voltar a esse médico, já que claramente ele não prestou a devida atenção a seu problema.

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Em um recomendado curso de especialização profissional, no qual você pagou milhares de reais para aprender, o professor com frequência interrompe as aulas para responder a mensagens de WhatsApp. Quando perguntado para tirar alguma dúvida em sala de aula, o professor pede que a dúvida seja dirigida por e-mail ou no grupo de WhatsApp da turma. Você não pode deixar de notar que o professor dirige 90% de sua atenção à atraente aluna sentada à segunda fileira da sala.

Insatisfeito, você percebe que aquele aprendizado não está tão distante de um estudo online, possivelmente gratuito.

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Vivemos na era da informação. Abra agora seu WhatsApp, Telegram, YouTube, Twitter, Feedly ou outro app de comunicação. Possivelmente há dezenas de mensagens não lidas, vídeos não assistidos, posts não avaliados. Sempre haverá. É humanamente impossível, mesmo sendo aposentado, consumir todo o conteúdo que a Internet produz.


Até a geração dos anos 90, era extremamente comum ler um livro mais de uma vez, ouvir dezenas de vezes a mesma música ou disco, assistir ao mesmo filme (até mesmo no cinema). A produção do conteúdo era restrita e o público ávido por entretenimento. A Internet e os avanços tecnológicos possibilitaram que qualquer pessoa gravasse vídeos, músicas ou escrevesse textos e os disponibilizassem na rede.


Inegáveis são as vantagens do farto conteúdo disponível: gratuidade, democracia, variedade e, por vezes, qualidade. Há MUITO conteúdo gratuito e excelente na internet. O seu dia, todavia, só tem 24h e é preciso fazer escolhas. Até o início dos anos 2000, não precisávamos fazer tantas escolhas, diante da limitação do conteúdo disponível – acabávamos inevitavelmente vivendo a vida offline em algum momento.


Atualmente ficamos famintos por aprender, nos aprimorar, assistirmos ao próximo vídeo do sábio guru que nos brinda com gotas de sabedoria e reflexão sobre a vida, lermos sobre a estratégia de investimento do blogueiro/youtuber milionário. Temos a sensação de que a cada vídeo assistido, a cada post lido, nos tornamos seres humanos melhores e mais aptos, o que nem sempre é verdade.


Consumir conteúdo online é excelente, o problema reside na INTENSIDADE desse consumo. Minha experiência própria: passei semanas escutando no excelente podcast “Resumo Cast” resumos debatidos de livros sobre autoajuda e empreendedorismo. Às vezes escutava 3 ou 4 resumos por dia, na velocidade 2x e, em poucas horas, parecia que tinha absorvido a nata de 4 best-sellers. Ledo engano. Até há pouco, assistia diversos vídeos no YouTube por dia e lia vários posts em blogs da internet (não sou fã de ler notícias da atualidade, mas poderia se aplicar).


O fato é que nosso conhecimento está cada vez mais RASO. Pare e reflita: é provável que você se lembre da mensagem de algum livro que leu há 15 ou 20 anos. A razão: você se aprofundou naquele livro; certamente o leu sem interrupções frequentes de um smartphone e, com certeza, não terminou dito livro e imediatamente começou a ler outro. Você aplicadamente concentrou esforços na leitura e, ao terminar, refletiu sobre ela. Quando foi a última vez que você assistiu a um interessante vídeo no YouTube, desligou seu celular e refletiu por alguns minutos sobre o mesmo? Pois é. Eu sei que você em seguida clicou noutro vídeo e, minutos após, esqueceu o que assistiu no tal vídeo interessante.


Por que você exige que seu médico e seu professor dediquem atenção integral a você (leu direito o início desse post?!) se você não faz consigo?


Tim Ferriss, no livro Trabalhe 4 Horas por Semana, defende ferozmente que paremos de perder tempo com notícias irrelevantes e entremos em uma dieta de informação. Com esse simples passo, teríamos tempo livre para realizar todas nossas metas e ainda curtir a vida de verdade. Aprendi isso em 2007 e orgulhosamente sei que, desde então, perdi poucas horas de minha vida lendo notícias efêmeras (inclusive sobre a pandemia corrente).


