segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Ter filhos não é obrigação

 


Ter filhos dá um trabalho danado. São muitas noites mal dormidas, preocupações com alimentação adequada, vacinas, estímulos ao desenvolvimento, saúde no geral, entretenimento ininterrupto (até aprenderem a brincar sozinhos), diminuição de intimidade do casal, oitiva de palpites das avós/tias/gente que teve filho antes. Ter filhos é muito bom, mas é pra quem quer assumir RESPONSABILIDADES.


Sempre falo que só existem duas coisas irreversíveis na vida: a morte e ter filhos. Casamentos podem ser desfeitos, empregos trocados, imóveis vendidos, até membros do corpo substituídos por próteses. Você não tem como se desfazer de filhos e a tendência natural é que os acompanhe até sua própria morte.


Sempre quis ter filhos e me preparei para isso em diversos sentidos. Apesar de nunca estarmos 100% prontos, o tempo vai ajudando a enxergar o grau da responsabilidade que eles imputam aos pais.


Eu sou um grande privilegiado: desde antes da concepção, já passo quase a totalidade do tempo próximo a meu filho. Adepto do home office em tempo integral há pouco mais de 4 anos, conto nos dedos das mãos o número de vezes que fiquei mais de 24h sem estar fisicamente perto, seja por trabalho ou por outras questões familiares.


Minha esposa não trabalha desde pouco antes da gravidez e ela pode afirmar que nunca passou 24h distante da prole.


Sem babá ou familiar perto para dar uma folga ao trabalho de pais, sentimos o peso da responsabilidade da criação. É um grande prazer e privilégio estarmos sempre todos juntos, porém não é fácil.


Procriar foi uma escolha consciente e, apesar de ser bem mais difícil que o imaginado, foi uma opção excelente, mas não é para todos.


Acho extremamente evoluído quem simplesmente afirma: não quero ter filhos.


Havia e ainda há uma pressão social (e religiosa, mas não vou entrar no tema) absurda em procriar. Lembro de minha mãe se referindo a qualquer mulher que não tinha filhos ou afirmava não querer ter que era “possivelmente mal amada”. A pressão vem dos amigos, perguntando quando vão fabricar amiguinhos para brincar com os filhos deles, vem da família, perguntando quando você dará netos/sobrinhos.


Filhos são uma dádiva, recomendo para quem quer ter, mas, quem não quer, não recomendo. A vida dá sim para ser completa e feliz mesmo sem tê-los. Menos renúncias precisarão ser feitas, mais liberdade – em muitos sentidos – você terá.


Essa breve reflexão é porque conheço muitas pessoas vivendo no piloto automático, o que inclui ter filhos em um momento pré-determinado.


Tive uma namorada que parecia ter a vida definida desde os 15 anos de idade: fazer vestibular, entrar numa universidade pública, fazer mestrado, doutorado, casar, se consolidar na carreira, ter filho, aguardar X anos, ter outro filho… A conheci próximo de formar e acompanhei até o final do mestrado, quando nossas vidas deixaram de sincronizar. Há um tempo ela terminou o doutorado, casou e sua carreira parece estar indo muito bem. Há pouco soube que ela está grávida. Tudo conforme o planejado há décadas.


Tenho amigos que seguiram caminho semelhante. Cumpriram suas promessas próprias de “curtir a vida” até os 30 anos, pelo menos.

Um deles deixou de casar com uma namorada que até hoje fala que era o amor da vida porque era muito novo. Casou com uma namorada de pouco mais de um ano porque tinha “chegado a idade de casar”.


Outro teve um casamento de cinema, daquele sonhado há tempos, com a esposa que não quer ter filhos, mas ele quer e disse que “a hora chegou” – a esposa segue sem querer ter filhos, porém ele confia que “nela despertará o instinto materno depois que o filho nascer”.


Outro, depois dos passos A, B, C (formar, fazer pós, passar num concurso, casar), adotou um cachorro como “prévia” do filho que pretende fabricar em breve. O cachorro (filhotinho) roía móveis e fazia xixi fora do local adequado, algo absolutamente normal e esperado de um filhote em um ambiente novo. Em menos de um mês o camarada colocou o doguinho de novo para a adoção e felizmente o peludo arrumou um novo lar. Em conversa recente, esse amigo disse que esse ano pretende procriar.


Outro parece que nunca deixou de estar solteiro, se é que me entendem, apesar de estar casado há mais de 5 anos, mas que “irá sossegar depois que o boneco chegar”.


Com todos eles tenho intimidade suficiente para ter tido uma conversa nos termos acima: “Cara, você não precisa ter filho. Seja feliz aí, cuidando da sua vida, com sua(s) mulher(es), seu trabalho que te consome. Ter filho pra ver no final de semana e só pegar a parte boa não faz muito sentido. Ignore essa pressão dos ‘futuros vovôs’, tá na cara que sua vida tá legal pra caramba assim”. Deixei todos reflexivos, todavia creio que seguirão seus pilotos automáticos.


Fica aqui a reflexão para os leitores que ainda não são papais ou mamães: pensem e repensem se querem ser. É bom demais, só reflitam bem se realmente é o que vocês querem ou se é o que querem pra vocês.


Abraço

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Entediado

 

Lembro que dos 12 aos 15 anos eu sofria um tédio crônico. Tinha muitos amigos, praticava esportes e outras atividades, mas, mesmo assim, habitualmente ficava entediado. Numa época em que TV a cabo não era tão popular, internet discada (e cara) limitava muito seu uso, não havia smartphones, streamings, tablets, etc, era um pouco mais fácil ficar entediado.


Havia uma pequena biblioteca pública a 20 metros de onde morava, onde passei a frequentar tanto para leitura local, quanto para pegar livros e levar para casa. Esta época muito me ajudou para desenvolvimento pessoal.


Recordo-me que, por vezes, pegava uns 40 a 50 minutos de ônibus num calor danado só para ir até o comércio do meu pai ficar “ajudando” – fazendo nada em silêncio, comendo paçoca ou raramente ajudando em alguma tarefa manual que um adolescente poderia fazer com pouco risco de falha.


Tudo só para passar o tédio.


A grande pergunta que muitos entusiastas FIRE deixam de fazer (ou fazem e não sabem a resposta) é: o que farei após me aposentar?


Há quem ache que uma vida de viagem por tempo indeterminado seja uma boa saída (eu acho, pelo menos é o que estou tentando!); outros ocuparão o tempo com outras formas de trabalho, voluntárias ou remuneradas, outros ficarão 100% encarregados da família, outros farão todas as opções anteriores e muito mais.


Muito se tem falado ultimamente sobre propósito. Que precisamos de propósito para viver, desafios a cumprir, objetivos a atingir. Sem propósito, estaríamos à deriva; acabaríamos entediados e insatisfeitos após tanta luta para alcançarmos uma aposentadoria precoce.


Crescente vem sendo críticas ao movimento FIRE, natural devido ao crescimento da popularidade do mesmo, assim como venho observando alguns blogueiros FIRE mudarem radicalmente de opinião, o que não é um problema. A parte da IF nunca deixará de ter relevância na vida, já que, após obtê-la, é necessário um mínimo de estudo e acompanhamento para mantê-la, além da cordialidade em replicar na internet suas estratégias para tanto. A parte RE é absolutamente reversível, porém. Aqui falo de quem JÁ ERA APOSENTADO e mudou de ideia, não de quem está na jornada e desistiu.


