quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Falta de ambição

Era setembro/2020 e eu confidenciava a um amigo próximo que iniciaria minha aposentadoria precoce muito em breve. Ele, formado na mesma área que eu, questionava: “por que você vai parar no auge financeiro?”


De fato, nos últimos 10 anos as receitas profissionais de minha principal atividade cresceram. O número de clientes e demandas era cada vez maior. Meu amigo sabia disso tudo e ficou intrigado com minha decisão. Falei em valores nominais de patrimônio e de expectativa de renda pós RE, quando ele levantou a seguinte questão: “Nosso amigo Fulano acabou de voltar de uma viagem das Ilhas Maldivas, gastou 40k em 1 semana. Com essa grana aí que você pretende viver, nunca poderá ir às Maldivas!”. Era verdade o que ele dizia. Preciso eu, todavia, ir às Maldivas para ser feliz?


Todos nós temos as próprias ambições e, não raro, uma delas é “conhecer o mundo”. A vida é uma só e não há tempo hábil para conhecer todas as cidades do mundo, ler todos os livros, ouvir todas as músicas, namorar todas as pessoas que passarem por sua vida. É preciso selecionar e ser feliz com suas escolhas, mesmo as erradas, já que estas te ensinam quais são as certas.


Provavelmente eu nunca irei às Maldivas, terei uma Pajero 0km, uma lancha, uma casa de praia pé na areia num destino badalado ou um harém de playmates. Valeria a pena trocar algumas décadas de trabalho por isso? Na concepção do meu amigo, sim, seria válido trabalhar full time a vida toda para aproveitar 20-30 dias de férias por anos e alguns finais de semana com esse estilo de vida (caso alcançado, ele bem sabe que ainda haveria incerteza de atingir esse patamar!).


Da mesma forma que ele deixou nítido que, naquele momento, me achava sem ambição e não compreendia o porquê de eu tirar o pé do acelerador, eu também não compreendia a razão de ele optar por chegar a um nível financeiro (de gastos, não necessariamente de acúmulo patrimonial) em troca de muitos mais anos de trabalho. Espero que um dia ele descubra que tem o suficiente.


Talvez eu nunca vá às Maldivas, mas, amigo, Tibau do Sul é um barato!


Abraço

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

#2 – Nômade – Petrópolis/RJ

Morei 3 anos em Petrópolis/RJ. Conhecida por ser o destino de férias de D. Pedro I e II, Princesa Isabel e família real, tem um clima bem mais agradável que o Rio, mesmo estando a 65 km de distância apenas. Grande em extensão, a paisagem varia desde um centro bem comercial, com residências misturadas, a sítios e grandes condomínios em bairros mais afastados (Itaipava, Secretário, Pedro do Rio, dentre outros).


É um bom lugar para turistar (inclusive de bate-volta para quem está no Rio) e também um ótimo ponto de partida para um carioca que deseja implementar o home office, mas tem receio de ficar longe da capital, seja por causa do trabalho ou de lazer. Ao menos foi o que fiz (adotei o home office como regra em 2016 e mudei pra Petrópolis no ano seguinte).


-Lazer: para um turista, há coisas a fazer durante 15 dias, no muito. Um residente rapidamente fica entediado.

-Cultura: história do Brasil entre monarquia e república e nada mais (o que já é bem interessante, diga-se de passagem).

-Moraria novamente: provavelmente não. Serviços deficitários para uma cidade de porte médio-grande (~300k habitantes), problemas de trânsito e enchentes habituais. Povo menos simpático que no Rio capital. 3 anos foram o bastante.

-Voltaria: sim, é um lugar agradável e o clima serrano é excelente para variar o nível do mar.

- Custo de vida: muito próximo ao do Rio de Janeiro, à exceção de moradia, levemente mais barata.

 

Abraço



sábado, 20 de fevereiro de 2021

#Nômade - Rio de Janeiro/RJ

Conforme postei aqui, estou indefinidamente sem residência fixa. Sem delongas, vamos à minha opinião sobre a cidade do título:


RIO DE JANEIRO/RJ


Morei a maior parte da vida no Rio, um local de muitas realidades. Classe média, frequentei desde o baile funk na favela, com gente dando rito pro alto por diversão, quanto noitada de playboy que custava R$ 30 uma long neck de skol (claro que eu bebia gummy na porta antes de entrar na boate). Sim, tem violência, todo mundo que conheço do Rio já foi roubado ou furtado uma ou mais vezes, tem mendigo na rua, tem sujeira, tem tudo que uma grane capital tem, mas também tem uma beleza incomparável, além de pessoas amigáveis no geral (questão que vem se mostrando bastante relevante nesta minha vida nômade).


-Lazer: bastante, especialmente se você tiver boa condição financeira e/ou residir na Zona Sul ou Barra.

-Cultura: bastante, muitos pontos interessantes para conhecer e visitar, inclusive muitos pouco explorados pelos próprios cariocas.

-Moraria novamente: provavelmente não. Com muitos amigos e alguma família ainda lá, é sempre tentador. O custo de vida familiar (boa escola, bom plano de saúde, bom local para morar) é bastante elevado, o que poria em xeque o planejamento FIRE ou me daria preocupações desnecessárias.

-Voltaria: sim, com certeza. Sempre vale ir ao Rio pra turistar.


- Custo de vida: pelo ótimo site Numbeo, um custo de vida de R$ 10.000,00 no Rio de Janeiro seria equivalente a um custo de R$ 7.943,73 em Natal/RN ou R$ 9.342,39 em Florianópolis/SC. Minha experiência carioca diz que o abismo financeira é bem maior no Rio, já que há uma diferença muito grande de valor entre bons e maus locais para morar, comer, educar, etc, ao passo que em outras capitais (exceto São Paulo e Brasília, minha impressão) um nível intermediário já traz uma certa qualidade de vida.


Obs: o Rio de Janeiro é gigantesco e está bem longe de ser só uma bela praia da novela ou só as favelas do noticiário policial. Infelizmente só quem mora em uns 12 de um total de 163 bairros consegue ter uma vida absolutamente agradável. Nem pense em morar no Rio se não estiver disposto a ter um custo de vida mais elevado.


Abraço



sábado, 6 de fevereiro de 2021

Respeitar as diferenças

Respeitar as diferenças é difícil. Todo mundo sabe que há muitas pessoas que pensam diferente e, infelizmente, o mundo atual converge para um cenário em que virou normal achar que quem pensa diferente está errado.


A comunidade FIRE pensa em aposentar cedo para sair da corrida dos ratos, do piloto automático, buscando passar mais tempo da nossa única (?) vida com nossa família, amigos e/ou fazendo atividades que amamos. Raramente é feita a reflexão que o sujeito pode amar o trabalho em si, independentemente do retorno financeiro.


Há aqueles que, para atingirem o objetivo mais rapidamente, utilizam de expedientes controversos: educação e saúde públicas (quando se pode pagar pelas privadas), frugalidade extrema, ausência de um veículo próprio quando este seria bastante conveniente, etc. Pessoalmente, discordo dessas formas de economia, porém, as RESPEITO.