Agora reflito que necessito de uma “Dieta de Informação 2.0”. Acabei de me desinscrever de vários canais do Youtube que notava ser minoria o conteúdo que me atraía. Pretendo restringir a leitura de blogs e visualização de vídeos conforme a profundidade da reflexão que me apresentarem. Há pouco assisti a um vídeo que me instigou a escrever o presente artigo. Ele merecia que eu interrompesse a atividade de navegar na web e refletisse a respeito. Talvez, se eu seguisse navegando, três vídeos depois o conteúdo já teria se esvaído de minha mente.


Não sou mestre em nada e tampouco me julgo apto para lecionar. Deixo aqui somente uma reflexão para que, se você gostou do que ouviu/assistiu/leu, APROFUNDE e REFLITA sobre o conteúdo antes de iniciar nova atividade.


Em 528 A.C. (Antes de Cristo, não “Aposente Cedo”), após 49 dias de meditação e com a idade de 35 anos, Sidarta Gautama alcançou a iluminação espiritual. Será que teríamos um Buda se já existisse a Internet?


Abraço

quinta-feira, 25 de março de 2021

Superinvestidor vs Trabalhador assíduo: quem vira IF primeiro?


 

Antes de mais nada, o 3º episódio do Boteco Fire já está no ar, disponível nas mais variadas plataformas de música e podcast. Aposente Cedo fala de seu investimento no exterior via offshore; Gleison (Sapien Livre) fala porque NÃO investe no exterior; e TR explica suas teses para investir e nichos do mercado internacional.

Nos dois primeiros episódios do podcast eu comentei como sempre fui um investidor medíocre e direcionei meu tempo para geração de renda ativa. Com ajuda do TR (https://papotr.com/), hoje trago a seguinte simulação:


Dois sujeitos recebem 3k/mês e conseguem poupar R$ 500/mês, ou seja, tem custo de vida mensal de R$ 2.500,00. Um resolveu "estudar investimento" e consegue gerar uma rentabilidade maior (10% ao ano); outro arrumou um trampo secundário, gerando renda ativa de mais 500 conto e usou isso como aporte (aportando R$ 1.000,00/mês). Cenário bem factível pra realidade brasileira, nem que seja vendendo água no sinal todo sábado (“pega a visão”). Um dia a mais de trabalho na semana é capaz de gerar R$ 500,00 a mais por mês, disso não tenho dúvidas.

O cara que "estudou investimento" (a maioria das pessoas) não consegue um retorno % excepcionalmente melhor que o que estuda menos, mas fui bondoso em lhe conferir 10% na simulação, frente aos 6% do investidor mediano.

O sujeito que gerou mais renda ativa, que clicou num botão e pegou um Tesouro IPCA+ e usou o tempo pra gerar uma renda ativa de R$ 500 a mais.

Não tem inflação na conta, mas creio ser indiferente pra uma meta comparação, já que a inflação seria igual pros dois.

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TR: “o fator tempo deve ser posto tb, talvez o cara que estudou mais investimento e conseguiu melhor rentabilidade fez isso por, sei lá, 2 anos e ficou na dele. Já o cara que tem que fazer um bico de 500 reais a mais tem que "trabalhar" e gastar tempo pra ter esses 500 a mais e manter isso nos próximos 30 anos. Acho que a métrica mais factível na minha visão é quanto a mais você consegue ganhar gastando o menor tempo possível.”

AC: Aí é o velho papo da gratificação adiada. Você sacrificaria 1 dia mais de trabalho toda semana, dos 20 aos 50 anos, pra ser IF dos 50 até a morte? Sabendo que 1 dia de folga a mais nunca te tornaria IF? Isso eu não estou nem contando as horas de estudo do sujeito investidor na simulação. Pra facilitar sua escolha de Sofia:

1 dia a mais de trabalho na semana = 52 dias a mais por ano x 30 anos = 1.564 dias a mais = 4 anos e 2 meses a mais de trabalho (arredondando). Se você morrer antes dos 50 anos, se ferrou (pelo menos seus herdeiros aproveitarão!).