Na blogosfera nacional, tivemos há alguns meses o exemplo do blog do Corey, que simplesmente mandou o conceito FIRE pras cucuias e encerrou o blog. Não sei o que houve depois.


Descobri um post bacana e bem realista do Finumus, um blogueiro inglês que, após 4 anos de aposentadoria precoce, voltou a trabalhar full time. O post completo você encontra aqui, mas, resumindo, a esposa dele seguiu trabalhando e ele virou um dono de casa – o que não é problema algum. Os filhos dele, ótima forma de usar o tempo livre, cresceram e estão na fase (provavelmente pré-adolescência) em que acham a coisa mais chata do mundo passar tempo com o pai. A casa dele está brilhando e não há nada mais para fazer de melhorias após esses 4 anos. Apesar de, por tudo que já li no blog, ele ter se aposentado Fat Fire, mantém uma TSR de 1,5% e, creio que somando o trabalho da esposa e o calendário escolar dos filhos, não consiga sair muito da rotina do próprio lar.


Sentindo falta do burburinho do trabalho e vendo seus ex-colegas de faculdade e trabalho dando entrevistas, esbanjando status, etc (ele formou em uma faculdade em que 90% saem-se muito bem-sucedidos), passou a sentir falta disso tudo. No início da pandemia recebeu de um deles uma oferta de emprego para ganhar menos do que ganhava quando tinha 20 e poucos anos. Topou. O trabalho é remoto, mas fixo (de 9 às 17h). Tudo para sair do tédio que estava.


Quatro anos é um bom tempo para refletir como se quer viver a vida e, principalmente, para mudar e transformar a mentalidade. Fico feliz que esse camarada tenha encontrado satisfação voltando a trabalhar.


Estou sempre buscando contrapontos a meus pensamentos, não só viés de confirmação. Demorei muito para assim pensar e descobrir que é a melhor forma de engrandecer. Não prego (e acho que a grande maioria dos blogueiros FIRE também não) que aposentar cedo seja o melhor caminho à felicidade, que voltar a trabalhar seja um erro, que quem pensa diferente é inferior. Simplesmente foi a rota que escolhi, após muita reflexão, e assim vivo feliz.


Não, não estou entediado e nem consigo ver esse cenário no curto prazo. O título do post é sobre o tema abordado, não meu sentimento atual.


Pode ser que, após 4 anos, como o colega inglês, eu mude de ideia e volte a trabalhar em tempo integral. Pode ser que isso ocorra após 2, 4, 10 ou 30 anos. Ainda estarei em idade produtiva, acredito. Pode ser que nunca ocorra.


Atribuída à Kant: “O sábio pode mudar de opinião; o idiota, nunca.


Abraço

sábado, 26 de dezembro de 2020

Te amo, mas preciso partir.

O ano era 2005. Com 18/19 anos e em meu 2º emprego com carteira assinada, acordava às 6h, tomava café da manhã e, enquanto me arrumava até chegar no trabalho, ouvia o “Transnotícias – o seu Primeiro Programa” na Rádio Transamérica. O programa tomava minha atenção desde o despertar, até o fim da caminhada de 2km para o trabalho (enquanto, feliz, economizava o vale-transporte que tinha direito). Nesta época, aprendi o valor do auto-aperfeiçoamento em diversos campos da vidas, pois os ápices do programa não eram as notícias em si, mas os poucos minutos em que os colunistas passavam ensinamentos e mensagens positivas que até hoje me lembro em boa parte.


No time do programa estavam o mestre Gustavo Cerbasi (hoje conhecido em larga escala, maior referência em educação financeira para mim), Luciano Pires (um dos “desconhecidos” do grande público que mais estimo pelo conteúdo e credibilidade, desde aquela época com o programa-conceito Café Brasil, que acompanho até hoje via podcast e Youtube), Irineu Toledo, Daniel Luz, Renata Leite e José Luiz Tejon. Foi o único programa de rádio em minha vida que tive imenso prazer de ouvir e, a cada dia, me sentia melhor e mais preparado em diversos campos da vida.


Comecei minha jornada nômade passando 12 dias em minha cidade natal, onde ainda tenho a maior parte da família e amigos. Ao mesmo tempo em que lutava contra os receios de não ter mais um lar, estar na minha zona de conforto, onde vivi quase 30 anos de minha existência que passa os 34, ajudou muito a minimizar a inevitável preocupação com os próximos passos da aventura que construí. Justamente à véspera de partir do meu berço, sem data para retorno e com maior dificuldade de visitas esporádicas, lembrei de um texto chamado “Desapego”, declamado por José Luiz Tejon naquele distante 2005 em um dia útil qualquer na rádio. Aqui o transcrevo na íntegra, após muito dificuldade em encontrá-lo:


Eu te amo, mas preciso partir. Ouvintes vocês já viveram a legítima situação do desapego com muito amor. Cair na Real da vida é difícil, por bem. Geralmente caímos na real sob as tempestades, as tsunamis. Quando as coisas estão ruins, falta tudo, o sofrimento é imenso, não é dificil querermos mudar. O incômodo é tão grande que lutamos bravamente para alterar o rumo das coisas. O dificil mesmo é mudar, seguir a sua evolução quando as coisas estão bem. Confortáveis.


Você gosta e até ama muito as situações nas quais está vivendo. Ama seus filhos. Ama sua esposa, seu marido. Ama o seu emprego. Ama a sua casa. Mas, ao mesmo tempo em que você ama tudo isso, e se sente amado, alguma coisa maior lá dentro de você te cutuca, te incomoda, te angustia e te pergunta: você vai parar por aqui? Está tudo ótimo com os seus filhos mas você sente que eles precisam partir. Pegar estrada. Encontrar suas vidas, correr o mundo. O que você faz?


Você os ama. E agora? Precisa dizer eu amo vocês, mas vocês devem partir! Ou você ama e é amado pela outra pessoa. Vivem uma situação confortável. Boa. Mas algo lá dentro de você grita: existem coisas que você ainda não resolveu nas descobertas da sua própria vida. Você vai continuar aqui ou vai começar de novo nessa busca interior? E agora? Você precisa dizer: meu amor, eu te amo, mas eu preciso partir!


A mesma coisa acontece num emprego bom, numa carreira sólida. Você já venceu etapas importantes, conquistou posições. Lutou muito para chegar ali. E agora? Você pode usufruir dessa luta. Mas, novamente, algo lá no fundo de você acorda e grita: Tejon, eu quero aprender mais. Eu preciso saber mais de mim mesmo. Você não pode parar. E o que você faz ? Você diz: eu amo esta empresa, amo a minha posição, mas preciso partir!

Na sua casa, nos seus bens, na sua cidade, em tudo. Nossa vida tem uma jornada. Paramos no meio dessas jornadas, muitas vezes pelo conforto das pousadas que encontramos ao longo do caminho. Ou então, pelo desânimo de continuar botando o pé na estrada. Incomodados, acoçados nos movimentamos. Mas, quando estamos bem, ou pensamos estar bem, estacionamos.


Ao ouvir as vozes da nossa criança, lá dentro de nós, gritando alto... continua, olhá lá, o que vem depois daquela curva, onde é o fim daquele arco-íris, ficamos tomados pela vontade do seguir. E como é dificil ouvinte, seguirmos com amores que ficam para trás. Como é dificil dizer: eu te amo, mas preciso partir! Ao analisarmos bem isso, talvez possamos cair na real. Ao pararmos, o nosso amor pode, sem querer, se transformar em uma parada também para os outros seres amados.