O início da jornada nômade já serviu para conhecer algumas pessoas diferentes do meu habitat natural, dentre elas, um gringo residente no Brasil há pouco mais de 1 ano. Com doutorado em matemática em uma das instituições mais prestigiadas do mundo, veio ao Brasil para exercer cargo gerencial numa instituição financeira. Corremos juntos pela manhã 3x na semana e tomamos cerveja com nossas esposas e crianças aos finais de semana, criando certa intimidade. É absolutamente fascinante a visão de alguém tão diferente. Chileno (lembrando que não faz tanto tempo o Chile era a Suíça da América Latina), residente na França por mais de uma década antes de vir ao Brasil, aqui, numa pequena cidade do interior de SP, ele afirma ser o melhor lugar que já morou – e não tem nada a ver com samba, mulheres, praia ou qualquer estereótipo brasileiro criado por estrangeiros. Narrou-me inúmeros pontos negativos do sistema econômico, político, social e laboral da França, por exemplo.


Com esse mesmo novo amigo comentei sobre FIRE, até por ele ser da área financeira e aparentemente um ás da matemática, falando que eu tenho um blog sobre isso. Ele respondeu: “Ah, eu já vi esse pessoal FIRE, muito doida essa ideia de parar de trabalhar cedo e viver de renda, acho muito engraçado você querer fazer isso.” - Obs: eu prefiro relatar que trabalho a tempo parcial e flexível, o que acontece de fato, do que falar que estou “aposentado” e fazendo bicos na minha antiga profissão.


Por tudo que já conversei com esse cara, notei que ele é um pequeno gênio, no entanto, o tema FIRE não tocou o coração dele, tampouco tenho intenção de evangelizar as pessoas a se tornarem entusiastas do assunto.


Provavelmente o leitor acha que é maluco alguém que morava com um bom emprego na Europa preferir morar no interior do Brasil, assim como eu acho o fato de um brasileiro com capacidade financeira não ter plano de saúde ou escola particular para os filhos (salvo raras exceções de escola pública de qualidade, como colégios de aplicação parte de Universidades, algumas escolas militares, dentre outras).


O ponto aqui é que temos de respeitar esses pensamentos divergentes e, para tanto, deixarmos de tentar convencer nosso interlocutor com nossos argumentos (leia-se: ponto de vista) como se errados estivessem.


Sem dúvidas nossas conclusões são tomadas após reflexões e estudos, sendo muita pretensão achar que as do próximo assim não se deram, portanto, caso não concorde com determinada opinião alheia, promova o debate saudável, sem a soberba de pensar que quem pensa diferente de você é simplesmente um idiota.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Encontro Fire, chute no saco e vida nômade


 

Quem diria que o início da vida Fire seria corrida… Durante as festas de fim de ano, que passamos com meus pais e pais da Sra. AC, até imaginava, mas na sequência da jornada nômade, não imaginava as surpresas reservadas.


Nas primeiras semanas tudo correu conforme esperado: umas horinhas de trabalho tranquilas, muitos passeios pela cidade do momento, cozinhar com calma, aproveitar o momento. Um grande momento foi o encontro FIRE que tive com o Sapien Livre e o TR do Escola Para Investidores.


Já em contato por e-mail e, depois, WhatsApp com ambos, falei que estaria próximo da cidade deles durante um tempo e que seria legal um café. Não é que eles vieram? Turistamos um pouco de carro, almoçamos um churrasco com um chopp do bom, andamos de bicicleta por vários pontos turísticos, tomamos chuva, rimos, tomamos um café já aqui “em casa” e, claro, falamos sobre investimentos, filosofia de vida e muitas outras coisas. Pareceu um dia de férias com amigos de infância e agradeço o poder que a internet tem de conectar pessoas.


Tudo seguia num ritmo bom quando meu agora ex-sócio, da vaquinha mais gorda, ligou dizendo que estava pulando fora do barco, iria se mudar pra 1.000km de distância, já veio com um distrato social na mão e passou a praticamente ignorar clientes que o procuravam em nosso nome. Ele precisava fazer isso logo quando eu saí de perto da cidade onde prestamos nossos serviços? Evidente que não. Adianta eu ficar puto com ele? Também não. É um cara que eu gosto, se tornou meu amigo, e está fazendo o que é melhor pra vida pessoal dele. Melhor eu focar em reestruturar o que for possível pra manter o leite da vaca, mas minha vida até então tranquila se tornou intensa no trabalho para não queimar uma imagem profissional construída durante mais de 13 anos.


Fica a reflexão: no fim, as pessoas farão sempre o que for melhor pra elas, independentemente do que tenham combinado contigo.


Mais uma vez, flexibilidade e resiliência serão chaves para a consistência dos planos.


Sobre a vida nômade, já estou apaixonado pelo local atual e é uma forte candidata a ser a cidade para pendurar as chuteiras quando o nomadismo encher o saco. Infelizmente, pelo recentes acontecimentos profissionais, acabei não tendo tempo nem cabeça para postar sequer as impressões dos dois lugares já visitados, mas espero conseguir fazer isso. Fato é que ire priorizar posts sobre estilo de vida e vida pós-RE do que impressões turísticas ou habitacionais.


Às vésperas de fechar o primeiro mês cheio sem trabalho em tempo integral, a renda passiva imediata (dividendos de FIIs e ações que caíram na conta) ficou 30% abaixo do gasto mensal, todavia, tenho cerca de 1/3 do patrimônio investido nestes ativos. Como pretendo, ainda em 2021, chegar a 50% do patrimônio nestas classes de ativos, sem dúvidas será possível executar o plano. Outro ponto a observar é que estou no Sudeste e, mesmo em cidades menores, o custo de vida é bem superior às outras regiões do Brasil, portanto, a tendência será baixar a despesa mensal.


Obs: pretendo rodar por todo o BR, exceto região Norte, ao longo de 2021/2022. Caso tenha interesse num encontro FIRE (não-romântico, só pra não haver dúvidas), mande um e-mail para aposentecedo (gmail.com) e quem sabe não tomamos um café/cerveja/vinho em breve?


Abraço

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Ter filhos não é obrigação

 


Ter filhos dá um trabalho danado. São muitas noites mal dormidas, preocupações com alimentação adequada, vacinas, estímulos ao desenvolvimento, saúde no geral, entretenimento ininterrupto (até aprenderem a brincar sozinhos), diminuição de intimidade do casal, oitiva de palpites das avós/tias/gente que teve filho antes. Ter filhos é muito bom, mas é pra quem quer assumir RESPONSABILIDADES.


Sempre falo que só existem duas coisas irreversíveis na vida: a morte e ter filhos. Casamentos podem ser desfeitos, empregos trocados, imóveis vendidos, até membros do corpo substituídos por próteses. Você não tem como se desfazer de filhos e a tendência natural é que os acompanhe até sua própria morte.


Sempre quis ter filhos e me preparei para isso em diversos sentidos. Apesar de nunca estarmos 100% prontos, o tempo vai ajudando a enxergar o grau da responsabilidade que eles imputam aos pais.


Eu sou um grande privilegiado: desde antes da concepção, já passo quase a totalidade do tempo próximo a meu filho. Adepto do home office em tempo integral há pouco mais de 4 anos, conto nos dedos das mãos o número de vezes que fiquei mais de 24h sem estar fisicamente perto, seja por trabalho ou por outras questões familiares.