A simulação mês a mês ficou muito grande, então seguem os marcos de 10, 20 e 30 anos, partindo de zero patrimônio:


Cenário 1

Cenário 2

Aporte: R$ 1.000,00
Aporte: R$ 500,00

Juros: 6% a.a.
Juros: 10% a.a.
Meses Aporte mês
Acumulado
Aporte mês
Acumulado

120 R$ 1.000,00 R$ 163.257,02
R$ 500,00 R$ 81.635,18

240 R$ 1.000,00 R$ 455.635,00
R$ 500,00 R$ 227.829,45

360 R$ 1.000,00 R$ 979.242,53
R$ 500,00 R$ 489.642,66


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Lembrando: ambos vivem com 2.500/mês. Pela regra dos 3%, pra serem IF, precisam de 1 milhão.

O cara do trabalho extra vira IF em 30 anos (360 meses) de serviço; o investidor só atingirá a marca de 1M (precisamente R$ 1.000.569,03) após 488 meses (40,6 anos), ou seja, mais de 10 anos após o trabalhador. No longo  prazo, portanto, o superinvestidor terá trabalho 6 anos a mais que o trabalhador assíduo. Nos mesmos 488 meses, o trabalhador teria R$ 2.001.058,38, o dobro do investidor.

Ressalto que o aporte a mais não necessariamente precisa vir de uma segunda fonte de renda, já que pode vir também de uma melhor qualificação em sua própria profissão (certificações, diplomas, etc) , uma promoção no emprego e afins. Tudo dependerá de como você priorizará seu tempo: estudando investimentos por longas horas ou buscando se aprimorar profissionalmente ou fazendo um trabalho paralelo.


Por favor, NÃO estou dizendo que você não deva estudar investimentos, só estou provando matematicamente que aportes maiores (que demandam maior taxa de poupança e maior renda ativa) são muito mais importantes que uma melhor rentabilidade – e eu sou prova viva disso.


Há muitas formas de gerar R$ 500,00 a mais no mês (em troca do seu tempo, claro), mas esse assunto fica pra um próximo post.


Conte-me o que você vai fazer após esse artigo: ler o próximo livro do Primo Rico ou procurar aumentar sua renda ativa? Vai “perder” 4 anos a mais de trabalho pra ser FIRE ou abrir o Fundamentus pra analisar o histórico de payout da Wege?


Abraço

sexta-feira, 12 de março de 2021

Podcast e encontro com Sr. IF 365


 

Salve, caro(a) leitor(a)!


Informo que eu e o Thiago Rezende (Papo TR, ex-Escola Para Investidores) lançamos o podcast Boteco Fire (Spotify, Deezer, Google Podcasts, Apple podcasts, etc) onde, numa mesa de bar virtual, discutimos sobre investimentos, filosofia FIRE e muito mais.


O primeiro episódio já está no ar e, em breve, entrará o gravado com o Gleison, do Sapien Livre!


Se quiser participar, tenha um blog ou não, está desde já convidado, bastando enviar e-mail para botecofire@gmail.com

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Aproveito o post para informar que, após um chopp com o Sapien Livre e o Thiago Rezende, rolou mais um encontro pessoal com o Sr. IF 365 e a esposa dele! Sim, ele existe e é gente fina!


Agradeço o Sr. IF por ter ido a meu encontro e pelo papo bacana que tivemos com nossas famílias. É muito legal como a internet consegue unir pessoas com histórias tão diferentes graças a interesses comuns. Quem quiser bater um papo, só fazer contato por e-mail (pode ser até pelo e-mail do boteco) e a gente se fala; muito em breve estarei pela região Sul do Brasil.

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Por hoje são só esses recados que eu tinha, a vida FIRE tá me tomando tempo!


Abraço

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Falta de ambição

Era setembro/2020 e eu confidenciava a um amigo próximo que iniciaria minha aposentadoria precoce muito em breve. Ele, formado na mesma área que eu, questionava: “por que você vai parar no auge financeiro?”


De fato, nos últimos 10 anos as receitas profissionais de minha principal atividade cresceram. O número de clientes e demandas era cada vez maior. Meu amigo sabia disso tudo e ficou intrigado com minha decisão. Falei em valores nominais de patrimônio e de expectativa de renda pós RE, quando ele levantou a seguinte questão: “Nosso amigo Fulano acabou de voltar de uma viagem das Ilhas Maldivas, gastou 40k em 1 semana. Com essa grana aí que você pretende viver, nunca poderá ir às Maldivas!”. Era verdade o que ele dizia. Preciso eu, todavia, ir às Maldivas para ser feliz?