Ao seguirmos pela nossa estrada, podemos estar mostrando para todos os que amamos, que a vida é um continuar. E, desse exemplo maior, uma prova de amor superior existir. Um amor generoso e de realidade com a vida. Podemos seguir juntos nessa estrada? Podemos, se nossas linhas de evolução assim permitirem. Podemos desde que uma vida não anule a outra. Mas, geralmente, na maioria dos casos, as nossas jornadas são individuais. O verdadeiro amor é como linhas paralelas locomovendo-se para o mesmo infinito.

Prepare-se sempre para o desapego. Pelo bem é difícil, mas é inteligente e muito mais nobre.


Em 2017, parti para outra cidade perto o bastante para visitar regularmente, longe o bastante para não o fazer assiduamente. Hoje parto para longe e com destino final desconhecido. 

Nunca é um bom momento para partir; sempre é um bom momento para partir. O cotidiano da família imediata anda conturbado, com minhas avós doentes e dependendo de auxílio 24h, meus pais responsáveis imediatos pelo zelo de suas mães, minha irmã ainda lutando para retornar à estabilidade após um problema súbito e complicado de sanar. Partir significa que não os amo? Claro que não. Carinho e atenção também podem, mesmo que em menor grau, serem prestados à distância. Mesmo que eu morasse no mesmo bairro, tenho cá meus dependentes também para cuidar e não poderia estar diariamente dentro de uma casa que não é minha.

Se não partir agora, quando? Quando minhas avós se forem? Podem levar 2 meses, 2 anos ou 10 anos. Quando acontecer o inevitável, e se forem meus pais a precisarem de ajuda? Daí talvez eu evite mudanças para não atrapalhar a vida escolar e social do(s) filho(s), irei aguardar se formar e sair de casa. Talvez eu que esteja velho para então partir. Talvez amanhã ocorra um evento imprevisível – como com minha irmã, apenas 3 anos mais velha – e eu não possa concretizar meus planos por incapacidade própria.

Parafraseando o escrito por Tejon, minha estrada agora correrá em paralelo, rumo ao infinito, sempre recordando todo amor à minha família. Não fazer o que meu coração manda significará anular minha vida em prol de outra – e eu só tenho uma. 

Abraço 


 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Minimalismo não é frugalidade

Gosto muito de consumir conteúdo sobre minimalismo, assim como (creio) boa parte da comunidade FIRE. Em apertada síntese, meu conceito de minimalismo é não ter coisas supérfluas; valorizar o que se tem, sendo feliz com elas. Nem sempre significa ter poucas coisas – às vezes um carro ou uma cafeteira Nespresso podem não ser supérfluos, desde que tenha VALOR, não só CUSTO.


No meu caso específico, o minimalismo aplicado está em ter poucas coisas. À exceção de alguns itens de valor sentimental e documentos desnecessários ao porte cotidiano, que foram armazenados nas casas dos pais e sogros ACs, todos os pertences da família AC cabem num carro SUV. Abarrotado, mas cabem. Há cerca de 1 ano o estudo do minimalismo foi intensificado e, salvo raras exceções, a compra de novos bens duráveis (roupas, utensílios, brinquedos) foram extremamente conscientes.


O minimalismo é um grande aliado à jornada FIRE, pois, via de regra, traz felicidade com um estilo de vida mais barato, no entanto, regras têm exceções e infelizmente creio me enquadrar.


Mesmo com a intensificação da mentalidade minimalista em mim e na Sra. AC, em 2020 gastamos aproximadamente 140 mil reais, uma média de R$ 11.600,00 por mês. O fato é que as despesas não-recorrentes não deixam de ser frequentes. Havia aluguel, contas de luz, gás, etc. Houve meses que gastamos 4 mil reais só em supermercado e delivery. Houve despesas médicas extraordinárias (cirurgia de miopia), vacinas em clínica particular, teste de COVID particular (R$ 1.050 pra nós 3 aqui).


Fazendo esse balanço de fim de ano eu cheguei à conclusão que minimalismo e frugalidade são conceitos distintos, apesar de próximos. Meus pertences são minimalistas (?), porém minha vida não é frugal. É sustentável, sem dúvidas (apesar de minha remuneração ser variável, em nenhum mês o saldo foi negativo), mas frugal, certamente não.


Talvez você se pergunte “Como uma família de 3 pessoas e 2 cães possui bens limitados a um carro e consegue gastar tanto?”. Também me faço essa pergunta e não sei ao certo a resposta. As duas grandes pistas que tenho são comida e habitação.


Aqui em casa gostamos muito de comida e de comer. Somos da galera que pede o hambúrguer de 40 contos, que compra o suco integral de 15 reais, a salada higienizada e embalada vendida ao triplo do preço de seus insumos, a cerveja artesanal de 20 reais, o café 100% arábico, a castanha de caju caramelada, o presunto de parma. Sim, olhamos e comparamos os preços e, claro, compramos também muita coisa barata, nem tudo é o top da cadeia alimentar (ex: raramente compramos orgânicos por causa do preço). O fato é que não me parece absurdo gastar R$ 150 a R$ 200 numa refeição para dois em um restaurante legal, se o valor da experiência for suficiente. Não recomendo ser assim. Um mês só com refeições em casa (sem delivery) é algo que não me recordo de ter vivido na última década e teria feito uma grande diferença na taxa de poupança se houvesse consistência no médio prazo.


Quanto à habitação, reduzimos drasticamente as despesas saindo da mansão para um apartamento regular de 2 quartos. Um custo de aproximadamente 7 mil por mês caiu para 2,5 mil (todas as despesas de habitação incluídas). Agora na fase nômade, no entanto, começamos a jornada na região Sudeste alugando Airbnbs e o custo médio mensal dos já alugados até agora girou em torno de 6 mil reais, algo que sinceramente compensar nas outras regiões do Brasil, já que, por nossas pesquisas, as opções no Sul, Centro-Oeste e Nordeste parecem ser bem mais baratas. Em que pese meu primeiro apartamento ter 21m² e eu ter sido bem feliz lá, é garantia de aborrecimento e sofrimento viver em algo menor que 50m² na atualidade, com criança e dois cachorros de porte médio.


Acho que o post está fugindo um pouco ao tema e a principal reflexão é: ser minimalista não implica em ser frugal. É bem menos difícil ser minimalista do que ser frugal, na minha opinião. Claro que sempre buscarei limitar despesas para uma vida pós-aposentadoria sustentável no longo prazo, mas a verdade é que, pelo que vivo no presente, reduzir meu orçamento à metade é improvável e impossível sem sacrifícios.


Abraços

sábado, 19 de dezembro de 2020

Prostituta FIRE

 


Com alguma frequência, recebo e-mails com algumas dúvidas e troca de ideias, sempre respondendo no privado, não só pelo caráter mais intimista, como também por ter plena consciência que não tenho capacidade técnica para prestar orientações de forma profissional, sendo meus pitacos mero “achismos” do que eu faria na situação da pessoa. Neste caso, porém, achei o e-mail tão inusitado que pedi autorização à pessoa e ela deixou que eu publicasse aqui no blog o e-mail e minha resposta. Segue então:


Olá Aposente Cedo,


Sem julgamentos, gostaria de sua ajuda para analisar meu caso. Tenho 32 anos e trabalho como acompanhante em São Paulo desde os 20 anos de idade. Talvez pela falta que tive na infância eu sempre me preocupei com não faltar dinheiro e poupar, evitando luxos e despesas desnecessárias, como muitas colegas fazem.