Minha esposa não trabalha desde pouco antes da gravidez e ela pode afirmar que nunca passou 24h distante da prole.


Sem babá ou familiar perto para dar uma folga ao trabalho de pais, sentimos o peso da responsabilidade da criação. É um grande prazer e privilégio estarmos sempre todos juntos, porém não é fácil.


Procriar foi uma escolha consciente e, apesar de ser bem mais difícil que o imaginado, foi uma opção excelente, mas não é para todos.


Acho extremamente evoluído quem simplesmente afirma: não quero ter filhos.


Havia e ainda há uma pressão social (e religiosa, mas não vou entrar no tema) absurda em procriar. Lembro de minha mãe se referindo a qualquer mulher que não tinha filhos ou afirmava não querer ter que era “possivelmente mal amada”. A pressão vem dos amigos, perguntando quando vão fabricar amiguinhos para brincar com os filhos deles, vem da família, perguntando quando você dará netos/sobrinhos.


Filhos são uma dádiva, recomendo para quem quer ter, mas, quem não quer, não recomendo. A vida dá sim para ser completa e feliz mesmo sem tê-los. Menos renúncias precisarão ser feitas, mais liberdade – em muitos sentidos – você terá.


Essa breve reflexão é porque conheço muitas pessoas vivendo no piloto automático, o que inclui ter filhos em um momento pré-determinado.


Tive uma namorada que parecia ter a vida definida desde os 15 anos de idade: fazer vestibular, entrar numa universidade pública, fazer mestrado, doutorado, casar, se consolidar na carreira, ter filho, aguardar X anos, ter outro filho… A conheci próximo de formar e acompanhei até o final do mestrado, quando nossas vidas deixaram de sincronizar. Há um tempo ela terminou o doutorado, casou e sua carreira parece estar indo muito bem. Há pouco soube que ela está grávida. Tudo conforme o planejado há décadas.


Tenho amigos que seguiram caminho semelhante. Cumpriram suas promessas próprias de “curtir a vida” até os 30 anos, pelo menos.

Um deles deixou de casar com uma namorada que até hoje fala que era o amor da vida porque era muito novo. Casou com uma namorada de pouco mais de um ano porque tinha “chegado a idade de casar”.


Outro teve um casamento de cinema, daquele sonhado há tempos, com a esposa que não quer ter filhos, mas ele quer e disse que “a hora chegou” – a esposa segue sem querer ter filhos, porém ele confia que “nela despertará o instinto materno depois que o filho nascer”.


Outro, depois dos passos A, B, C (formar, fazer pós, passar num concurso, casar), adotou um cachorro como “prévia” do filho que pretende fabricar em breve. O cachorro (filhotinho) roía móveis e fazia xixi fora do local adequado, algo absolutamente normal e esperado de um filhote em um ambiente novo. Em menos de um mês o camarada colocou o doguinho de novo para a adoção e felizmente o peludo arrumou um novo lar. Em conversa recente, esse amigo disse que esse ano pretende procriar.


Outro parece que nunca deixou de estar solteiro, se é que me entendem, apesar de estar casado há mais de 5 anos, mas que “irá sossegar depois que o boneco chegar”.


Com todos eles tenho intimidade suficiente para ter tido uma conversa nos termos acima: “Cara, você não precisa ter filho. Seja feliz aí, cuidando da sua vida, com sua(s) mulher(es), seu trabalho que te consome. Ter filho pra ver no final de semana e só pegar a parte boa não faz muito sentido. Ignore essa pressão dos ‘futuros vovôs’, tá na cara que sua vida tá legal pra caramba assim”. Deixei todos reflexivos, todavia creio que seguirão seus pilotos automáticos.


Fica aqui a reflexão para os leitores que ainda não são papais ou mamães: pensem e repensem se querem ser. É bom demais, só reflitam bem se realmente é o que vocês querem ou se é o que querem pra vocês.


Abraço

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Entediado

 

Lembro que dos 12 aos 15 anos eu sofria um tédio crônico. Tinha muitos amigos, praticava esportes e outras atividades, mas, mesmo assim, habitualmente ficava entediado. Numa época em que TV a cabo não era tão popular, internet discada (e cara) limitava muito seu uso, não havia smartphones, streamings, tablets, etc, era um pouco mais fácil ficar entediado.


Havia uma pequena biblioteca pública a 20 metros de onde morava, onde passei a frequentar tanto para leitura local, quanto para pegar livros e levar para casa. Esta época muito me ajudou para desenvolvimento pessoal.


Recordo-me que, por vezes, pegava uns 40 a 50 minutos de ônibus num calor danado só para ir até o comércio do meu pai ficar “ajudando” – fazendo nada em silêncio, comendo paçoca ou raramente ajudando em alguma tarefa manual que um adolescente poderia fazer com pouco risco de falha.


Tudo só para passar o tédio.


A grande pergunta que muitos entusiastas FIRE deixam de fazer (ou fazem e não sabem a resposta) é: o que farei após me aposentar?


Há quem ache que uma vida de viagem por tempo indeterminado seja uma boa saída (eu acho, pelo menos é o que estou tentando!); outros ocuparão o tempo com outras formas de trabalho, voluntárias ou remuneradas, outros ficarão 100% encarregados da família, outros farão todas as opções anteriores e muito mais.


Muito se tem falado ultimamente sobre propósito. Que precisamos de propósito para viver, desafios a cumprir, objetivos a atingir. Sem propósito, estaríamos à deriva; acabaríamos entediados e insatisfeitos após tanta luta para alcançarmos uma aposentadoria precoce.


Crescente vem sendo críticas ao movimento FIRE, natural devido ao crescimento da popularidade do mesmo, assim como venho observando alguns blogueiros FIRE mudarem radicalmente de opinião, o que não é um problema. A parte da IF nunca deixará de ter relevância na vida, já que, após obtê-la, é necessário um mínimo de estudo e acompanhamento para mantê-la, além da cordialidade em replicar na internet suas estratégias para tanto. A parte RE é absolutamente reversível, porém. Aqui falo de quem JÁ ERA APOSENTADO e mudou de ideia, não de quem está na jornada e desistiu.


Na blogosfera nacional, tivemos há alguns meses o exemplo do blog do Corey, que simplesmente mandou o conceito FIRE pras cucuias e encerrou o blog. Não sei o que houve depois.


Descobri um post bacana e bem realista do Finumus, um blogueiro inglês que, após 4 anos de aposentadoria precoce, voltou a trabalhar full time. O post completo você encontra aqui, mas, resumindo, a esposa dele seguiu trabalhando e ele virou um dono de casa – o que não é problema algum. Os filhos dele, ótima forma de usar o tempo livre, cresceram e estão na fase (provavelmente pré-adolescência) em que acham a coisa mais chata do mundo passar tempo com o pai. A casa dele está brilhando e não há nada mais para fazer de melhorias após esses 4 anos. Apesar de, por tudo que já li no blog, ele ter se aposentado Fat Fire, mantém uma TSR de 1,5% e, creio que somando o trabalho da esposa e o calendário escolar dos filhos, não consiga sair muito da rotina do próprio lar.