Todos nós temos as próprias ambições e, não raro, uma delas é “conhecer o mundo”. A vida é uma só e não há tempo hábil para conhecer todas as cidades do mundo, ler todos os livros, ouvir todas as músicas, namorar todas as pessoas que passarem por sua vida. É preciso selecionar e ser feliz com suas escolhas, mesmo as erradas, já que estas te ensinam quais são as certas.


Provavelmente eu nunca irei às Maldivas, terei uma Pajero 0km, uma lancha, uma casa de praia pé na areia num destino badalado ou um harém de playmates. Valeria a pena trocar algumas décadas de trabalho por isso? Na concepção do meu amigo, sim, seria válido trabalhar full time a vida toda para aproveitar 20-30 dias de férias por anos e alguns finais de semana com esse estilo de vida (caso alcançado, ele bem sabe que ainda haveria incerteza de atingir esse patamar!).


Da mesma forma que ele deixou nítido que, naquele momento, me achava sem ambição e não compreendia o porquê de eu tirar o pé do acelerador, eu também não compreendia a razão de ele optar por chegar a um nível financeiro (de gastos, não necessariamente de acúmulo patrimonial) em troca de muitos mais anos de trabalho. Espero que um dia ele descubra que tem o suficiente.


Talvez eu nunca vá às Maldivas, mas, amigo, Tibau do Sul é um barato!


Abraço

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

#2 – Nômade – Petrópolis/RJ

Morei 3 anos em Petrópolis/RJ. Conhecida por ser o destino de férias de D. Pedro I e II, Princesa Isabel e família real, tem um clima bem mais agradável que o Rio, mesmo estando a 65 km de distância apenas. Grande em extensão, a paisagem varia desde um centro bem comercial, com residências misturadas, a sítios e grandes condomínios em bairros mais afastados (Itaipava, Secretário, Pedro do Rio, dentre outros).


É um bom lugar para turistar (inclusive de bate-volta para quem está no Rio) e também um ótimo ponto de partida para um carioca que deseja implementar o home office, mas tem receio de ficar longe da capital, seja por causa do trabalho ou de lazer. Ao menos foi o que fiz (adotei o home office como regra em 2016 e mudei pra Petrópolis no ano seguinte).


-Lazer: para um turista, há coisas a fazer durante 15 dias, no muito. Um residente rapidamente fica entediado.

-Cultura: história do Brasil entre monarquia e república e nada mais (o que já é bem interessante, diga-se de passagem).

-Moraria novamente: provavelmente não. Serviços deficitários para uma cidade de porte médio-grande (~300k habitantes), problemas de trânsito e enchentes habituais. Povo menos simpático que no Rio capital. 3 anos foram o bastante.

-Voltaria: sim, é um lugar agradável e o clima serrano é excelente para variar o nível do mar.

- Custo de vida: muito próximo ao do Rio de Janeiro, à exceção de moradia, levemente mais barata.

 

Abraço



sábado, 20 de fevereiro de 2021

#Nômade - Rio de Janeiro/RJ

Conforme postei aqui, estou indefinidamente sem residência fixa. Sem delongas, vamos à minha opinião sobre a cidade do título:


RIO DE JANEIRO/RJ


Morei a maior parte da vida no Rio, um local de muitas realidades. Classe média, frequentei desde o baile funk na favela, com gente dando rito pro alto por diversão, quanto noitada de playboy que custava R$ 30 uma long neck de skol (claro que eu bebia gummy na porta antes de entrar na boate). Sim, tem violência, todo mundo que conheço do Rio já foi roubado ou furtado uma ou mais vezes, tem mendigo na rua, tem sujeira, tem tudo que uma grane capital tem, mas também tem uma beleza incomparável, além de pessoas amigáveis no geral (questão que vem se mostrando bastante relevante nesta minha vida nômade).


-Lazer: bastante, especialmente se você tiver boa condição financeira e/ou residir na Zona Sul ou Barra.