Tenho uma renda mensal em torno de 15 mil e hoje gasto em torno de 6 mil reais. Moro em apartamento próprio avaliado em 300 mil e tenho 400 mil investidos em poupança, FIIs e ações de 4 empresas grandes.

Descobri os blogs de FIRE há pouco tempo e percebi que, mesmo não sabendo que isso existia, sempre pensei que teria de parar de trabalhar no máximo até os 45 anos pela natureza da minha profissão e por não ter cursos ou formação profissional em alguma área que me dê um dinheiro decente. Também me recuso a trabalhar para ganhar menos e meu corpo e idade dificilmente me permitirão manter o nível de ganhos.

Minha pergunta é no que você recomenda investir e se acha que consigo parar de trabalhar até os 40 ou no máximo 45 anos.

Obrigada, K.S.


Olá, K.S.! Antes de tudo, parabéns por sua disciplina e mentalidade poupadora! São poucas as pessoas que, com sua idade, amealharam um patrimônio de 700k e ainda possuem uma consciência de gastos tão boa, além da ótima taxa de poupança. Você é a prova de que ter educação financeira não depende de diploma ou curso formal, basta pesquisar e estudar (bastante) o assunto por conta própria na internet.


Entendo perfeitamente sua preocupação com a impossibilidade/dificuldade de seguir na sua profissão com o passar da idade, me lembrando o que postei sobre algumas profissões que naturalmente geram uma aposentadoria precoce. Creio que seu caso se assemelhe muito a um atleta de alta performance, como um jogador de futebol, por exemplo (com a diferença que não dá pra você virar comentarista ou técnico depois, hehehe).


Como você tem uma bela taxa de poupança, ainda tem pelo menos mais 8 anos na fase de acumulação e também teu seu imóvel próprio, creio ser pouco necessário se preocupar, por enquanto, com geração de renda passiva por si só, já que o recomendado seria reinvestir a totalidade dos dividendos. Uma vez que você não informou o percentual de alocação dos investimentos atuais, irei tomar a liberdade de sugerir uma alocação conforme o valor total do patrimônio, exceto o imóvel.


Dos 400k que você tem investidos hoje, sugiro que mantenha 54k, equivalentes a 9 meses de orçamento mensal, na poupança ou CDB/LCI/LCA de liquidez diária. Minha sugestão é ter um colchão um pouco maior que alguém assalariado porque acredito que sua renda seja relativamente variável, esteja sujeita a quedas expressivas por causa de eventuais lockdowns na pandemia, e ainda possa ficar zerada caso você tenha algum acidente ou doença. As alternativas mais fáceis de aplicar são a poupança ou uma conta no PicPay, que acabou de lançar conta com remuneração automática de 210% do CDI (isso não é uma divulgação patrocinada e sugiro fortemente que estude o risco institucional; eu mesmo não tenho conta no local e não sei maiores informações sobre a empresa ou produto).


Dos 346k de saldo para investir atualmente, sugiro dividir em 4 partes:


1) Investimento em imóvel físico para revenda: como você mora em São Paulo (estou presumindo ser a capital), aproveite o fato de estar em um grande centro urbano e busque contato com imobiliárias ou assessoria especializada em leilões para tentar identificar imóveis abaixo do preço e que possam gerar um lucro razoável de revenda no curto prazo (razoável = a partir de 15% líquido ao ano; curto prazo = até 12 meses). Essa alternativa é pouco popular no universo FIRE, é trabalhosa, envolve muito estudo e aprofundamento no mercado imobiliário, mas tem uma excelente taxa de retorno e baixo risco. Foi assim que construí boa parte de meu patrimônio, conforme relatei aqui. Com 100k a 150k você consegue encontrar algumas oportunidades, especialmente em leilões, se garimpar bem, tiver um bom timing e sorte para ter pouca concorrência.


2) Investimentos alternativos no mercado financeiro: sugiro alocar cerca de 5 a 10% (17k a 34k) em ativos como ouro (ex: OZ1D no homebroker da sua corretora), criptomoeda (ex: bitcoin), fundos de maconha (ex: Vitreo Canabidiol FIA), dentre outros a pesquisar. Sim, todos tem grande volatilidade, mas, no longo prazo, creio serem um exemplo de convexidade, onde se arrisca centenas para ganhar milhares.


3) Ações FIIs: não se limite a blue chips e poucas empresas ou fundos. Procure diversificar as ações em 8 a 12 empresas ou, melhor e mais fácil ainda, dois ou três ETFs (ex: IVVB11, BOVA11, DIVO11). Idem para FIIs, procure diversificar os tipos (tijolo, híbrido, papel e logística – não recomendo shopping puro no momento) ou coloque em FOFs (exs: KISU11 e IFIE11).


4) Fundo multimercado: apesar das muitas críticas sobre taxa de administração, ainda acho conveniente e válido investir em fundos vendidos nas plataformas de corretoras, especialmente para multimercados que fazem um mix de renda fixa (normalmente títulos do Tesouro) e renda variável (ações e derivativos), obtendo um resultado médio acima da renda fixa no cenário atual e com uma volatilidade aceitável. Gosto de estudar esses fundos, inicialmente, por este site.


Caso goste da ideia, investir diretamente no exterior, abrindo uma conta em corretora norte-americana, também é uma boa pedida, especialmente em ETFs.


Nunca deixe de estudar todo o possível ANTES de investir em qualquer coisa: taxas de administração, impostos, riscos, documentação e procedimentos fiscais (declaração de IRPF, pagamento de DARFs sobre ganho de capital, etc) para evitar prejuízos e dores de cabeça.


Sugiro usar seus aportes mensais para ir, com eles, rebalanceando a carteira, aportando proporcionalmente mais nos investimentos que caíram no mês anterior.


Abraço e sucesso.

domingo, 13 de dezembro de 2020

#2 – NômadeTBT - França e Mônaco

 

Estou ligado que TBT tinha que ser quinta-feira, permita-me postar com delay. A dois dias de sair da minha casa, já quase sem móveis, e iniciar a aventura nômade, resolvi trazer aqui um outro mundo:



FRANÇA e MÔNACO

– Passei cerca de 30 dias na região em duas viagens diferentes. É um outro planeta, comparando com Brasil e mesmo com outros locais da Europa.


1) Mônaco: tenho impressão que ficou famoso no Brasil pelo GP de Fórmula 1 (pelo menos assim foi pra mim). É outro planeta, inexiste lixo na rua, o piso de algumas áreas públicas é de mármore, tem elevadores públicos em locais com inclinação, o lugar tem um ar diferente (parece que se paga pra respirar). Com esforço, dá pra conhecer todos os bairros do principado/país em um só dia (o mais famoso é Monte Carlo, ontem tem o circuito da F1, o cassino e o shopping).


-Lazer: apreciar a linda vista pro Mar Mediterrâneo, jardins inúmeros, cassino, festas, troca de guarda da realeza, inúmeras possibilidades ao longo da Côte D’Azur (a região da França que vai de Cannes até a fronteira leste com a Itália, toda a uma curta distância entre cidades com muito valor cultural e de lazer).