Sentindo falta do burburinho do trabalho e vendo seus ex-colegas de faculdade e trabalho dando entrevistas, esbanjando status, etc (ele formou em uma faculdade em que 90% saem-se muito bem-sucedidos), passou a sentir falta disso tudo. No início da pandemia recebeu de um deles uma oferta de emprego para ganhar menos do que ganhava quando tinha 20 e poucos anos. Topou. O trabalho é remoto, mas fixo (de 9 às 17h). Tudo para sair do tédio que estava.


Quatro anos é um bom tempo para refletir como se quer viver a vida e, principalmente, para mudar e transformar a mentalidade. Fico feliz que esse camarada tenha encontrado satisfação voltando a trabalhar.


Estou sempre buscando contrapontos a meus pensamentos, não só viés de confirmação. Demorei muito para assim pensar e descobrir que é a melhor forma de engrandecer. Não prego (e acho que a grande maioria dos blogueiros FIRE também não) que aposentar cedo seja o melhor caminho à felicidade, que voltar a trabalhar seja um erro, que quem pensa diferente é inferior. Simplesmente foi a rota que escolhi, após muita reflexão, e assim vivo feliz.


Não, não estou entediado e nem consigo ver esse cenário no curto prazo. O título do post é sobre o tema abordado, não meu sentimento atual.


Pode ser que, após 4 anos, como o colega inglês, eu mude de ideia e volte a trabalhar em tempo integral. Pode ser que isso ocorra após 2, 4, 10 ou 30 anos. Ainda estarei em idade produtiva, acredito. Pode ser que nunca ocorra.


Atribuída à Kant: “O sábio pode mudar de opinião; o idiota, nunca.


Abraço

sábado, 26 de dezembro de 2020

Te amo, mas preciso partir.

O ano era 2005. Com 18/19 anos e em meu 2º emprego com carteira assinada, acordava às 6h, tomava café da manhã e, enquanto me arrumava até chegar no trabalho, ouvia o “Transnotícias – o seu Primeiro Programa” na Rádio Transamérica. O programa tomava minha atenção desde o despertar, até o fim da caminhada de 2km para o trabalho (enquanto, feliz, economizava o vale-transporte que tinha direito). Nesta época, aprendi o valor do auto-aperfeiçoamento em diversos campos da vidas, pois os ápices do programa não eram as notícias em si, mas os poucos minutos em que os colunistas passavam ensinamentos e mensagens positivas que até hoje me lembro em boa parte.


No time do programa estavam o mestre Gustavo Cerbasi (hoje conhecido em larga escala, maior referência em educação financeira para mim), Luciano Pires (um dos “desconhecidos” do grande público que mais estimo pelo conteúdo e credibilidade, desde aquela época com o programa-conceito Café Brasil, que acompanho até hoje via podcast e Youtube), Irineu Toledo, Daniel Luz, Renata Leite e José Luiz Tejon. Foi o único programa de rádio em minha vida que tive imenso prazer de ouvir e, a cada dia, me sentia melhor e mais preparado em diversos campos da vida.


Comecei minha jornada nômade passando 12 dias em minha cidade natal, onde ainda tenho a maior parte da família e amigos. Ao mesmo tempo em que lutava contra os receios de não ter mais um lar, estar na minha zona de conforto, onde vivi quase 30 anos de minha existência que passa os 34, ajudou muito a minimizar a inevitável preocupação com os próximos passos da aventura que construí. Justamente à véspera de partir do meu berço, sem data para retorno e com maior dificuldade de visitas esporádicas, lembrei de um texto chamado “Desapego”, declamado por José Luiz Tejon naquele distante 2005 em um dia útil qualquer na rádio. Aqui o transcrevo na íntegra, após muito dificuldade em encontrá-lo:


Eu te amo, mas preciso partir. Ouvintes vocês já viveram a legítima situação do desapego com muito amor. Cair na Real da vida é difícil, por bem. Geralmente caímos na real sob as tempestades, as tsunamis. Quando as coisas estão ruins, falta tudo, o sofrimento é imenso, não é dificil querermos mudar. O incômodo é tão grande que lutamos bravamente para alterar o rumo das coisas. O dificil mesmo é mudar, seguir a sua evolução quando as coisas estão bem. Confortáveis.


Você gosta e até ama muito as situações nas quais está vivendo. Ama seus filhos. Ama sua esposa, seu marido. Ama o seu emprego. Ama a sua casa. Mas, ao mesmo tempo em que você ama tudo isso, e se sente amado, alguma coisa maior lá dentro de você te cutuca, te incomoda, te angustia e te pergunta: você vai parar por aqui? Está tudo ótimo com os seus filhos mas você sente que eles precisam partir. Pegar estrada. Encontrar suas vidas, correr o mundo. O que você faz?


Você os ama. E agora? Precisa dizer eu amo vocês, mas vocês devem partir! Ou você ama e é amado pela outra pessoa. Vivem uma situação confortável. Boa. Mas algo lá dentro de você grita: existem coisas que você ainda não resolveu nas descobertas da sua própria vida. Você vai continuar aqui ou vai começar de novo nessa busca interior? E agora? Você precisa dizer: meu amor, eu te amo, mas eu preciso partir!


A mesma coisa acontece num emprego bom, numa carreira sólida. Você já venceu etapas importantes, conquistou posições. Lutou muito para chegar ali. E agora? Você pode usufruir dessa luta. Mas, novamente, algo lá no fundo de você acorda e grita: Tejon, eu quero aprender mais. Eu preciso saber mais de mim mesmo. Você não pode parar. E o que você faz ? Você diz: eu amo esta empresa, amo a minha posição, mas preciso partir!

Na sua casa, nos seus bens, na sua cidade, em tudo. Nossa vida tem uma jornada. Paramos no meio dessas jornadas, muitas vezes pelo conforto das pousadas que encontramos ao longo do caminho. Ou então, pelo desânimo de continuar botando o pé na estrada. Incomodados, acoçados nos movimentamos. Mas, quando estamos bem, ou pensamos estar bem, estacionamos.


Ao ouvir as vozes da nossa criança, lá dentro de nós, gritando alto... continua, olhá lá, o que vem depois daquela curva, onde é o fim daquele arco-íris, ficamos tomados pela vontade do seguir. E como é dificil ouvinte, seguirmos com amores que ficam para trás. Como é dificil dizer: eu te amo, mas preciso partir! Ao analisarmos bem isso, talvez possamos cair na real. Ao pararmos, o nosso amor pode, sem querer, se transformar em uma parada também para os outros seres amados.


Ao seguirmos pela nossa estrada, podemos estar mostrando para todos os que amamos, que a vida é um continuar. E, desse exemplo maior, uma prova de amor superior existir. Um amor generoso e de realidade com a vida. Podemos seguir juntos nessa estrada? Podemos, se nossas linhas de evolução assim permitirem. Podemos desde que uma vida não anule a outra. Mas, geralmente, na maioria dos casos, as nossas jornadas são individuais. O verdadeiro amor é como linhas paralelas locomovendo-se para o mesmo infinito.

Prepare-se sempre para o desapego. Pelo bem é difícil, mas é inteligente e muito mais nobre.


Em 2017, parti para outra cidade perto o bastante para visitar regularmente, longe o bastante para não o fazer assiduamente. Hoje parto para longe e com destino final desconhecido. 