-Cultura: bastante, muitos pontos interessantes para conhecer e visitar, inclusive muitos pouco explorados pelos próprios cariocas.

-Moraria novamente: provavelmente não. Com muitos amigos e alguma família ainda lá, é sempre tentador. O custo de vida familiar (boa escola, bom plano de saúde, bom local para morar) é bastante elevado, o que poria em xeque o planejamento FIRE ou me daria preocupações desnecessárias.

-Voltaria: sim, com certeza. Sempre vale ir ao Rio pra turistar.


- Custo de vida: pelo ótimo site Numbeo, um custo de vida de R$ 10.000,00 no Rio de Janeiro seria equivalente a um custo de R$ 7.943,73 em Natal/RN ou R$ 9.342,39 em Florianópolis/SC. Minha experiência carioca diz que o abismo financeira é bem maior no Rio, já que há uma diferença muito grande de valor entre bons e maus locais para morar, comer, educar, etc, ao passo que em outras capitais (exceto São Paulo e Brasília, minha impressão) um nível intermediário já traz uma certa qualidade de vida.


Obs: o Rio de Janeiro é gigantesco e está bem longe de ser só uma bela praia da novela ou só as favelas do noticiário policial. Infelizmente só quem mora em uns 12 de um total de 163 bairros consegue ter uma vida absolutamente agradável. Nem pense em morar no Rio se não estiver disposto a ter um custo de vida mais elevado.


Abraço



sábado, 6 de fevereiro de 2021

Respeitar as diferenças

Respeitar as diferenças é difícil. Todo mundo sabe que há muitas pessoas que pensam diferente e, infelizmente, o mundo atual converge para um cenário em que virou normal achar que quem pensa diferente está errado.


A comunidade FIRE pensa em aposentar cedo para sair da corrida dos ratos, do piloto automático, buscando passar mais tempo da nossa única (?) vida com nossa família, amigos e/ou fazendo atividades que amamos. Raramente é feita a reflexão que o sujeito pode amar o trabalho em si, independentemente do retorno financeiro.


Há aqueles que, para atingirem o objetivo mais rapidamente, utilizam de expedientes controversos: educação e saúde públicas (quando se pode pagar pelas privadas), frugalidade extrema, ausência de um veículo próprio quando este seria bastante conveniente, etc. Pessoalmente, discordo dessas formas de economia, porém, as RESPEITO.


O início da jornada nômade já serviu para conhecer algumas pessoas diferentes do meu habitat natural, dentre elas, um gringo residente no Brasil há pouco mais de 1 ano. Com doutorado em matemática em uma das instituições mais prestigiadas do mundo, veio ao Brasil para exercer cargo gerencial numa instituição financeira. Corremos juntos pela manhã 3x na semana e tomamos cerveja com nossas esposas e crianças aos finais de semana, criando certa intimidade. É absolutamente fascinante a visão de alguém tão diferente. Chileno (lembrando que não faz tanto tempo o Chile era a Suíça da América Latina), residente na França por mais de uma década antes de vir ao Brasil, aqui, numa pequena cidade do interior de SP, ele afirma ser o melhor lugar que já morou – e não tem nada a ver com samba, mulheres, praia ou qualquer estereótipo brasileiro criado por estrangeiros. Narrou-me inúmeros pontos negativos do sistema econômico, político, social e laboral da França, por exemplo.


Com esse mesmo novo amigo comentei sobre FIRE, até por ele ser da área financeira e aparentemente um ás da matemática, falando que eu tenho um blog sobre isso. Ele respondeu: “Ah, eu já vi esse pessoal FIRE, muito doida essa ideia de parar de trabalhar cedo e viver de renda, acho muito engraçado você querer fazer isso.” - Obs: eu prefiro relatar que trabalho a tempo parcial e flexível, o que acontece de fato, do que falar que estou “aposentado” e fazendo bicos na minha antiga profissão.


Por tudo que já conversei com esse cara, notei que ele é um pequeno gênio, no entanto, o tema FIRE não tocou o coração dele, tampouco tenho intenção de evangelizar as pessoas a se tornarem entusiastas do assunto.