-Cultura: história do principado, alguns museus interessantes, arte e arquitetura europeia na região.

-Moraria: sem dúvida, faltam só alguns milhões de euros na conta.

-Voltaria: sim.


2) Côte D’Azur: região já explicada acima, tendo Nice como a maior cidade de todas (e a 3ª maior da França). Praticamente tudo igual ao relatado em Mônaco, mas com menos glamour e luxo, contando com maior diversidade de classe social (porém ainda bastante alta no geral) e muito o que fazer e conhecer na região. Menos caro que Mônaco, porém a França, no geral, é um país bem caro para se morar, sendo essa região possivelmente a mais cara, até mesmo que Paris.


3) Paris: lazer e cultura infinitos. Voltaria, mas não moraria – muita gente a toda hora em todo lugar, até mesmo nos bairros (arrondissements) mais distantes do Centro. Chega a ser agoniante de tanta gente. Ir até Versailles conhecer o palácio é fundamental.


A França, no geral, é um país que muito me agradou e tenho vontade de morar lá, especialmente no litoral sul, em razão do clima mais ameno. É um país grande territorialmente e com notáveis diferenças culturais entre a região de Paris, Normandia, Marselha, Nice e Lyon. Ir a Paris e dizer que conhece a França é como ir a São Paulo e dizer que conhece o Brasil (idem para a população – os franceses fora de Paris costumam ter menos ar de superioridade). Com tempo e dinheiro, vale conhecer as muitas regiões (passei somente dois dias no Vale do Loire/região de Champagne e preferi não opinar, não tirei conclusões).


Usando sites comparadores de custo como o Numbeo, o mesmo custo/qualidade de vida com R$ 10.000,00 em São Paulo custaria R$ 26.000,00 na Côte D’Azur. A título comparativo, na grande Lisboa, no sul da Espanha ou no norte da Italia essa mesma comparação seria em torno de R$ 17.000,00, ou seja, mesmo dentre os países europeus, a França se destaca pela despesa acentuada.



Abraço



segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Aniversário de 1 ano do blog!


 

Olá amigo(a) leitor(a)! Hoje o blog faz 1 ano de existência e há muito o que comemorar.


Após descobrir o universo FIRE, fui apenas leitor voraz por mais de 1 ano, quando então comecei a fazer comentários nos blogs que conhecia e enviar e-mails com trocas de ideias para alguns. Numa dessas, acabei sendo entrevistado pelo Sr. IF com uma boa repercussão, o que me estimulou a criar este blog aqui.


Por sua vez, o blog me fez estreitar os laços com outros membros da comunidade que hoje considero amigos, como o Sapien Livre, o Thiago da Escola Para Investidores, a Yuka, o Thiago de um extinto blog FIRE, agora autor do podcast InglêsEverywhere, além de muitos outros colegas que estão sempre trocando ideias, como Sr. IF, Vagabundo, Scant, Poupador do Interior, BP Milhão, Mente Investidora (blog extinto), Stark, MJ, One, Menos do Que Ganha, Sempre Sábado e outros (não consigo lembrar todo mundo).


Sempre gostei de comédia e lembro de um episódio de Seinfeld em que ele falava que, enquanto crianças, fazer amigos é muito fácil: “Você gosta de groselha? - Sim, gosto. Ótimo, vamos ser amigos então!”. Nós, adultos, temos uma dificuldade bem maior para criar novos vínculos não-amorosos, sempre com desconfianças, preconceitos e pré-conceitos. A galerinha FIRE no geral não demonstra esse ranço adulto e costuma se unir, trocando conhecimentos não só de finanças, mas psicológicos, de vida, experiências, etc. Tem branco, preto, amarelo, hétero, homo, gordo, magro, maromba, pobre, rico, assalariado, autônomo, servidor público, empresário, urbano, rural, gente do MT, AM, RJ, SP, RN, BA, SC, RS, PR, GO, do exterior, aposentada, trabalhadora, estudante, desempregado… Fico feliz em me sentir parte dessa comunidade e o blog, sem dúvidas, contribuiu muito para isso.


Na parte financeira, nesses 12 meses de blog, o patrimônio aumentou 19,60%, sendo que, desse acréscimo, 56% foi de renda ativa e 44% de renda passiva. A renda passiva do período foi superior a 2x meu orçamento doméstico e meu orçamento equivaleria a uma TSR de 4% ao ano, ou seja, se eu tivesse deixado de trabalhar há 1 ano, teria sobrevivido razoavelmente bem para um primeiro ano FIRE, especialmente se levarmos em conta que 3/4 do período foram já com uma pandemia em curso. As trocas de experiência sem dúvidas muito contribuíram para esse resultado.


Falando de estatísticas, foram 380 comentários, dos quais provavelmente metade foram respostas minhas. A renda com o blog foi – R$ 100,00, referente aos dois anos de domínio .com que paguei – o blog não é monetizado e não tem propagandas. Houve 37.571 visualizações em 38 postagens.

Os posts mais acessados foram “Trajetória do Aposente Cedo” (5 mil views), “O fim do capricho” (2,14 mil), “Offshore para investir no exterior” (2,11 mil) e “MAXIMALISMO: da quitinete à mansão” (2,11 mil). 

O que mais gostei de escrever e que gostaria que mais gente soubesse foi "Doar sem gastar", pois é o tema que mais gera impacto social imediato - muitos amigos blogueiros acima fizeram questão de compartilhar em seus próprios blogs e vi comentários em todos de pessoas que não sabiam e já esse ano ajudaram alguma instituição filantrópica sem gastarem um real sequer.


Quanto à vida pessoal, certamente a pandemia transformou muitas vidas e aqui não foi diferente. Meu trabalho já era 80% de home office há alguns anos e se tornou 100%. Home office = 100% do tempo com a companheira = possibilidade de atritos. A parte amorosa foi razoavelmente tranquila pra mim. A convivência com vizinhos foi terrível: gritaria de crianças e adultos em horários inconvenientes e uma falta de civilidade pouco esperada para um “novo mundo em que o melhor iria aflorar nas pessoas”.

Aproveitei o tempo livre do início da quarentena para fazer vários cursos nos mais diversos temas e ler livros. Tentei substituir a renda ativa que baixou quase a zero pela profissão de “trader”, bem sucedida nas primeiras semanas e com uma consistência de ganhos nas posteriores, mas um custo de stress muito grande. Em setembro, já com minhas vaquinhas voltando a dar leite com boa frequência, abandonei de vez os trades e voltei ao buy and hold.

Transformei minha carteira 100% com foco em ganho de capital para 40% focada em geração de renda imediata e desejando aumentar esse percentual até a casa dos 60%, no mínimo, e 80% no máximo.

Vivi momentos de tensão com problemas de saúde na família (até um dos cachorros aqui operou), todos se encaminhando para um final feliz.

Conversei com amigos que não falava há tempos e tive papos mais profundos com o que tenho contato frequente. A quarentena gerou uma compaixão coletiva imediata, porém, no fim, todos voltaram a focar em suas próprias vidas, como sempre foi o mundo.

Tive de ter flexibilidade de trocar meus planos de morar no exterior já no final de 2020 (um sonho que estava moldado com detalhes há tempos) por levar uma vida nômade dentro do Brasil (e hoje já sou apaixonado pelo meu novo plano A).