Nunca é um bom momento para partir; sempre é um bom momento para partir. O cotidiano da família imediata anda conturbado, com minhas avós doentes e dependendo de auxílio 24h, meus pais responsáveis imediatos pelo zelo de suas mães, minha irmã ainda lutando para retornar à estabilidade após um problema súbito e complicado de sanar. Partir significa que não os amo? Claro que não. Carinho e atenção também podem, mesmo que em menor grau, serem prestados à distância. Mesmo que eu morasse no mesmo bairro, tenho cá meus dependentes também para cuidar e não poderia estar diariamente dentro de uma casa que não é minha.

Se não partir agora, quando? Quando minhas avós se forem? Podem levar 2 meses, 2 anos ou 10 anos. Quando acontecer o inevitável, e se forem meus pais a precisarem de ajuda? Daí talvez eu evite mudanças para não atrapalhar a vida escolar e social do(s) filho(s), irei aguardar se formar e sair de casa. Talvez eu que esteja velho para então partir. Talvez amanhã ocorra um evento imprevisível – como com minha irmã, apenas 3 anos mais velha – e eu não possa concretizar meus planos por incapacidade própria.

Parafraseando o escrito por Tejon, minha estrada agora correrá em paralelo, rumo ao infinito, sempre recordando todo amor à minha família. Não fazer o que meu coração manda significará anular minha vida em prol de outra – e eu só tenho uma. 

Abraço 


 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Minimalismo não é frugalidade

Gosto muito de consumir conteúdo sobre minimalismo, assim como (creio) boa parte da comunidade FIRE. Em apertada síntese, meu conceito de minimalismo é não ter coisas supérfluas; valorizar o que se tem, sendo feliz com elas. Nem sempre significa ter poucas coisas – às vezes um carro ou uma cafeteira Nespresso podem não ser supérfluos, desde que tenha VALOR, não só CUSTO.


No meu caso específico, o minimalismo aplicado está em ter poucas coisas. À exceção de alguns itens de valor sentimental e documentos desnecessários ao porte cotidiano, que foram armazenados nas casas dos pais e sogros ACs, todos os pertences da família AC cabem num carro SUV. Abarrotado, mas cabem. Há cerca de 1 ano o estudo do minimalismo foi intensificado e, salvo raras exceções, a compra de novos bens duráveis (roupas, utensílios, brinquedos) foram extremamente conscientes.


O minimalismo é um grande aliado à jornada FIRE, pois, via de regra, traz felicidade com um estilo de vida mais barato, no entanto, regras têm exceções e infelizmente creio me enquadrar.


Mesmo com a intensificação da mentalidade minimalista em mim e na Sra. AC, em 2020 gastamos aproximadamente 140 mil reais, uma média de R$ 11.600,00 por mês. O fato é que as despesas não-recorrentes não deixam de ser frequentes. Havia aluguel, contas de luz, gás, etc. Houve meses que gastamos 4 mil reais só em supermercado e delivery. Houve despesas médicas extraordinárias (cirurgia de miopia), vacinas em clínica particular, teste de COVID particular (R$ 1.050 pra nós 3 aqui).


Fazendo esse balanço de fim de ano eu cheguei à conclusão que minimalismo e frugalidade são conceitos distintos, apesar de próximos. Meus pertences são minimalistas (?), porém minha vida não é frugal. É sustentável, sem dúvidas (apesar de minha remuneração ser variável, em nenhum mês o saldo foi negativo), mas frugal, certamente não.


Talvez você se pergunte “Como uma família de 3 pessoas e 2 cães possui bens limitados a um carro e consegue gastar tanto?”. Também me faço essa pergunta e não sei ao certo a resposta. As duas grandes pistas que tenho são comida e habitação.


Aqui em casa gostamos muito de comida e de comer. Somos da galera que pede o hambúrguer de 40 contos, que compra o suco integral de 15 reais, a salada higienizada e embalada vendida ao triplo do preço de seus insumos, a cerveja artesanal de 20 reais, o café 100% arábico, a castanha de caju caramelada, o presunto de parma. Sim, olhamos e comparamos os preços e, claro, compramos também muita coisa barata, nem tudo é o top da cadeia alimentar (ex: raramente compramos orgânicos por causa do preço). O fato é que não me parece absurdo gastar R$ 150 a R$ 200 numa refeição para dois em um restaurante legal, se o valor da experiência for suficiente. Não recomendo ser assim. Um mês só com refeições em casa (sem delivery) é algo que não me recordo de ter vivido na última década e teria feito uma grande diferença na taxa de poupança se houvesse consistência no médio prazo.


Quanto à habitação, reduzimos drasticamente as despesas saindo da mansão para um apartamento regular de 2 quartos. Um custo de aproximadamente 7 mil por mês caiu para 2,5 mil (todas as despesas de habitação incluídas). Agora na fase nômade, no entanto, começamos a jornada na região Sudeste alugando Airbnbs e o custo médio mensal dos já alugados até agora girou em torno de 6 mil reais, algo que sinceramente compensar nas outras regiões do Brasil, já que, por nossas pesquisas, as opções no Sul, Centro-Oeste e Nordeste parecem ser bem mais baratas. Em que pese meu primeiro apartamento ter 21m² e eu ter sido bem feliz lá, é garantia de aborrecimento e sofrimento viver em algo menor que 50m² na atualidade, com criança e dois cachorros de porte médio.


Acho que o post está fugindo um pouco ao tema e a principal reflexão é: ser minimalista não implica em ser frugal. É bem menos difícil ser minimalista do que ser frugal, na minha opinião. Claro que sempre buscarei limitar despesas para uma vida pós-aposentadoria sustentável no longo prazo, mas a verdade é que, pelo que vivo no presente, reduzir meu orçamento à metade é improvável e impossível sem sacrifícios.


Abraços

sábado, 19 de dezembro de 2020

Prostituta FIRE

 


Com alguma frequência, recebo e-mails com algumas dúvidas e troca de ideias, sempre respondendo no privado, não só pelo caráter mais intimista, como também por ter plena consciência que não tenho capacidade técnica para prestar orientações de forma profissional, sendo meus pitacos mero “achismos” do que eu faria na situação da pessoa. Neste caso, porém, achei o e-mail tão inusitado que pedi autorização à pessoa e ela deixou que eu publicasse aqui no blog o e-mail e minha resposta. Segue então:


Olá Aposente Cedo,


Sem julgamentos, gostaria de sua ajuda para analisar meu caso. Tenho 32 anos e trabalho como acompanhante em São Paulo desde os 20 anos de idade. Talvez pela falta que tive na infância eu sempre me preocupei com não faltar dinheiro e poupar, evitando luxos e despesas desnecessárias, como muitas colegas fazem.

Tenho uma renda mensal em torno de 15 mil e hoje gasto em torno de 6 mil reais. Moro em apartamento próprio avaliado em 300 mil e tenho 400 mil investidos em poupança, FIIs e ações de 4 empresas grandes.

Descobri os blogs de FIRE há pouco tempo e percebi que, mesmo não sabendo que isso existia, sempre pensei que teria de parar de trabalhar no máximo até os 45 anos pela natureza da minha profissão e por não ter cursos ou formação profissional em alguma área que me dê um dinheiro decente. Também me recuso a trabalhar para ganhar menos e meu corpo e idade dificilmente me permitirão manter o nível de ganhos.