Provavelmente o leitor acha que é maluco alguém que morava com um bom emprego na Europa preferir morar no interior do Brasil, assim como eu acho o fato de um brasileiro com capacidade financeira não ter plano de saúde ou escola particular para os filhos (salvo raras exceções de escola pública de qualidade, como colégios de aplicação parte de Universidades, algumas escolas militares, dentre outras).


O ponto aqui é que temos de respeitar esses pensamentos divergentes e, para tanto, deixarmos de tentar convencer nosso interlocutor com nossos argumentos (leia-se: ponto de vista) como se errados estivessem.


Sem dúvidas nossas conclusões são tomadas após reflexões e estudos, sendo muita pretensão achar que as do próximo assim não se deram, portanto, caso não concorde com determinada opinião alheia, promova o debate saudável, sem a soberba de pensar que quem pensa diferente de você é simplesmente um idiota.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Encontro Fire, chute no saco e vida nômade


 

Quem diria que o início da vida Fire seria corrida… Durante as festas de fim de ano, que passamos com meus pais e pais da Sra. AC, até imaginava, mas na sequência da jornada nômade, não imaginava as surpresas reservadas.


Nas primeiras semanas tudo correu conforme esperado: umas horinhas de trabalho tranquilas, muitos passeios pela cidade do momento, cozinhar com calma, aproveitar o momento. Um grande momento foi o encontro FIRE que tive com o Sapien Livre e o TR do Escola Para Investidores.


Já em contato por e-mail e, depois, WhatsApp com ambos, falei que estaria próximo da cidade deles durante um tempo e que seria legal um café. Não é que eles vieram? Turistamos um pouco de carro, almoçamos um churrasco com um chopp do bom, andamos de bicicleta por vários pontos turísticos, tomamos chuva, rimos, tomamos um café já aqui “em casa” e, claro, falamos sobre investimentos, filosofia de vida e muitas outras coisas. Pareceu um dia de férias com amigos de infância e agradeço o poder que a internet tem de conectar pessoas.


Tudo seguia num ritmo bom quando meu agora ex-sócio, da vaquinha mais gorda, ligou dizendo que estava pulando fora do barco, iria se mudar pra 1.000km de distância e já veio com um distrato social na mão. Ele precisava fazer isso logo quando eu saí de perto da cidade onde prestamos nossos serviços? Evidente que não. Adianta eu ficar puto com ele? Também não. É um cara que eu gosto, se tornou meu amigo, e está fazendo o que é melhor pra vida pessoal dele. Melhor eu focar em reestruturar o que for possível pra manter o leite da vaca, mas minha vida até então tranquila se tornou intensa no trabalho para não queimar uma imagem profissional construída durante mais de 13 anos.


Fica a reflexão: no fim, as pessoas farão sempre o que for melhor pra elas.


Mais uma vez, flexibilidade e resiliência serão chaves para a consistência dos planos.


Sobre a vida nômade, já estou apaixonado pelo local atual e é uma forte candidata a ser a cidade para pendurar as chuteiras quando o nomadismo encher o saco. Infelizmente, pelo recentes acontecimentos profissionais, acabei não tendo tempo nem cabeça para postar sequer as impressões dos dois lugares já visitados, mas espero conseguir fazer isso. Fato é que ire priorizar posts sobre estilo de vida e vida pós-RE do que impressões turísticas ou habitacionais.


Às vésperas de fechar o primeiro mês cheio sem trabalho em tempo integral, a renda passiva imediata (dividendos de FIIs e ações que caíram na conta) ficou 30% abaixo do gasto mensal, todavia, tenho cerca de 1/3 do patrimônio investido nestes ativos. Como pretendo, ainda em 2021, chegar a 50% do patrimônio nestas classes de ativos, sem dúvidas será possível executar o plano. Outro ponto a observar é que estou no Sudeste e, mesmo em cidades menores, o custo de vida é bem superior às outras regiões do Brasil, portanto, a tendência será baixar a despesa mensal.


Obs: pretendo rodar por todo o BR, exceto região Norte, ao longo de 2021/2022. Caso tenha interesse num encontro FIRE (não-romântico, só pra não haver dúvidas), mande um e-mail para aposentecedo (gmail.com) e quem sabe não tomamos um café/cerveja/vinho em breve?


Abraço