Decidi não chutar o balde de uma vez dos meus trabalhos, mas já consegui reduzir bem a carga horária, com previsão de reduzir ainda mais em menos de um mês. Meu conceito de aposentadoria mudou de “não fazer nada produtivo que gere renda” para “não deixar de fazer nada que gostaria por falta de tempo”.


Obrigado a todos os leitores e… faltam 8 dias para a aposentadoria!

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

VidaNômadeTBT - #1


 

Conforme postei aqui, estou indefinidamente sem residência fixa. Não sou adepto de redes sociais e uma das razões é a preocupação em mostrar o que se parece estar vivendo, ao invés de aproveitar o momento de fato. Assim, dificilmente irei comentar em tempo real minhas experiências nômades, mas não deixarei de postar aqui minhas impressões sobre cada local que visitar, especialmente sobre o ponto de vista para moradia em família, evitando a pegada “blog de viagem” e buscando traduzir a vida de um residente local.

 

Para inaugurar essa série de posts (serão alternados com posts financeiros e afins), inicio passando impressões PESSOAIS sobre alguns lugares que já visitei, ressaltando que não tinha a mesma visão que hoje tenho, tampouco podem se aplicar ao presente mundo pandêmico:


BAHIA


1) Jequié: passei 3 dias nesta cidade do interior, que ganhou notoriedade quando o prefeito distribuiu mochilas gigantes para as crianças.


-Lazer: há uma barragem no local que parece ser o point.

-Cultura: não identifiquei nenhuma cena cultural ou marco histórico.

-Moraria: não. Parece carecer de serviços e estrutura.

-Voltaria: não.


2) Praia do Forte/Costa do Sauípe: passei cerca de 15 dias, em viagens diferentes, na região.

Praia do Forte é uma vila amigável com praias bonitas e clima muito descontraído, além de uma boa sensação de segurança (ao menos na área turística, que parece ser quase a totalidade).

Sauípe é uma invenção de empresários (como Porto Seguro), com estrutura de resort totalmente comerciais e a preços inflados. Há praias mais bonitas em que se paga muito menos e se obtém muito mais.


-Lazer: praias, meia dúzia de bar/restaurante com música, possíveis atividades relacionadas a praia (jet-ski, caiaque, barco, etc).

-Cultura: não identifiquei nenhuma cena cultural ou marco histórico.

-Moraria: não, estrutura pra moradia com criança (escolas e hospitais de qualidade) parece inexistente.

-Voltaria: sim, mas só depois de ver muita coisa diferente no mundo ou se já estivesse de passagem perto.


3) Salvador: aprazível e maior do que imaginava, possui grande abismo social entre os bairros de classe alta (Vitória, Barra, Ondina) para os de classe média e baixa. Acho que todo brasileiro deveria conhecer essa capital querida que tem tantos atrativos.


-Lazer: muitas praias na cidade e no litoral próximo (como Praia do Forte, por exemplo), muitas opções de restaurantes, shows, carnaval (é claro), shoppings, e o que mais se espera de uma grande capital.

-Cultura: shows nacionais frequentes, cena teatral considerável, inúmeros marcos históricos, bonitos e importantes, além de o próprio povo ser uma figura cultural.

-Moraria: sim, tem boa estrutura na área privada. Do que já conheci, seria minha primeira opção na região Nordeste, incluindo cidades pequenas e médias.

 

4) Morro de São Paulo: paradisíaca ilha a cerca de 2h30m de barco a partir de Salvador. Um dos lugares mais bonitos que já visitei.


-Lazer: praias, meia dúzia de bar/restaurante com música, possíveis atividades relacionadas a praia (jet-ski, caiaque, barco, etc).

-Cultura: não identifiquei nenhuma cena cultural ou marco histórico.

-Moraria: não, estrutura pra moradia com criança (escolas e hospitais de qualidade) parece inexistente.

-Voltaria: sim, agora mesmo se fosse possível.

 

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E aí, gostou do tipo de post? Adoraria ler seu feedback nos comentários abaixo.


Abraço



quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Órfão FIRE

 

Tenho um amigo que, infelizmente, perdeu os pais e avós antes dos 20 anos, herdando 5 imóveis. Um imóvel ele utiliza para morar e os outros 4 mantém alugados – os familiares já utilizavam para renda, trabalharam arduamente para construírem este patrimônio.


Meu amigo, todavia, nunca trabalhou arduamente. Com mais de 30 anos, tem no currículo 4 cursos universitários incompletos (nada “tocou seu coração”) e dois estágios, cada um com cerca de 8 meses de duração (sempre saiu porque “estava sendo prejudicado”).


Até hoje reflito minha opinião sobre ele. Passa a maior parte de seus dias vendo TV e ouvindo música, nunca fez cursos livres, buscou se aperfeiçoar pessoal ou profissionalmente (em qualquer área que seja) e, todavia, é um pessimista inveterado, não havendo um diálogo sequer que eu trave com ele em que não reclame de algo (nem que seja do clima ou da política). Não sabe fazer uma declaração de imposto de renda e não faz noção de como manter um imóvel sob qualquer ótica: estrutural, contábil ou jurídica, sempre terceirizando tais atividades (e gastando com isso), mesmo sendo esta a única fonte de renda dele há quase 20 anos.


O fato é que ele recebe uma grana razoável dos aluguéis e tem um padrão de classe média confortável, apesar de não ter grandes luxos. Gasta praticamente tudo que recebe e, nas raras vezes que sobra alguma grana, não faz ideia de como investi-la.


Ele é muito honesto e de bom coração, um grande amigo, mas decidiu não aprender nada do mundo profissional, das finanças ou do autoconhecimento.


Estou narrando tudo isso para uma reflexão coletiva, amigo leitor. De longe, ele não é um sortudo, pois não ter nenhum ascendente desde jovem é uma grande lástima. Tive oportunidade de conhecer os pais e avôs dele e posso afirmar que todos batalharam muito para construção do patrimônio e o fizeram com o intuito de dar uma vida melhor aos filhos e netos – o que conseguiram.


Desde o início da vida adulta, o amigo recebe renda passiva mais suficiente a uma vida confortável e nunca procurou maximizar essa renda nem gerar alguma forma de renda ativa, se enganando (e enganando alguns, por um tempo) de que suas várias faculdades iniciadas iriam lhe trazer uma “carreira” e um “trabalho”, quando fica nítido que nunca foi intenção dele cursar nada (ele está há mais de 18 anos “na faculdade”).


O universo FIRE teria salvado a vida desse amigo há 20 anos, pois ele não se sentiria nessa obrigação social e moral de fazer uma faculdade e ter um emprego, a qual, em contraponto com seu desejo mais íntimo de não fazer nada, só lhe causou prejuízo psicológico e financeiro (todas as faculdades cursadas eram privadas).


Está tudo bem, meu amigo! Não é vergonha não trabalhar e não ter um diploma! Liberte-se do que os outros pensam, ninguém paga suas contas!


Já tentei inúmera vezes abordar o assunto de planejamento financeiro com ele (e ele sabe que eu entendo um pouco disso), mas ele sempre desvia do assunto e não demonstra nem querer saber, já que teve sua renda garantida do jeito próprio. De minha parte então, resta torcer para que sua renda passiva sempre acompanhe seus gastos e padrão de vida, na medida em que muito triste será vê-lo ter que vender um imóvel após o outro para suprir gastos previsíveis (que ele não terá previsto, mas irá jurar que eram cisnes negros) durante a velhice.