Minha pergunta é no que você recomenda investir e se acha que consigo parar de trabalhar até os 40 ou no máximo 45 anos.

Obrigada, K.S.


Olá, K.S.! Antes de tudo, parabéns por sua disciplina e mentalidade poupadora! São poucas as pessoas que, com sua idade, amealharam um patrimônio de 700k e ainda possuem uma consciência de gastos tão boa, além da ótima taxa de poupança. Você é a prova de que ter educação financeira não depende de diploma ou curso formal, basta pesquisar e estudar (bastante) o assunto por conta própria na internet.


Entendo perfeitamente sua preocupação com a impossibilidade/dificuldade de seguir na sua profissão com o passar da idade, me lembrando o que postei sobre algumas profissões que naturalmente geram uma aposentadoria precoce. Creio que seu caso se assemelhe muito a um atleta de alta performance, como um jogador de futebol, por exemplo (com a diferença que não dá pra você virar comentarista ou técnico depois, hehehe).


Como você tem uma bela taxa de poupança, ainda tem pelo menos mais 8 anos na fase de acumulação e também teu seu imóvel próprio, creio ser pouco necessário se preocupar, por enquanto, com geração de renda passiva por si só, já que o recomendado seria reinvestir a totalidade dos dividendos. Uma vez que você não informou o percentual de alocação dos investimentos atuais, irei tomar a liberdade de sugerir uma alocação conforme o valor total do patrimônio, exceto o imóvel.


Dos 400k que você tem investidos hoje, sugiro que mantenha 54k, equivalentes a 9 meses de orçamento mensal, na poupança ou CDB/LCI/LCA de liquidez diária. Minha sugestão é ter um colchão um pouco maior que alguém assalariado porque acredito que sua renda seja relativamente variável, esteja sujeita a quedas expressivas por causa de eventuais lockdowns na pandemia, e ainda possa ficar zerada caso você tenha algum acidente ou doença. As alternativas mais fáceis de aplicar são a poupança ou uma conta no PicPay, que acabou de lançar conta com remuneração automática de 210% do CDI (isso não é uma divulgação patrocinada e sugiro fortemente que estude o risco institucional; eu mesmo não tenho conta no local e não sei maiores informações sobre a empresa ou produto).


Dos 346k de saldo para investir atualmente, sugiro dividir em 4 partes:


1) Investimento em imóvel físico para revenda: como você mora em São Paulo (estou presumindo ser a capital), aproveite o fato de estar em um grande centro urbano e busque contato com imobiliárias ou assessoria especializada em leilões para tentar identificar imóveis abaixo do preço e que possam gerar um lucro razoável de revenda no curto prazo (razoável = a partir de 15% líquido ao ano; curto prazo = até 12 meses). Essa alternativa é pouco popular no universo FIRE, é trabalhosa, envolve muito estudo e aprofundamento no mercado imobiliário, mas tem uma excelente taxa de retorno e baixo risco. Foi assim que construí boa parte de meu patrimônio, conforme relatei aqui. Com 100k a 150k você consegue encontrar algumas oportunidades, especialmente em leilões, se garimpar bem, tiver um bom timing e sorte para ter pouca concorrência.


2) Investimentos alternativos no mercado financeiro: sugiro alocar cerca de 5 a 10% (17k a 34k) em ativos como ouro (ex: OZ1D no homebroker da sua corretora), criptomoeda (ex: bitcoin), fundos de maconha (ex: Vitreo Canabidiol FIA), dentre outros a pesquisar. Sim, todos tem grande volatilidade, mas, no longo prazo, creio serem um exemplo de convexidade, onde se arrisca centenas para ganhar milhares.


3) Ações FIIs: não se limite a blue chips e poucas empresas ou fundos. Procure diversificar as ações em 8 a 12 empresas ou, melhor e mais fácil ainda, dois ou três ETFs (ex: IVVB11, BOVA11, DIVO11). Idem para FIIs, procure diversificar os tipos (tijolo, híbrido, papel e logística – não recomendo shopping puro no momento) ou coloque em FOFs (exs: KISU11 e IFIE11).


4) Fundo multimercado: apesar das muitas críticas sobre taxa de administração, ainda acho conveniente e válido investir em fundos vendidos nas plataformas de corretoras, especialmente para multimercados que fazem um mix de renda fixa (normalmente títulos do Tesouro) e renda variável (ações e derivativos), obtendo um resultado médio acima da renda fixa no cenário atual e com uma volatilidade aceitável. Gosto de estudar esses fundos, inicialmente, por este site.


Caso goste da ideia, investir diretamente no exterior, abrindo uma conta em corretora norte-americana, também é uma boa pedida, especialmente em ETFs.


Nunca deixe de estudar todo o possível ANTES de investir em qualquer coisa: taxas de administração, impostos, riscos, documentação e procedimentos fiscais (declaração de IRPF, pagamento de DARFs sobre ganho de capital, etc) para evitar prejuízos e dores de cabeça.


Sugiro usar seus aportes mensais para ir, com eles, rebalanceando a carteira, aportando proporcionalmente mais nos investimentos que caíram no mês anterior.


Abraço e sucesso.

domingo, 13 de dezembro de 2020

#2 – NômadeTBT - França e Mônaco

 

Estou ligado que TBT tinha que ser quinta-feira, permita-me postar com delay. A dois dias de sair da minha casa, já quase sem móveis, e iniciar a aventura nômade, resolvi trazer aqui um outro mundo:



FRANÇA e MÔNACO

– Passei cerca de 30 dias na região em duas viagens diferentes. É um outro planeta, comparando com Brasil e mesmo com outros locais da Europa.


1) Mônaco: tenho impressão que ficou famoso no Brasil pelo GP de Fórmula 1 (pelo menos assim foi pra mim). É outro planeta, inexiste lixo na rua, o piso de algumas áreas públicas é de mármore, tem elevadores públicos em locais com inclinação, o lugar tem um ar diferente (parece que se paga pra respirar). Com esforço, dá pra conhecer todos os bairros do principado/país em um só dia (o mais famoso é Monte Carlo, ontem tem o circuito da F1, o cassino e o shopping).


-Lazer: apreciar a linda vista pro Mar Mediterrâneo, jardins inúmeros, cassino, festas, troca de guarda da realeza, inúmeras possibilidades ao longo da Côte D’Azur (a região da França que vai de Cannes até a fronteira leste com a Itália, toda a uma curta distância entre cidades com muito valor cultural e de lazer).

-Cultura: história do principado, alguns museus interessantes, arte e arquitetura europeia na região.

-Moraria: sem dúvida, faltam só alguns milhões de euros na conta.

-Voltaria: sim.


2) Côte D’Azur: região já explicada acima, tendo Nice como a maior cidade de todas (e a 3ª maior da França). Praticamente tudo igual ao relatado em Mônaco, mas com menos glamour e luxo, contando com maior diversidade de classe social (porém ainda bastante alta no geral) e muito o que fazer e conhecer na região. Menos caro que Mônaco, porém a França, no geral, é um país bem caro para se morar, sendo essa região possivelmente a mais cara, até mesmo que Paris.


3) Paris: lazer e cultura infinitos. Voltaria, mas não moraria – muita gente a toda hora em todo lugar, até mesmo nos bairros (arrondissements) mais distantes do Centro. Chega a ser agoniante de tanta gente. Ir até Versailles conhecer o palácio é fundamental.


A França, no geral, é um país que muito me agradou e tenho vontade de morar lá, especialmente no litoral sul, em razão do clima mais ameno. É um país grande territorialmente e com notáveis diferenças culturais entre a região de Paris, Normandia, Marselha, Nice e Lyon. Ir a Paris e dizer que conhece a França é como ir a São Paulo e dizer que conhece o Brasil (idem para a população – os franceses fora de Paris costumam ter menos ar de superioridade). Com tempo e dinheiro, vale conhecer as muitas regiões (passei somente dois dias no Vale do Loire/região de Champagne e preferi não opinar, não tirei conclusões).


Usando sites comparadores de custo como o Numbeo, o mesmo custo/qualidade de vida com R$ 10.000,00 em São Paulo custaria R$ 26.000,00 na Côte D’Azur. A título comparativo, na grande Lisboa, no sul da Espanha ou no norte da Italia essa mesma comparação seria em torno de R$ 17.000,00, ou seja, mesmo dentre os países europeus, a França se destaca pela despesa acentuada.



Abraço



segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Aniversário de 1 ano do blog!


 

Olá amigo(a) leitor(a)! Hoje o blog faz 1 ano de existência e há muito o que comemorar.


Após descobrir o universo FIRE, fui apenas leitor voraz por mais de 1 ano, quando então comecei a fazer comentários nos blogs que conhecia e enviar e-mails com trocas de ideias para alguns. Numa dessas, acabei sendo entrevistado pelo Sr. IF com uma boa repercussão, o que me estimulou a criar este blog aqui.


Por sua vez, o blog me fez estreitar os laços com outros membros da comunidade que hoje considero amigos, como o Sapien Livre, o Thiago da Escola Para Investidores, a Yuka, o Thiago de um extinto blog FIRE, agora autor do podcast InglêsEverywhere, além de muitos outros colegas que estão sempre trocando ideias, como Sr. IF, Vagabundo, Scant, Poupador do Interior, BP Milhão, Mente Investidora (blog extinto), Stark, MJ, One, Menos do Que Ganha, Sempre Sábado e outros (não consigo lembrar todo mundo).


Sempre gostei de comédia e lembro de um episódio de Seinfeld em que ele falava que, enquanto crianças, fazer amigos é muito fácil: “Você gosta de groselha? - Sim, gosto. Ótimo, vamos ser amigos então!”. Nós, adultos, temos uma dificuldade bem maior para criar novos vínculos não-amorosos, sempre com desconfianças, preconceitos e pré-conceitos. A galerinha FIRE no geral não demonstra esse ranço adulto e costuma se unir, trocando conhecimentos não só de finanças, mas psicológicos, de vida, experiências, etc. Tem branco, preto, amarelo, hétero, homo, gordo, magro, maromba, pobre, rico, assalariado, autônomo, servidor público, empresário, urbano, rural, gente do MT, AM, RJ, SP, RN, BA, SC, RS, PR, GO, do exterior, aposentada, trabalhadora, estudante, desempregado… Fico feliz em me sentir parte dessa comunidade e o blog, sem dúvidas, contribuiu muito para isso.


Na parte financeira, nesses 12 meses de blog, o patrimônio aumentou 19,60%, sendo que, desse acréscimo, 56% foi de renda ativa e 44% de renda passiva. A renda passiva do período foi superior a 2x meu orçamento doméstico e meu orçamento equivaleria a uma TSR de 4% ao ano, ou seja, se eu tivesse deixado de trabalhar há 1 ano, teria sobrevivido razoavelmente bem para um primeiro ano FIRE, especialmente se levarmos em conta que 3/4 do período foram já com uma pandemia em curso. As trocas de experiência sem dúvidas muito contribuíram para esse resultado.


Falando de estatísticas, foram 380 comentários, dos quais provavelmente metade foram respostas minhas. A renda com o blog foi – R$ 100,00, referente aos dois anos de domínio .com que paguei – o blog não é monetizado e não tem propagandas. Houve 37.571 visualizações em 38 postagens.

Os posts mais acessados foram “Trajetória do Aposente Cedo” (5 mil views), “O fim do capricho” (2,14 mil), “Offshore para investir no exterior” (2,11 mil) e “MAXIMALISMO: da quitinete à mansão” (2,11 mil). 

O que mais gostei de escrever e que gostaria que mais gente soubesse foi "Doar sem gastar", pois é o tema que mais gera impacto social imediato - muitos amigos blogueiros acima fizeram questão de compartilhar em seus próprios blogs e vi comentários em todos de pessoas que não sabiam e já esse ano ajudaram alguma instituição filantrópica sem gastarem um real sequer.


Quanto à vida pessoal, certamente a pandemia transformou muitas vidas e aqui não foi diferente. Meu trabalho já era 80% de home office há alguns anos e se tornou 100%. Home office = 100% do tempo com a companheira = possibilidade de atritos. A parte amorosa foi razoavelmente tranquila pra mim. A convivência com vizinhos foi terrível: gritaria de crianças e adultos em horários inconvenientes e uma falta de civilidade pouco esperada para um “novo mundo em que o melhor iria aflorar nas pessoas”.

Aproveitei o tempo livre do início da quarentena para fazer vários cursos nos mais diversos temas e ler livros. Tentei substituir a renda ativa que baixou quase a zero pela profissão de “trader”, bem sucedida nas primeiras semanas e com uma consistência de ganhos nas posteriores, mas um custo de stress muito grande. Em setembro, já com minhas vaquinhas voltando a dar leite com boa frequência, abandonei de vez os trades e voltei ao buy and hold.

Transformei minha carteira 100% com foco em ganho de capital para 40% focada em geração de renda imediata e desejando aumentar esse percentual até a casa dos 60%, no mínimo, e 80% no máximo.

Vivi momentos de tensão com problemas de saúde na família (até um dos cachorros aqui operou), todos se encaminhando para um final feliz.

Conversei com amigos que não falava há tempos e tive papos mais profundos com o que tenho contato frequente. A quarentena gerou uma compaixão coletiva imediata, porém, no fim, todos voltaram a focar em suas próprias vidas, como sempre foi o mundo.

Tive de ter flexibilidade de trocar meus planos de morar no exterior já no final de 2020 (um sonho que estava moldado com detalhes há tempos) por levar uma vida nômade dentro do Brasil (e hoje já sou apaixonado pelo meu novo plano A).

Decidi não chutar o balde de uma vez dos meus trabalhos, mas já consegui reduzir bem a carga horária, com previsão de reduzir ainda mais em menos de um mês. Meu conceito de aposentadoria mudou de “não fazer nada produtivo que gere renda” para “não deixar de fazer nada que gostaria por falta de tempo”.


Obrigado a todos os leitores e… faltam 8 dias para a aposentadoria!