Conto a história acima porque é muito comum vermos histórias de nascidos em berço de ouro que sempre foram playboys ou preparados desde a infância para assumirem a presidência da empresa do pai, mas não dá mídia histórias de um órfão de classe média que passa boa parte da vida infeliz por mera pressão social.


Abraço

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Vaca não dá leite

 

Provavelmente você já leu ou ouviu o texto “Vaca não dá leite”, do Prof. Mario Sergio Cortella. Se você não conhece, pare tudo e assista:


O poder dos juros compostos nos investimentos é inquestionável, porém, para uma aposentadoria antecipada, muitas vezes o tempo – que faz boa parte do milagre da curva de crescimento – não é suficiente para atingir o número mágico de patrimônio. A solução: trabalho.


Trabalho é a renda ativa produzida, a troca do nosso tempo de vida para obter dinheiro e trocá-lo por produtos, serviços ou experiências que não podemos criar sozinhos (se não o dinheiro seria desnecessário). É importantíssimo frisar a importância de usarmos de forma inteligente o tempo de trabalho.


Um vigia de condomínio, por exemplo, costuma ter turnos de 12h em escala 12 x 36 e, não raro, possui mais de um emprego. Imagine então que o vigia do seu prédio, por exemplo, tem dois empregos, trabalhando 12h por dia de segunda a sábado, totalizando 60h por semana. Supondo que ele receba R$ 2.000,00 líquidos em cada emprego, receberá, portanto, R$ 4.000,00 por mês para uma carga horária expressiva de 60h. Quanto você ganharia trabalhando 60h? Seja fazendo horas extras ou produzindo mais (para empreendedores ou autônomos)? Grosso modo, se você trabalha de 8h às 17h, trabalha 40h, portanto, ganharia, no mínimo, 50% a mais (sem contar com adicionais legais). Para tanto, é fundamental aprender, se qualificar e criar bem a sua “vaca” (voltando ao texto do Cortella).


Logo que saí da faculdade comecei a criar meu bezerrinho, alimentando ele dia após dia, enquanto ainda ajudava a engordar a vaca de um empregador. Com muita dedicação e horas de trabalho, o bezerro foi crescendo e começou a dar leite suficiente para eu largar a segurança do “leite fixo” de um patrão e me sustentar só com o meu leite eventual. Após uma década, a vaca criada com muito carinho e horas de dedicação deu cria e nasceu um bezerro, hoje já em fase adulta e também “dando leite”.


Quem é empreendedor, autônomo, profissional liberal, etc, sabe o orgulho que dá ter um cartão com o nome da sua empresa, um imóvel alugado, um site próprio, o reconhecimento dos clientes. Não é que não tenha tido ajuda pelo caminho, mas não fosse meu empenho em criar minhas vacas, hoje eu não poderia tomar a decisão de uma aposentadoria precoce, mesmo que parcial.


Esse é o problema: aposentar é matar minha vaca.


Ainda vou manter meu bezerrão, mais jovem e que dá menos leite, mas que também exige menos horas de trabalho, como minha rede de segurança no início da aposentadoria. Matar minha vaca, que eu vi nascer, crescer, se alimentar e ficar robusta é uma decisão muito difícil. Por mais que já tenha tentado me colocado no lugar do FIREe empregado, não consigo deixar de imaginar que pedir demissão de um emprego formal é bem menos difícil que matar a vaca que você próprio criou.


Chegando cada vez mais perto da próxima etapa da minha vida profissional e pessoal, a dor por ter que matar minha vaca só aumenta. Depois de matar a vaca eu sei que ainda terei que fazer o churrasco dela, tendo trabalho e bônus, mas será um caminho sem volta – criar uma outra vaca desde pequena me parece ser mais difícil que buscar um emprego trabalhando na vaca dos outros, se for preciso no futuro.

Com o coração apertado e caminhando pra guilhotina puxando minha vaca pela corda, tenho certeza que tudo dará certo.


Abraço



sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Estratégia definitiva para Investir no Exterior

Nos últimos 2 anos houve grande popularização e incentivo a investimentos no exterior, por razões que não convém abordar. Youtubbers, blogueiros, sites de finanças, casas de análise e corretoras com operações no exterior bombardearam a necessidade de diversificação, mitigação do risco-Brasil e exposição a moeda forte. Com o início em outubro/2020 da livre negociação de BDRs para qualquer investidor, o tema voltou à pauta mais forte que nunca.


Como já postei aqui, invisto no exterior através de pessoa jurídica sediada em país com tributação favorecida e, na minha opinião, a partir de 100 mil dólares investidos já deve-se fazer contas se compensa a abertura da offshore. E para quem ainda tem menos ou concluiu que só vale a pena abrir a offshore com um valor maior? Minha sugestão de estratégia definitiva:


1) Se você deseja investir em ações ou REITs individuais que tenham suas respectivas BDRs: compre BDRs;


2) Se você deseja investir em ETFs ou ativos que não tenham BDRs: abra conta numa corretora americana e invista por lá para esses ativos.


Resumo: só não compre BDRs para os ativos que não estiverem disponíveis – comprando os mesmos diretamente no exterior. Quando tiver 100k dólar de patrimônio, faça estudos e projeções para ver se compensa a abertura e manutenção de offshore, diante de seus benefícios (diferimento de IR e menor imposto sobre herança) e custos.


Para quem quer diversificar a carteira no exterior, a estratégia acima é uma ótima pedida, já que os ativos no exterior tem isenção de imposto sobre herança até 60k dólares e sua posição em BDR não seria levada em conta para base de cálculo de herança no exterior (somente no Brasil, cujo imposto é menor). A estratégia também atende muito bem quem gosta de, além de acumular os ativos, fazer trades no exterior, já que fica muito mais fácil não ultrapassar a isenção de IR sobre vendas até 35k.

Além disso, a estratégia visa eliminar o “limbo” entre quem tem mais de 60k dólares investidos no exterior, porém menos que o considerado válido para investir via offshore.


Gostou da estratégia? Adoraria ler suas críticas e comentários abaixo para poder refiná-la ainda mais.


Ajude também a divulgar o post para quem ainda está indeciso em como investir no exterior.


Abraço

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Enfim, nômade!

Caso ainda não tenha ficado claro, meu plano pós-fire (que virou semi-fire em razão de eventos ocorridos esse ano) sempre foi virar nômade.


O plano original, traçado há cerca de 2 anos, era morar alguns meses no Uruguai e cerca de 2 anos na Europa, iniciando em dezembro de 2020.


A pandemia fechou as fronteiras para turistas e, pelas minhas pesquisas, é provável que reabram no Uruguai até o final do ano, mas com inúmeras restrições, e na Europa a perspectiva (ao menos para brasileiros) é para o segundo semestre de 2021.


Como aprendi com o bate-papo no podcast do Sr. IF365, gravado em setembro/2019, quando achava que meu planos eram sólidos, flexibilidade é o mais importante para a vida FIRE.


Mesmo com as fronteiras abertas, o câmbio do euro a praticamente R$ 7,00 deu uma bela desanimada na experiência europeia, já que o intuito era adquirir experiência da cultura local para, gostando, morar lá.


Conforme algumas comparações de custo de vida que realizei confrontando Rio e São Paulo com algumas cidades de interesse para possível moradia na Europa, para um mesmo padrão de vida lá, a cidade mais barata teria um custo 80% maior e a mais cara 160% maior, isto é, o padrão de vida com R$ 10.000,00 em São Paulo teria um custo de R$ 26.000,00 em algumas cidades européias. Viva o câmbio!


Não é que o sonho europeu tenha acabado, até porque, tão logo as fronteiras reabram, pretendo carregar a família para passar pelo menos 18 meses no velho continente, mas o fator “custo de vida” terá ainda mais peso na hora de decidir aonde estacionarmos após os próximos 30 meses na estrada.


Enfim, adotei a flexibilidade e em dezembro começará a jornada: todos os bens da família caberão dentro de um carro SUV (à exceção de poucos itens sentimentais que ficarão nas casas dos meus pais e sogros) e, oficialmente, não terei mais residência fixa. As três primeiras paradas já tem reserva feita, até meados de fevereiro/2021.


Uma dificuldade será mudar meu pensamento em definitivo para não ficar buscando trabalho quando há tempo livre (o que ainda faço atualmente) e delegar para meus parceiros tudo que surgir sem nem saber do que se trata (hoje eu faço um funil 90% das vezes). Espero que consiga e me ocupe em NÃO trabalhar não só nos primeiros dias em cada cidade (já que com turismo e guloseimas eu consigo me distrair fácil).


Prometo que seguirei atualizando o blog em tempo quase real dos lugares que eu passar e dividir um pouco das experiências, especialmente sob a ótica FIRE.


Falando em finanças, me aposento parcialmente com patrimônio abaixo do pretendido, porém com ativos de renda passiva (FIIs, FIPs e ações pagadores de dividendos) já estou conseguindo receber cerca de 60% dos gastos mensais (custo no Brasil) alocando cerca de 20% do patrimônio. O plano é dobrar ambos os números (rendimentos passivos recorrentes e alocação de patrimônio) em menos de 1 ano, de modo que a renda passiva ultrapasse as despesas mensais, ao passo que de 50 a 60% do patrimônio sirva para ganho de capital (batendo a inflação de sobra, espero) através de investimentos diversos: imóveis, investimentos no exterior, previdências e fundos multi-estratégias, nesta exata ordem de importância (frente à minha experiência em cada).


Abraços a todos!

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Cirurgia de miopia

 

Olá, pessoal!


Faz 1 mês do meu último artigo escrito “em tempo real”, o último (“inflação!) era um excerto de um livro que havia começado a escrever há uns anos e estou dando continuidade a passos de formiga.


Minha ausência tiveram algumas razões: final de agosto o mundo deu uma leve desabada com a descoberta de um tumor maligno em minha mãe. Nesses 30 dias de interregno, porém, muita coisa boa aconteceu: mamãe operou, passa bem e a chance de cura total é 99%; irmã operou, passa bem e está se recuperando conforme o esperado (a recuperação total demora alguns meses); vovó passa bem e será submetida a nova cirurgia ainda esse mês, com bom prognóstico.


Como sou adepto da filosofia do “já que estou na lama, vou dar braçada”, fiz uma cirurgia para correção de miopia e astigmatismo também em meados de setembro, ficando com a visão muuuito ruim durante os 10 dias seguintes e, desde então, venho melhorando 1% a cada dia. Ainda vejo um pouco embaçado e sem foco tanto para muito perto quanto para muito longe, mas o médico disse ser absolutamente normal e que a cicatrização total (e efetividade da cirurgia) pode levar até 90 dias para ficar 100%. Apesar de meu grau para astigmatismo ser mínimo (0,5) e de miopia relativamente pequeno (1,75), eram o suficiente para eu não ver o número de um ônibus de longe, ter de assistir filme de óculos, usar para dirigir, dentre outras atividades que não são tão rotineiras pra mim, porém, já perdi oportunidades de aproveitar a vida (ou mesmo de me ferrar) por não estar com os óculos à mão.


Falando em finanças, em razão do grau ser abaixo do mínimo que o plano de saúde é obrigado a cobrir (acho que é só de 6 graus pra cima), paguei a bagatela de R$ 400,00 de consulta + R$ 6.000,00 da cirurgia (3k por olho) + R$ 420,00 (até o momento) de remédios (4 tipos de colírios diferentes, um deles que já estou no terceiro frasco) = R$ 6.820,00. O preço de uma moto de 125c, uma bike elétrica moderninha, uma bela viagem nacional para um casal ou algo assim. Pra mim, fora um belo investimento.


Não sei se tenho um ponto a chegar com esse post, mas fica a reflexão sobre a importância de nunca deixarmos de investir em nossa saúde. Conheço gente que perde essa grana em um trade de poucos minutos, em cerveja ou delivery de comida em menos de um semestre. Eu já pesquisava/pretendia fazer essa cirurgia há mais de 10 anos e nunca fiz por falta de tempo, prioridade e muquiranice, até que percebi quão idiota era o argumento financeiro e que era só organizar um pouco o trabalho para me permitir ficar menos tempo olhando pra telas após a cirurgia (não há nenhuma restrição médica, simplesmente estava impossível pela dor que a luz causava e pela dificuldade gigantesca de leitura).


Abraços e estou voltando aos comentários dos blogs amigos!

sábado, 26 de setembro de 2020

Inflação

 

Inflação

Segundo o Banco Central do Brasil (https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/oqueinflacao), “Inflação é o aumento dos preços de bens e serviços. Ela implica diminuição do poder de compra da moeda. A inflação é medida pelos índices de preços. O Brasil tem vários índices de preços. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o índice utilizado no sistema de metas para a inflação.”

Isso afeta sua AP na medida em que seu custo de vida hoje (agora você sabe, pois fez seu orçamento) certamente será maior no futuro, aumentando gradualmente. Apesar dos 25 anos do plano Real enquanto escrevo este livro, o Brasil ainda sofre com uma inflação muito superior a de países com maior estabilidade econômica. Como exemplo, comparemos o principal índice de inflação dos Estados Unidos da América (CPI) e do Brasil (IPCA) de julho/1994 (início do plano Real) a junho de 2018:


Enquanto nos Estados Unidos, a inflação acumulada nesse período foi de 69,04%, no Brasil ela foi de incríveis 450,74%. Isso significa que, se em julho/1994 um quilo de carne custava R$ 10,00 no Brasil e US$ 10,00 nos EUA, em junho/2018 o mesmo quilo de carne custava R$ 45,07 no Brasil e US$ 16,90.

Isso também significa que, se em 1994 você precisava de R$ 2.200,00 para viver mensalmente no Brasil, em 2018 você precisaria de R$ 12.116,28 para manter o mesmo padrão de vida, isto é, em 24 anos o custo de vida aumentou 5,5074 vezes!

Pra um FIRE aposentado com 40 anos com uma TSR mensal de R$15.000,00 (seguindo a regra dos 4%), por exemplo, seguindo o histórico de inflação desde o plano real, aos 88 anos teria de ter uma renda mensal de R$ 82.611,00 para manter o mesmo poder de compra do início da aposentadoria!!!

Quanto maior o tempo de aposentadoria e a expectativa de vida, mais conservador tem de ser o FIRE pra não correr o risco de, no final da vida, quando possuirá mais despesas médicas e menos força de trabalho, ficar sem capital.

Olho na inflação!