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

VidaNômadeTBT - #1


 

Conforme postei aqui, estou indefinidamente sem residência fixa. Não sou adepto de redes sociais e uma das razões é a preocupação em mostrar o que se parece estar vivendo, ao invés de aproveitar o momento de fato. Assim, dificilmente irei comentar em tempo real minhas experiências nômades, mas não deixarei de postar aqui minhas impressões sobre cada local que visitar, especialmente sobre o ponto de vista para moradia em família, evitando a pegada “blog de viagem” e buscando traduzir a vida de um residente local.

 

Para inaugurar essa série de posts (serão alternados com posts financeiros e afins), inicio passando impressões PESSOAIS sobre alguns lugares que já visitei, ressaltando que não tinha a mesma visão que hoje tenho, tampouco podem se aplicar ao presente mundo pandêmico:


BAHIA


1) Jequié: passei 3 dias nesta cidade do interior, que ganhou notoriedade quando o prefeito distribuiu mochilas gigantes para as crianças.


-Lazer: há uma barragem no local que parece ser o point.

-Cultura: não identifiquei nenhuma cena cultural ou marco histórico.

-Moraria: não. Parece carecer de serviços e estrutura.

-Voltaria: não.


2) Praia do Forte/Costa do Sauípe: passei cerca de 15 dias, em viagens diferentes, na região.

Praia do Forte é uma vila amigável com praias bonitas e clima muito descontraído, além de uma boa sensação de segurança (ao menos na área turística, que parece ser quase a totalidade).

Sauípe é uma invenção de empresários (como Porto Seguro), com estrutura de resort totalmente comerciais e a preços inflados. Há praias mais bonitas em que se paga muito menos e se obtém muito mais.


-Lazer: praias, meia dúzia de bar/restaurante com música, possíveis atividades relacionadas a praia (jet-ski, caiaque, barco, etc).

-Cultura: não identifiquei nenhuma cena cultural ou marco histórico.

-Moraria: não, estrutura pra moradia com criança (escolas e hospitais de qualidade) parece inexistente.

-Voltaria: sim, mas só depois de ver muita coisa diferente no mundo ou se já estivesse de passagem perto.


3) Salvador: aprazível e maior do que imaginava, possui grande abismo social entre os bairros de classe alta (Vitória, Barra, Ondina) para os de classe média e baixa. Acho que todo brasileiro deveria conhecer essa capital querida que tem tantos atrativos.


-Lazer: muitas praias na cidade e no litoral próximo (como Praia do Forte, por exemplo), muitas opções de restaurantes, shows, carnaval (é claro), shoppings, e o que mais se espera de uma grande capital.

-Cultura: shows nacionais frequentes, cena teatral considerável, inúmeros marcos históricos, bonitos e importantes, além de o próprio povo ser uma figura cultural.

-Moraria: sim, tem boa estrutura na área privada. Do que já conheci, seria minha primeira opção na região Nordeste, incluindo cidades pequenas e médias.

 

4) Morro de São Paulo: paradisíaca ilha a cerca de 2h30m de barco a partir de Salvador. Um dos lugares mais bonitos que já visitei.


-Lazer: praias, meia dúzia de bar/restaurante com música, possíveis atividades relacionadas a praia (jet-ski, caiaque, barco, etc).

-Cultura: não identifiquei nenhuma cena cultural ou marco histórico.

-Moraria: não, estrutura pra moradia com criança (escolas e hospitais de qualidade) parece inexistente.

-Voltaria: sim, agora mesmo se fosse possível.

 

-----

E aí, gostou do tipo de post? Adoraria ler seu feedback nos comentários abaixo.


Abraço



quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Órfão FIRE

 

Tenho um amigo que, infelizmente, perdeu os pais e avós antes dos 20 anos, herdando 5 imóveis. Um imóvel ele utiliza para morar e os outros 4 mantém alugados – os familiares já utilizavam para renda, trabalharam arduamente para construírem este patrimônio.


Meu amigo, todavia, nunca trabalhou arduamente. Com mais de 30 anos, tem no currículo 4 cursos universitários incompletos (nada “tocou seu coração”) e dois estágios, cada um com cerca de 8 meses de duração (sempre saiu porque “estava sendo prejudicado”).


Até hoje reflito minha opinião sobre ele. Passa a maior parte de seus dias vendo TV e ouvindo música, nunca fez cursos livres, buscou se aperfeiçoar pessoal ou profissionalmente (em qualquer área que seja) e, todavia, é um pessimista inveterado, não havendo um diálogo sequer que eu trave com ele em que não reclame de algo (nem que seja do clima ou da política). Não sabe fazer uma declaração de imposto de renda e não faz noção de como manter um imóvel sob qualquer ótica: estrutural, contábil ou jurídica, sempre terceirizando tais atividades (e gastando com isso), mesmo sendo esta a única fonte de renda dele há quase 20 anos.


O fato é que ele recebe uma grana razoável dos aluguéis e tem um padrão de classe média confortável, apesar de não ter grandes luxos. Gasta praticamente tudo que recebe e, nas raras vezes que sobra alguma grana, não faz ideia de como investi-la.


Ele é muito honesto e de bom coração, um grande amigo, mas decidiu não aprender nada do mundo profissional, das finanças ou do autoconhecimento.


Estou narrando tudo isso para uma reflexão coletiva, amigo leitor. De longe, ele não é um sortudo, pois não ter nenhum ascendente desde jovem é uma grande lástima. Tive oportunidade de conhecer os pais e avôs dele e posso afirmar que todos batalharam muito para construção do patrimônio e o fizeram com o intuito de dar uma vida melhor aos filhos e netos – o que conseguiram.


Desde o início da vida adulta, o amigo recebe renda passiva mais suficiente a uma vida confortável e nunca procurou maximizar essa renda nem gerar alguma forma de renda ativa, se enganando (e enganando alguns, por um tempo) de que suas várias faculdades iniciadas iriam lhe trazer uma “carreira” e um “trabalho”, quando fica nítido que nunca foi intenção dele cursar nada (ele está há mais de 18 anos “na faculdade”).


O universo FIRE teria salvado a vida desse amigo há 20 anos, pois ele não se sentiria nessa obrigação social e moral de fazer uma faculdade e ter um emprego, a qual, em contraponto com seu desejo mais íntimo de não fazer nada, só lhe causou prejuízo psicológico e financeiro (todas as faculdades cursadas eram privadas).


Está tudo bem, meu amigo! Não é vergonha não trabalhar e não ter um diploma! Liberte-se do que os outros pensam, ninguém paga suas contas!


Já tentei inúmera vezes abordar o assunto de planejamento financeiro com ele (e ele sabe que eu entendo um pouco disso), mas ele sempre desvia do assunto e não demonstra nem querer saber, já que teve sua renda garantida do jeito próprio. De minha parte então, resta torcer para que sua renda passiva sempre acompanhe seus gastos e padrão de vida, na medida em que muito triste será vê-lo ter que vender um imóvel após o outro para suprir gastos previsíveis (que ele não terá previsto, mas irá jurar que eram cisnes negros) durante a velhice.


Conto a história acima porque é muito comum vermos histórias de nascidos em berço de ouro que sempre foram playboys ou preparados desde a infância para assumirem a presidência da empresa do pai, mas não dá mídia histórias de um órfão de classe média que passa boa parte da vida infeliz por mera pressão social.


Abraço